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Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaOncologia
Código
qq969833
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Transplante de Rim/Urologia
O paciente com histórico de neoplasia deve ser avaliado de maneira adequada antes que seja considerado um candidato ao transplante renal. Do ponto de vista oncológico, pacientes com câncer invasivo apresentam maior risco de recorrência e recomenda-se um período pré-estabelecido sem evidência de doença antes de se iniciar imunossupressão. Em relação ao tema, assinale a alternativa correta.
  1. APacientes com câncer de próstata de risco intermediário podem ser transplantados após seis meses de seguimento pós-operatório sem recorrência bioquímica.
  2. BPacientes com carcinoma urolotelial T2 de bexiga devem ser transplantados logo após a cirurgia.
  3. CDe maneira geral, indivíduos com câncer de próstata de baixo risco ou carcinoma de células renais T1 localizado podem ser transplantados sem atrasos após procedimento curativo.
  4. DPacientes com lesão de pele não-melanocítica têm contraindicação ao transplante renal.
  5. ELesões do tipo melanoma não carecem atrasos para realização de transplante, podendo ser realizado logo após o tratamento.
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GabaritoC — De maneira geral, indivíduos com câncer de próstata de baixo risco ou carcinoma de células renais T1 localizado podem ser transplantados sem atrasos após procedimento curativo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Avaliação oncológica pré-transplante renal

Gabarito: letra C. Pacientes com câncer de próstata de baixo risco ou carcinoma de células renais (CCR) T1 localizado podem ser transplantados sem atrasos após procedimento curativo, pois apresentam baixo risco de recorrência. As demais alternativas erram ao sugerir prazos inadequados, contraindicações absolutas ou ausência de espera para neoplasias de maior risco.

O transplante renal exige imunossupressão crônica, que aumenta o risco de recorrência de neoplasias pré-existentes e de desenvolvimento de novos cânceres. Por isso, a avaliação oncológica pré-transplante é essencial para equilibrar o risco de recorrência tumoral com o benefício do transplante. A diretriz atual, baseada em revisões sistemáticas, orienta que o tempo de espera depende do tipo e estágio do tumor, sendo que neoplasias de baixo risco podem ser transplantadas imediatamente após tratamento curativo, enquanto tumores de maior risco exigem períodos de observação sem evidência de doença.

O carcinoma de células renais (CCR) é um caso particular: tumores pequenos ou incidentais, geralmente T1, têm baixíssimo risco de recorrência após nefrectomia curativa, podendo o transplante ser realizado sem atraso. Da mesma forma, o câncer de próstata de baixo risco (Gleason ≤ 6, PSA baixo, estágio clínico limitado) tratado com intenção curativa (prostatectomia ou radioterapia) apresenta risco mínimo de recorrência, permitindo o transplante imediato. Já tumores de risco intermediário ou alto, como próstata com Gleason 7 ou mais, ou CCR sintomático e invasivo, necessitam de período de observação (geralmente 2 a 5 anos) sem evidência de doença.

A lógica por trás dessa conduta é a seguinte: a imunossupressão inibe a vigilância imunológica contra células tumorais residuais, acelerando a recorrência. Portanto, quanto maior o risco de micrometástases, maior deve ser o período de espera. Para tumores de baixo risco, o risco de recorrência é tão baixo que o atraso não traz benefício, e o paciente pode se beneficiar do transplante imediatamente.

A pegadinha da questão está em generalizar: algumas alternativas aplicam a regra de espera para tumores de baixo risco (errado), enquanto outras liberam o transplante imediato para tumores de alto risco (também errado). A alternativa C acerta ao identificar corretamente quais neoplasias podem ser transplantadas sem atraso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte a lógica do risco: em tumores de baixo risco (próstata de baixo risco, CCR T1), o transplante é imediato; em tumores de alto risco (urotelial T2, melanoma), exige-se espera. As alternativas A, B, D e E trocam esses tempos — o candidato que decora "esperar sempre" erra a C, e o que libera tudo erra a B e a E.

Critério

Câncer de próstata de baixo risco / CCR T1 localizado

Câncer de próstata de risco intermediário

Carcinoma urotelial T2

Lesão de pele não-melanocítica

Melanoma

Conduta quanto ao transplante

Transplante imediato, sem atraso

Período de observação de 2 a 5 anos

Período de observação de 2 a 5 anos

Não contraindica; tratar e acompanhar

Período de observação de 2 a 5 anos ou mais

Risco de recorrência

Mínimo

Significativo

Alto

Baixo (mas risco de novos tumores)

Alto

Exemplo/contexto

Após tratamento curativo (Gleason ≤ 6; CCR T1 incidental)

Gleason 7 ou mais

Tumor invasivo (atinge muscular própria)

Basocelular/espinocelular

Invasivo (Breslow > 1 mm, ulceração, linfonodo +)

Risco de recorrência tumoral
  • 1Baixo risco
    • Próstata de baixo risco (Gleason ≤ 6)
    • CCR T1 localizado
    • Pele não-melanocítica
    • Transplante sem atraso
  • 2Alto risco
    • Próstata de risco intermediário
    • Urotelial T2 invasivo
    • Melanoma
    • Espera de 2 a 5 anos
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao exigir seis meses de seguimento para câncer de próstata de risco intermediário. Para tumores de risco intermediário, as diretrizes recomendam período de observação mais longo (geralmente 2 a 5 anos), não apenas 6 meses. O risco de recorrência bioquímica nesse grupo é significativo, e 6 meses é tempo insuficiente para afastar doença residual.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra ao liberar transplante logo após a cirurgia para carcinoma urotelial T2 de bexiga. Tumor T2 é invasivo (atinge a muscular própria), com alto risco de recorrência e metástase. A conduta correta é aguardar período de observação de 2 a 5 anos sem evidência de doença antes do transplante. Transplante imediato seria catastrófico pela imunossupressão.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta ao afirmar que câncer de próstata de baixo risco e CCR T1 localizado podem ser transplantados sem atrasos após procedimento curativo. Esses tumores têm risco mínimo de recorrência, e as diretrizes atuais recomendam transplante imediato, pois o benefício supera o risco. O CCR pequeno/incidental e o câncer de próstata de baixo risco (Gleason ≤ 6) são exemplos clássicos dessa conduta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra ao afirmar que lesão de pele não-melanocítica (carcinoma basocelular e espinocelular) é contraindicação ao transplante. Na verdade, esses tumores são os mais comuns em transplantados e não contraindicam o transplante; exigem apenas tratamento adequado e acompanhamento. A imunossupressão aumenta o risco de novos tumores de pele, mas não impede o transplante.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao afirmar que melanoma não carece de atrasos. O melanoma é neoplasia de alto risco de recorrência, especialmente se invasivo (espessura de Breslow > 1 mm, ulceração, linfonodo positivo). A conduta correta é aguardar período de observação de 2 a 5 anos (ou mais, conforme o estágio) sem evidência de doença antes do transplante. Transplante imediato após tratamento de melanoma é contraindicado.

Gabarito: letra C

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