Questão de Medicina — Urologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Urologia
Código
qq969839
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Transplante de Rim/Urologia
O reimplante ureteral realizado durante o transplante renal é de grande importância, por isso, saber as técnicas descritas, bem como suas possíveis complicações, aumenta a taxa de sucesso do procedimento. Assinale a alternativa correta sobre esse tema.
AA preferência é pela técnica de Lich-Gregoir por ser extravesical, com menor taxa de complicações e facilidade de execução.
BA preferência é pela técnica de Leadbetter-Politano por ser extravesical, com menor taxa de complicações e facilidade de execução.
CIndependentemente da técnica escolhida para realizar o reimplante ureteral, deve-se usar catéter duplo J para menores complicações.
DA técnica preferencial para comunicação da via urinária do enxerto com o receptor é a ureteroanastomose.
EA fim de se previnir a fístula urinária, deve-se dar preferência para o uso de fios inabsorvíveis no reimplante ureteral.
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GabaritoA — A preferência é pela técnica de Lich-Gregoir por ser extravesical, com menor taxa de complicações e facilidade de execução.
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Reimplante ureteral no transplante renal: técnicas e complicações
Gabarito: letra A. A técnica de Lich-Gregoir é a preferida no reimplante ureteral durante o transplante renal por ser extravesical, apresentar menor taxa de complicações (especialmente fístula e refluxo) e ser de fácil execução — exatamente o que a alternativa A descreve. As demais alternativas trocam a técnica, o acesso ou o material, como veremos.
O reimplante ureteral é o momento em que o ureter do rim transplantado é anastomosado à bexiga do receptor, restabelecendo a via urinária. A escolha da técnica influencia diretamente a ocorrência de complicações urológicas precoces e tardias, como fístula urinária, estenose e refluxo vesicoureteral. Por isso, o cirurgião deve dominar as opções e suas indicações.
A técnica de Lich-Gregoir é a mais utilizada na prática atual. Ela é extravesical: o ureter é anastomosado à bexiga por fora dela, criando um túnel submucoso que funciona como mecanismo antirrefluxo. Suas vantagens são a menor dissecção vesical, menor tempo cirúrgico, menor sangramento e menor taxa de complicações, como fístula urinária e estenose. Já a técnica de Leadbetter-Politano é intravesical: exige abertura da bexiga (cistotomia), o que aumenta a morbidade, o tempo cirúrgico e o risco de complicações. Por isso, a Leadbetter-Politano é reservada para casos específicos, como bexiga de pequena capacidade ou necessidade de correção de refluxo.
O uso de cateter duplo J (stent ureteral) é uma prática comum e recomendada na maioria dos transplantes, pois reduz a incidência de fístula e estenose. No entanto, a alternativa C afirma que ele deve ser usado "independentemente da técnica escolhida", o que é uma generalização incorreta: a decisão de stentear é individualizada, considerando fatores como qualidade do ureter, tempo de isquemia e risco de complicações. Não é uma regra absoluta.
A alternativa D menciona a "ureteroanastomose" como técnica preferencial, mas esse termo é genérico e não designa uma técnica específica de reimplante. As técnicas consagradas são Lich-Gregoir e Leadbetter-Politano, e a comunicação da via urinária do enxerto com o receptor é feita por uma dessas técnicas, não por uma "ureteroanastomose" isolada.
Por fim, a alternativa E sugere o uso de fios inabsorvíveis para prevenir fístula urinária. Isso está errado: fios inabsorvíveis podem servir de nidus para formação de cálculo e aumentar o risco de complicações. A prática recomendada é o uso de fios absorvíveis (como poliglactina ou polidioxanona), que mantêm a sutura durante a cicatrização e são absorvidos posteriormente, reduzindo o risco de fístula e cálculo.
A pegadinha central desta questão é a inversão das técnicas: a banca troca a Lich-Gregoir (extravesical, preferida) pela Leadbetter-Politano (intravesical, menos preferida) na alternativa B. O candidato que memoriza os nomes sem entender a diferença de acesso cai facilmente. Guarde: Lich-Gregoir = extravesical = preferida; Leadbetter-Politano = intravesical = alternativa.
Reimplante ureteral no transplante: Técnica preferida: Lich-Gregoir (Extravesical, Menor taxa de complicações, Fácil execução); Técnica alternativa: Leadbetter-Politano (Intravesical (cistotomia), Casos específicos); Stent ureteral (duplo J) (Uso individualizado, Reduz fístula e estenose); Fios de sutura (Absorvíveis (recomendado), Inabsorvíveis (risco de cálculo))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão a técnica de Lich-Gregoir: extravesical, com menor taxa de complicações e facilidade de execução. É a técnica preferida no reimplante ureteral durante o transplante renal, pois evita a abertura da bexiga, reduzindo morbidade e complicações como fístula e estenose. O túnel submucoso criado confere mecanismo antirrefluxo eficaz.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa troca a técnica: a Leadbetter-Politano é intravesical, não extravesical. Ela exige cistotomia (abertura da bexiga), o que aumenta o tempo cirúrgico, o sangramento e o risco de complicações. Por isso, não é a preferida. A banca inverteu a característica da técnica para confundir o candidato.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmação de que o cateter duplo J deve ser usado "independentemente da técnica" é uma generalização indevida. Embora o stent seja amplamente utilizado e benéfico na maioria dos casos, sua indicação é individualizada, considerando fatores como qualidade do ureter, risco de fístula e preferência do cirurgião. Não é uma regra absoluta aplicável a todos os casos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A "ureteroanastomose" é um termo genérico que designa a anastomose do ureter, mas não é uma técnica específica de reimplante. As técnicas consagradas são Lich-Gregoir e Leadbetter-Politano. A comunicação da via urinária do enxerto com o receptor é feita por uma dessas técnicas, não por uma "ureteroanastomose" isolada. A alternativa é vaga e imprecisa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa sugere o uso de fios inabsorvíveis para prevenir fístula urinária, o que é incorreto. Fios inabsorvíveis podem servir de nidus para formação de cálculo e aumentar o risco de complicações. A prática recomendada é o uso de fios absorvíveis (como poliglactina ou polidioxanona), que mantêm a sutura durante a cicatrização e são absorvidos posteriormente, reduzindo o risco de fístula e cálculo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte as técnicas: a Lich-Gregoir (extravesical, preferida) é trocada pela Leadbetter-Politano (intravesical, menos preferida) na alternativa B. O candidato que decora os nomes sem entender a diferença de acesso cai na armadilha. Lembre-se: Lich-Gregoir = extravesical = preferida; Leadbetter-Politano = intravesical = alternativa.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, compare as duas técnicas principais:
Critério
Lich-Gregoir
Leadbetter-Politano
Acesso
Extravesical
Intravesical
Abertura da bexiga
Não
Sim (cistotomia)
Tempo cirúrgico
Menor
Maior
Complicações
Menores
Maiores
Preferência
Sim
Casos específicos
Na prova, ao ver "extravesical" e "menor complicação", associe imediatamente a Lich-Gregoir.