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Questão de Medicina — Urologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaUrologia
Código
qq969821
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Transplante de Rim/Urologia
Paciente do sexo feminino de 24 anos, vítima de acidente automobilístico, chega ao pronto-socorro com Glasgow 15, estável hemodinamicamente, sem fratura pélvica associada. Apresentou hematúria macroscópica durante micção espontânea e o exame de imagem mostrou ruptura extraperitoneal da bexiga, não há comprometimento do trígono vesical ou uretra. Qual é a conduta mais adequada nesse caso?
  1. ATratamento cirúrgico laparoscópico para rafia da lesão.
  2. BLaparotomia por se tratar de trauma.
  3. CSondagem vesical de demora.
  4. DApenas observação clínica, sem necessidade de antibioticoterapia.
  5. EObservação e antibioticoterapia.
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GabaritoC — Sondagem vesical de demora.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trauma vesical: conduta na ruptura extraperitoneal

Gabarito: letra C. Em paciente hemodinamicamente estável, com ruptura extraperitoneal da bexiga sem comprometimento do trígono ou da uretra, a conduta de escolha é o tratamento conservador com sondagem vesical de demora, que permite o esvaziamento contínuo da bexiga e a cicatrização espontânea da lesão — conduta alinhada às diretrizes de urotrauma (AUA) e à prática do ATLS.

O trauma vesical é uma lesão do trato urinário que pode ocorrer por mecanismo contuso ou penetrante, sendo classificado em intraperitoneal e extraperitoneal. A distinção é crucial porque define a conduta: enquanto a ruptura intraperitoneal (geralmente na cúpula, quando a bexiga está cheia) quase sempre exige correção cirúrgica, a ruptura extraperitoneal (mais comum, associada a fraturas pélvicas) costuma ser manejada de forma conservadora. O raciocínio por trás dessa diferença é anatômico e funcional: na lesão extraperitoneal, o extravasamento de urina fica contido no espaço pré-vesical e perivesical, sem contato com a cavidade peritoneal, o que permite que a sonda vesical descomprima a bexiga e a lesão cicatrize por segunda intenção. Já na lesão intraperitoneal, a urina extravasa para dentro da cavidade abdominal, causando peritonite química e risco de sepse, o que torna a rafia cirúrgica imperativa.

No caso apresentado, todos os critérios favorecem o tratamento não operatório: paciente estável, sem fratura pélvica, sem comprometimento do trígono vesical (área crítica próxima aos óstios ureterais e ao colo vesical) e sem lesão uretral associada. A sondagem vesical de demora, nesse contexto, não é apenas uma medida de suporte — é o tratamento definitivo, pois mantém a bexiga vazia e em repouso, permitindo que a laceração mural cicatrize espontaneamente. Estudos e diretrizes de urotrauma mostram que a grande maioria das rupturas extraperitoneais tratadas conservadoramente cicatriza em 2 a 3 semanas, com baixas taxas de complicação.

A alternativa E (observação e antibioticoterapia) pode parecer atraente, mas é incompleta: a observação isolada, sem a sondagem vesical, não garante o esvaziamento contínuo da bexiga, o que prolonga o extravasamento e retarda a cicatrização. A antibioticoterapia profilática, embora frequentemente utilizada em pacientes sondados, não substitui a descompressão vesical — ela é adjuvante, não o tratamento principal. A alternativa D (apenas observação clínica, sem antibiótico) é ainda mais insuficiente, pois ignora tanto a necessidade de drenagem quanto o risco infeccioso associado à sonda e ao hematoma pélvico.

