Questão de Medicina — Urologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Urologia
Código
qq969806
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Transplante de Rim/Urologia
Paciente com TRM a nível de C2 há cerca de 1 ano, tetraplégico, com dificuldade de esvaziamento vesical, usando sonda vesical de demora que causou laceração uretral, está apresentando episódios de infecção urinária de repetição. Não há disponibilidade de pessoa para realização de cateterismo intermitente limpo. A melhor opção de tratamento nesse caso é
Aderivação de Malone.
Bconduto de Mitrofanoff.
Cconduto de Monti.
Dileovesicostomia cutânea.
Euretrostomia perineal.
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GabaritoD — ileovesicostomia cutânea.
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Derivações urinárias continentes e incontinentes em pacientes com bexiga neurogênica
Gabarito: letra D. Em paciente tetraplégico com bexiga neurogênica, ITU de repetição e laceração uretral por sonda de demora, sem possibilidade de cateterismo intermitente limpo, a melhor opção é a ileovesicostomia cutânea (derivação urinária incontinente), pois permite o esvaziamento vesical contínuo sem necessidade de cateterismo, evitando as complicações da sonda de demora e as infecções recorrentes. As demais alternativas (Malone, Mitrofanoff, Monti) são derivações continentes que exigem cateterismo intermitente para esvaziamento, o que não é viável neste caso.
A bexiga neurogênica é uma disfunção vesical decorrente de lesão neurológica, como o traumatismo raquimedular (TRM), que compromete o armazenamento e o esvaziamento da urina. No paciente tetraplégico, a perda da função manual impede a realização do cateterismo intermitente limpo, que seria o método de escolha para o esvaziamento vesical. A sonda vesical de demora (SVD), embora seja uma alternativa, está associada a complicações como infecções urinárias de repetição, formação de biofilme bacteriano, e lesões uretrais, como a laceração descrita no caso. A retirada da SVD e a escolha de uma derivação urinária adequada são fundamentais para o manejo desses pacientes.
As derivações urinárias podem ser classificadas em continentes e incontinentes. As derivações continentes (como o conduto de Mitrofanoff, o conduto de Monti e a derivação de Malone) utilizam um mecanismo valvular ou apendicular para manter a continência, mas exigem cateterismo intermitente para esvaziamento. Já as derivações incontinentes (como a ileovesicostomia cutânea e a uretrostomia perineal) criam uma abertura na pele por onde a urina drena continuamente, sem necessidade de cateterismo. A escolha entre elas depende da capacidade do paciente e de seus cuidadores de realizar o manejo.
No caso apresentado, a impossibilidade de cateterismo intermitente limpo é o fator decisivo. A ileovesicostomia cutânea, também conhecida como "vesicostomia continente" ou "derivação urinária incontinente", consiste na confecção de um estoma na pele a partir da bexiga, utilizando um segmento de íleo como conduto. Essa técnica permite o esvaziamento vesical contínuo, sem necessidade de cateterismo, e é uma opção eficaz para pacientes com bexiga neurogênica que não podem realizar o cateterismo intermitente. A uretrostomia perineal, por sua vez, é uma opção menos comum e geralmente reservada para casos específicos, como estenoses uretrais extensas, e pode não ser a melhor escolha em um paciente tetraplégico.
A derivação de Malone (apendicostomia) e os condutos de Mitrofanoff e Monti são derivações continentes que, embora sejam opções válidas em outros contextos, não se aplicam a este paciente, pois exigem cateterismo intermitente para o esvaziamento. A banca explora exatamente essa distinção: a incapacidade de realizar o cateterismo intermitente torna a derivação incontinente a melhor opção.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao apresentar derivações continentes (Malone, Mitrofanoff, Monti) como opções viáveis. O erro está em não perceber que todas elas exigem cateterismo intermitente para esvaziamento, o que é impossível para um tetraplégico sem cuidador. A palavra-chave é "incontinente": a ileovesicostomia cutânea é a única que permite drenagem contínua, sem necessidade de cateterismo.
Derivação
Tipo
Mecanismo de esvaziamento
Indicada para o caso?
Derivação de Malone (apendicostomia)
Continente
Cateterismo intermitente
❌ Não (exige cateterismo)
Conduto de Mitrofanoff
Continente
Cateterismo intermitente
❌ Não (exige cateterismo)
Conduto de Monti
Continente
Cateterismo intermitente
❌ Não (exige cateterismo)
Ileovesicostomia cutânea
Incontinente
Drenagem contínua (sem cateterismo)
✅ Sim (gabarito)
Uretrostomia perineal
Incontinente
Drenagem contínua (sem cateterismo)
❌ Não (menos padronizada; não é a melhor opção)
Derivações urinárias
1Continentes (exigem cateterismo)
Malone (apendicostomia)
Mitrofanoff
Monti
2Incontinentes (drenagem contínua)
Ileovesicostomia cutânea
Uretrostomia perineal
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A derivação de Malone (apendicostomia) é uma derivação continente que utiliza o apêndice cecal como canal para cateterização. Ela exige cateterismo intermitente para esvaziamento, o que não é viável para este paciente tetraplégico sem cuidador. Além disso, é mais utilizada para o manejo da incontinência fecal, não sendo a primeira escolha para o esvaziamento vesical.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O conduto de Mitrofanoff é uma derivação continente que utiliza o apêndice ou um segmento de intestino para criar um canal entre a bexiga e a pele, permitindo o cateterismo intermitente. Embora seja uma opção válida para pacientes com bexiga neurogênica, ela depende do cateterismo intermitente para esvaziamento, o que não é possível neste caso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O conduto de Monti é uma variação do Mitrofanoff, utilizando um segmento de intestino delgado (íleo) para criar um canal continente. Assim como o Mitrofanoff, exige cateterismo intermitente para esvaziamento, sendo inviável para este paciente.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ileovesicostomia cutânea é uma derivação urinária incontinente que cria um estoma na pele a partir da bexiga, utilizando um segmento de íleo. Ela permite o esvaziamento vesical contínuo, sem necessidade de cateterismo, sendo a melhor opção para pacientes com bexiga neurogênica que não podem realizar cateterismo intermitente limpo. No caso, a impossibilidade de cateterismo e a presença de ITU de repetição e laceração uretral por SVD tornam essa a alternativa mais adequada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A uretrostomia perineal é uma derivação incontinente que cria uma abertura na uretra perineal, permitindo a drenagem contínua da urina. Embora seja uma opção incontinente, é menos utilizada e geralmente reservada para casos de estenose uretral extensa ou lesões uretrais graves. Em um paciente tetraplégico, a ileovesicostomia cutânea é preferível por ser um procedimento mais padronizado e com melhores resultados a longo prazo.