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Questão de Medicina — Urologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaUrologia
Código
qq969797
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Transplante de Rim/Urologia
Mulher trans de 53 anos procura atendimento urológico para orientação a respeito da necessidade de rastreamento de câncer de próstata. Foi submetida à cirurgia de adequação de gênero há 10 anos pela técnica da inversão peniana, sem intercorrências, tendo evoluído sem complicações. Relata vida sexual ativa com intercurso penetrativo na neovagina. Relata também histórico familiar de câncer de próstata (pai). Como o urologista deve orientar essa paciente?
  1. ATranquilizar a paciente, pois durante a cirurgia de adequação de gênero a próstata é retirada profilaticamente e não há necessidade de realizar rastreamento.
  2. BO rastreamento deve ser realizado, com atenção aos níveis de PSA, já que, para mulheres trans, os valores de referência precisam ser ajustados.
  3. CO rastreamento nesses casos deve ser realizado com o US transretal para melhor visualização prostática.
  4. DInformar à paciente que ela não precisa de rastreamento no momento, já que faz uso de hormônios femininos e não tem mais testículos após a cirurgia.
  5. EComo se trata de mulher trans em uso de hormônios femininos, a idade para início de rastreamento é 55 anos.
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GabaritoB — O rastreamento deve ser realizado, com atenção aos níveis de PSA, já que, para mulheres trans, os valores de referência precisam ser ajustados.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rastreamento de câncer de próstata em mulheres trans

Gabarito: letra B. Mulheres trans submetidas à cirurgia de adequação de gênero pela técnica da inversão peniana mantêm a próstata, pois a prostatectomia não faz parte do procedimento padrão. Portanto, o rastreamento de câncer de próstata deve ser realizado, com atenção especial aos níveis de PSA, cujos valores de referência precisam ser ajustados para essa população, considerando o uso de terapia hormonal feminina.

O rastreamento do câncer de próstata é um tema complexo, que envolve a análise de benefícios e riscos. A decisão de rastrear deve ser compartilhada entre o médico e o paciente, levando em conta a idade, a expectativa de vida, o histórico familiar e as comorbidades. Para a população trans, essa decisão ganha contornos específicos, pois a terapia hormonal e a cirurgia de redesignação sexual alteram a fisiologia e a anatomia, influenciando diretamente a interpretação dos exames.

A cirurgia de adequação de gênero, na técnica da inversão peniana, consiste na utilização da pele do pênis para a construção da neovagina. A próstata, localizada abaixo da bexiga e anterior ao reto, não é removida nesse procedimento. Ela permanece no corpo da paciente, podendo desenvolver doenças, incluindo o câncer. A uretra, que atravessa a próstata, também é preservada e reposicionada, o que mantém a glândula em sua localização original.

O antígeno prostático específico (PSA) é uma glicoproteína produzida pelas células epiteliais da próstata. Em mulheres trans em uso de estrogênio, os níveis de PSA tendem a ser mais baixos do que em homens cisgênero, devido à supressão androgênica. No entanto, a próstata continua a produzir PSA, e a interpretação dos resultados deve considerar essa particularidade. Não há um consenso absoluto sobre os valores de referência, mas a literatura sugere que níveis que seriam considerados normais em homens podem ser significativos em mulheres trans, exigindo uma avaliação individualizada.

A história familiar de câncer de próstata em parente de primeiro grau (pai) é um fator de risco importante, aumentando a chance de desenvolvimento da doença. Esse dado, somado à presença da próstata, reforça a necessidade de rastreamento. A idade de 53 anos está dentro da faixa etária em que o rastreamento é discutido (geralmente a partir dos 50 anos, ou 40-45 anos em grupos de risco). A vida sexual ativa com intercurso penetrante na neovagina não contraindica o rastreamento, mas o toque retal pode ser mais desafiador devido à anatomia neovaginal, sendo o PSA um marcador ainda mais importante nesse contexto.

A orientação correta, portanto, é realizar o rastreamento, com atenção aos níveis de PSA e seus valores de referência ajustados para mulheres trans. Essa é a conduta que respeita a individualidade da paciente, considera seus riscos e oferece a melhor oportunidade de detecção precoce de uma doença potencialmente grave.

1Próstata é preservada na cirurgia
Inversão peniana não inclui prostatectomia
Pode desenvolver câncer
2PSA
Valores de referência ajustados
Estrogênio reduz níveis basais
3Fatores de risco
Histórico familiar (pai)
Idade (53 anos)
4Rastreamento indicado
PSA + toque retal
US transretal só na investigação
Rastreamento de CA de próstata em mulher trans
LEVELsoulevel.com.br
Rastreamento de CA de próstata em mulher trans: Próstata é preservada na cirurgia (Inversão peniana não inclui prostatectomia, Pode desenvolver câncer); PSA (Valores de referência ajustados, Estrogênio reduz níveis basais); Fatores de risco (Histórico familiar (pai), Idade (53 anos)); Rastreamento indicado (PSA + toque retal, US transretal só na investigação)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a próstata é retirada profilaticamente durante a cirurgia de adequação de gênero. Isso é falso: a prostatectomia não faz parte do procedimento padrão de inversão peniana. A próstata é preservada, e a paciente continua sob risco de desenvolver câncer prostático.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Reconhece que o rastreamento deve ser realizado e que os valores de referência do PSA precisam ser ajustados para mulheres trans. Essa é a conduta correta, pois a próstata está presente e a terapia hormonal pode influenciar os níveis de PSA, exigindo uma interpretação individualizada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Sugere que o rastreamento deve ser feito com ultrassom transretal para melhor visualização prostática. Embora o US transretal seja um método de imagem útil na avaliação da próstata, ele não é o exame de rastreamento de primeira linha. O rastreamento é baseado no PSA, com o toque retal como complemento. O US transretal é utilizado na investigação diagnóstica, quando há suspeita de câncer, e não como rastreamento populacional.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Informa que a paciente não precisa de rastreamento porque faz uso de hormônios femininos e não tem mais testículos. O uso de estrogênio não elimina o risco de câncer de próstata, e a ausência dos testículos (orquiectomia, que pode ser parte da cirurgia) não é um fator protetor absoluto. A próstata permanece e pode desenvolver neoplasia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a idade para início do rastreamento em mulheres trans é 55 anos. Não há uma recomendação específica que estabeleça 55 anos como idade de início para essa população. As diretrizes gerais sugerem iniciar o rastreamento aos 50 anos (ou 40-45 anos em grupos de risco, como histórico familiar), e essa lógica deve ser aplicada também às mulheres trans, considerando a presença da próstata e os fatores de risco individuais.

Gabarito: letra B

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