A pegadinha central desta questão está em distinguir o que é tratamento definitivo do que é medida adjuvante. A sonda vesical de demora é o pilar do tratamento conservador; a antibioticoterapia é um complemento. E a cirurgia (alternativas A e B) fica reservada para os casos de ruptura intraperitoneal, lesão de trígono/colo vesical, lesões associadas que exijam laparotomia ou falha do tratamento conservador. Guarde essa hierarquia: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

1Tratamento conservador
Sondagem vesical de demora (definitivo)
Antibioticoterapia (adjuvante)
2Critérios para conservador
Estável hemodinamicamente
Sem comprometimento do trígono
Sem lesão uretral
3Cirurgia (reservada)
Ruptura intraperitoneal
Lesão de trígono/colo vesical
Falha do conservador
Ruptura extraperitoneal da bexiga
LEVELsoulevel.com.br
Ruptura extraperitoneal da bexiga: Tratamento conservador (Sondagem vesical de demora (definitivo), Antibioticoterapia (adjuvante)); Critérios para conservador (Estável hemodinamicamente, Sem comprometimento do trígono, Sem lesão uretral); Cirurgia (reservada) (Ruptura intraperitoneal, Lesão de trígono/colo vesical, Falha do conservador)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O tratamento cirúrgico laparoscópico para rafia da lesão é desnecessário neste caso. A ruptura extraperitoneal, em paciente estável e sem comprometimento do trígono, tem indicação formal de tratamento conservador. A cirurgia (seja laparoscópica ou aberta) é reservada para rupturas intraperitoneais, lesões que envolvam o trígono ou o colo vesical, ou quando há falha do tratamento conservador. A banca explora aqui a confusão entre os dois tipos de ruptura: o candidato que não domina a classificação pode achar que toda lesão vesical exige rafia, o que é incorreto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A laparotomia "por se tratar de trauma" é uma generalização perigosa e contraria o princípio do tratamento não operatório em trauma contuso de pacientes estáveis. A indicação de laparotomia no trauma vesical extraperitoneal isolado não existe — a cirurgia só entra quando há lesões intra-abdominais associadas que a justifiquem, instabilidade hemodinâmica ou ruptura intraperitoneal. A simples presença de trauma não é indicação cirúrgica; o que define é o tipo de lesão e a estabilidade do paciente.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sondagem vesical de demora é a conduta de escolha para a ruptura extraperitoneal da bexiga em paciente estável. Ela promove a descompressão contínua da bexiga, permitindo que a lesão cicatrize espontaneamente. Este é o tratamento conservador padrão, respaldado pelas diretrizes de urotrauma (AUA) e pela prática do ATLS. A sonda deve ser mantida por cerca de 2 a 3 semanas, com controle radiológico (cistografia) antes da retirada para confirmar a cicatrização.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Apenas observação clínica, sem antibioticoterapia, é insuficiente por dois motivos: (1) sem a sonda vesical, a bexiga não é descomprimida, o que mantém o extravasamento e retarda a cicatrização; (2) a antibioticoterapia profilática é recomendada em pacientes com sonda vesical de demora e hematoma pélvico, para reduzir o risco de infecção. A observação isolada não é o tratamento da ruptura vesical — é apenas parte do acompanhamento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A observação e antibioticoterapia, sem a sondagem vesical, é uma conduta incompleta. A antibioticoterapia é adjuvante, mas o pilar do tratamento conservador é a descompressão vesical contínua. Sem a sonda, a bexiga permanece repleta, o extravasamento persiste e a cicatrização é comprometida. A alternativa mistura uma medida de suporte (antibiótico) com o tratamento principal (sondagem), mas omite justamente o elemento decisivo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre tratamento definitivo e medida adjuvante. A sonda vesical de demora é o tratamento da ruptura extraperitoneal; a antibioticoterapia é apenas um complemento. O candidato que marca a letra E acha que "observar e dar antibiótico" é suficiente, mas esquece que sem a sonda a bexiga não é descomprimida — e é exatamente a descompressão que permite a cicatrização. Fique atento: quando a questão descreve uma ruptura extraperitoneal estável, a resposta quase sempre envolve a sonda vesical, não a cirurgia.

Gabarito: letra C

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