Questão de Medicina — Nefrologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Nefrologia
Código
qq969794
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Transplante de Rim/Urologia
Durante o acompanhamento pós-transplante renal, qual(is) das seguintes complicações vasculares precoces tende(m) a ser silenciosa(s) em sua apresentação clínica e qual(is) apresenta(m) diversas manifestações clínicas, incluindo risco de rotura renal?
ATrombose arterial é silenciosa, enquanto a trombose venosa possui diversas manifestações clínicas.
BTrombose venosa é silenciosa, enquanto a trombose arterial possui diversas manifestações clínicas.
CAmbas, trombose arterial e venosa, são silenciosas em sua apresentação clínica.
DAmbas, trombose arterial e venosa, apresentam diversas manifestações clínicas, incluindo risco de rotura renal.
EAs complicações vasculares mais frequentes são as estenoses anastomóticas precoces, caracterizadas por baixa velocidade de fluxo ao doppler, porém sem muitas manifestações clínicas associadas.
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GabaritoA — Trombose arterial é silenciosa, enquanto a trombose venosa possui diversas manifestações clínicas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Complicações vasculares precoces no transplante renal
Gabarito: letra A. A trombose arterial do enxerto renal costuma ser silenciosa (oligúria/anúria súbita, frequentemente sem dor), enquanto a trombose venosa do enxerto se apresenta com diversas manifestações clínicas — dor, edema, hematúria, disfunção aguda do enxerto e risco de rotura renal —, sendo essa a distinção clínica clássica que a questão explora.
A trombose vascular é uma das complicações mais temidas no pós-transplante renal imediato, pois leva à perda do enxerto na maioria dos casos. A trombose da artéria renal do enxerto, quando ocorre, manifesta-se tipicamente com diminuição abrupta do débito urinário (oligúria/anúria) e elevação rápida da creatinina, mas sem dor local — por isso é considerada silenciosa na apresentação clínica. Já a trombose da veia renal do enxerto costuma cursar com dor no flanco, edema do membro inferior ipsilateral, hematúria, proteinúria e piora da função renal, podendo evoluir com infarto hemorrágico e rotura do enxerto, situação de emergência cirúrgica. Essa diferença de apresentação é fundamental para o diagnóstico precoce e a conduta.
O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia com Doppler colorido, que mostra ausência de fluxo arterial ou venoso no enxerto. A trombose arterial é mais comum nas primeiras 48–72 horas, frequentemente associada a problemas técnicos da anastomose, hipotensão ou hipercoagulabilidade. A trombose venosa, por sua vez, pode estar relacionada a torção do pedículo vascular, hematoma compressivo ou estados de hipercoagulabilidade. Em ambos os casos, a perda do enxerto é a regra, e a nefrectomia pode ser necessária, especialmente na trombose venosa com rotura.
A banca explora exatamente a inversão das apresentações clínicas: o candidato que memoriza que "trombose venosa é silenciosa" (como na TVP de membros inferiores) erra a questão, pois no contexto do enxerto renal a relação se inverte. A trombose arterial é a silenciosa; a venosa é a sintomática e com risco de rotura.
Guarde o par apresentação clínica × tipo de trombose: é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Tipo de Trombose
Apresentação Clínica
Manifestações
Risco de Rotura Renal
Trombose Arterial
Silenciosa
Oligúria/anúria súbita, sem dor local
Não
Trombose Venosa
Sintomática
Dor, edema, hematúria, disfunção aguda do enxerto
Sim
Trombose no enxerto renal
1Trombose arterial
Silenciosa (oligúria/anúria)
Sem dor local
2Trombose venosa
Dor, edema, hematúria
Risco de rotura renal
Disfunção aguda do enxerto
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma exatamente a relação clássica: trombose arterial silenciosa (oligúria/anúria sem dor) e trombose venosa com diversas manifestações clínicas (dor, edema, hematúria, disfunção do enxerto) e risco de rotura renal. É o que a literatura descreve como apresentação típica dessas complicações no pós-transplante imediato.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Inverte a relação: diz que a trombose venosa é silenciosa e a arterial tem diversas manifestações. Na prática, é o oposto — a trombose arterial é a silenciosa (oligúria/anúria sem dor), e a venosa é a que se apresenta com dor, edema e risco de rotura. A banca troca os papéis para confundir.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que ambas são silenciosas. A trombose arterial é silenciosa, mas a venosa não — ela se manifesta com dor, edema, hematúria e pode levar à rotura renal. A generalização "ambas" está errada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que ambas apresentam diversas manifestações clínicas. A trombose venosa tem manifestações exuberantes, mas a arterial é tipicamente silenciosa (apenas oligúria/anúria). A generalização "ambas" está errada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Trata de estenose anastomótica, que é uma complicação tardia (semanas a meses), não precoce, e se manifesta com hipertensão arterial refratária e piora progressiva da função renal — não é silenciosa nem é a complicação vascular precoce mais frequente. As complicações vasculares precoces mais comuns são justamente as tromboses arterial e venosa. Além disso, a estenose anastomótica ao Doppler mostra alta velocidade de fluxo (turbulência), não baixa — o que torna a alternativa duplamente incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte a apresentação clínica das tromboses no enxerto renal. O candidato que generaliza o conhecimento de TVP de membros inferiores (onde a trombose venosa é frequentemente silenciosa) cai na alternativa B. Aqui, no enxerto renal, é o contrário: a arterial é silenciosa e a venosa é sintomática, com risco de rotura. Memorize essa inversão — ela é clássica em provas de nefrologia e transplante.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, associe: "Artéria = Anúria (silenciosa)" e "Veia = Vai doer (sintomática, risco de rotura)". Na dúvida entre as duas, lembre que a trombose venosa do enxerto é uma emergência com dor e edema, enquanto a arterial se apresenta apenas com queda do débito urinário.