Questão de Medicina — Urologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Urologia
Código
qq969782
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Transplante de Rim/Urologia
No caso de cistos renais Bosniak IIF, qual é a conduta a ser tomada?
AOrientar o paciente sobre os achados do exame e seguimento.
BRealizar RNM para avaliar invasão de veia cava.
CNefrectomia parcial laparoscópica ou robótica.
DNefrectomia parcial aberta.
ENefrectomia total.
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GabaritoA — Orientar o paciente sobre os achados do exame e seguimento.
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Cistos renais Bosniak IIF: conduta e seguimento
Gabarito: letra A. O cisto renal Bosniak IIF é uma lesão cística indeterminada, com risco de malignidade de 3 a 10%, e a conduta recomendada é o acompanhamento (follow-up) — daí a letra "F" na classificação —, orientando o paciente sobre os achados e realizando seguimento por imagem. As demais alternativas (nefrectomia parcial ou total, RNM para invasão de veia cava) são condutas para lesões de maior risco ou para situações específicas, não para o Bosniak IIF.
A classificação de Bosniak é o sistema mais utilizado para estratificar o risco de malignidade dos cistos renais complexos, baseado em achados de tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) com contraste. Ela divide os cistos em cinco categorias (I, II, IIF, III e IV), de acordo com características como número de septos, espessura da parede, presença e tipo de calcificações e realce pelo contraste. O objetivo é orientar a conduta: lesões benignas (I e II) não precisam de acompanhamento; lesões indeterminadas (IIF) necessitam de seguimento; e lesões com alta probabilidade de malignidade (III e IV) são tratadas cirurgicamente.
O cisto Bosniak IIF é definido como uma lesão bem marginada, porém mais complicada que a categoria II. Apresenta múltiplos septos finos ou espessamento liso mínimo da parede ou dos septos, podendo conter calcificações espessas e nodulares. Também inclui lesões totalmente intrarrenais, com alta atenuação e sem realce, maiores que 3 cm. O risco de malignidade varia de 3% a 10%, o que justifica o acompanhamento radiológico seriado, geralmente com TC ou RM, para avaliar se há crescimento ou mudança nas características da lesão ao longo do tempo. Se houver progressão para características de categoria III ou IV, aí sim a ressecção cirúrgica é indicada.
A conduta para o Bosniak IIF é, portanto, conservadora: orientar o paciente sobre os achados e programar seguimento por imagem. Isso contrasta com as categorias III e IV, em que o risco de malignidade é alto (40-60% e 85-100%, respectivamente) e a conduta é cirúrgica, geralmente nefrectomia parcial ou total, dependendo do tamanho e localização da lesão. A alternativa B (RNM para avaliar invasão de veia cava) é uma conduta que se aplica a massas renais sólidas suspeitas de carcinoma de células renais com possível trombose de veia renal ou veia cava inferior, não a um cisto Bosniak IIF.
A pegadinha desta questão está em associar o Bosniak IIF a uma conduta cirúrgica, quando na verdade a conduta é o seguimento. O candidato que decora apenas que "Bosniak III e IV são cirúrgicos" pode errar ao marcar uma das opções de nefrectomia, esquecendo que o IIF é uma categoria intermediária que exige apenas acompanhamento. A letra "F" é a chave: vem de "follow-up", ou seja, acompanhamento.
Cistos renais Bosniak: I e II (benignos) (Sem seguimento); IIF (indeterminado) (Risco 3–10%, Seguimento por imagem); III (alto risco) (Risco 40–60%, Cirurgia); IV (maligno) (Risco 85–100%, Cirurgia)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta correta para o cisto renal Bosniak IIF. O risco de malignidade é baixo (3-10%), e a lesão é indeterminada, não havendo indicação de tratamento cirúrgico imediato. A conduta é orientar o paciente sobre os achados do exame e realizar seguimento por imagem (TC ou RM) para monitorar possíveis mudanças nas características da lesão. Se houver progressão para categoria III ou IV, a conduta cirúrgica é então indicada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A ressonância magnética para avaliar invasão de veia cava é uma conduta indicada em casos de carcinoma de células renais (CCR) com suspeita de trombose de veia renal ou veia cava inferior, geralmente em massas sólidas ou cistos Bosniak III/IV. No cisto Bosniak IIF, não há indicação de RM para esse fim, pois a lesão é indeterminada, mas com baixo risco de malignidade, e a conduta é o seguimento, não a avaliação de invasão vascular.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A nefrectomia parcial laparoscópica ou robótica é uma opção de tratamento para massas renais sólidas suspeitas de CCR, especialmente em lesões menores que 7 cm e em localização que permite ressecção parcial. No cisto Bosniak IIF, o risco de malignidade é baixo (3-10%), e a conduta é o acompanhamento, não a ressecção cirúrgica imediata. A cirurgia seria indicada apenas se houvesse progressão para categoria III ou IV.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A nefrectomia parcial aberta é outra opção de tratamento cirúrgico para massas renais suspeitas de malignidade, mas não é a conduta para o cisto Bosniak IIF. Assim como na alternativa C, o risco de malignidade do IIF é baixo, e a conduta é o seguimento por imagem, não a cirurgia. A nefrectomia parcial (aberta ou minimamente invasiva) é reservada para lesões com alta probabilidade de malignidade (Bosniak III e IV) ou massas sólidas suspeitas de CCR.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A nefrectomia total é uma cirurgia radical, indicada para massas renais grandes, centrais ou com características agressivas, geralmente em casos de CCR confirmado ou com alta suspeita. No cisto Bosniak IIF, o risco de malignidade é baixo (3-10%), e a conduta é o acompanhamento, não a remoção completa do rim. A nefrectomia total seria uma conduta excessivamente agressiva para uma lesão com baixo potencial maligno.
Gabarito: letra A — a conduta para cistos renais Bosniak IIF é orientar o paciente e realizar seguimento por imagem.