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Questão de Medicina — Urologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaUrologia
Código
qq969860
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Ano Adicional: Transplante de Rim/Urologia
Paciente do sexo masculino, 18 anos, refere aumento do volume testicular há cerca de dois meses, mas nega dor importante. Sobre a investigação, estadiamento e tratamento inicial desse quadro, é correto afirmar que
  1. Acaso os marcadores séricos estejam normais, pode-se descartar a possibilidade de câncer de testículo.
  2. Bfrente à suspeita de neoplasia testicular, uma ultrassonografia deve ser realizada.
  3. Cpelo fato de a ressonância magnética ser mais sensível, deve ser empregada rotineiramente frente à suspeita de câncer de testículo.
  4. Dnão deve ser realizada a colocação de prótese testicular no momento da orquiectomia, por elevado risco de extrusão.
  5. Eantes da realização da orquiectomia, deve-se realizar uma biópsia contralateral.
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GabaritoB — frente à suspeita de neoplasia testicular, uma ultrassonografia deve ser realizada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de testículo: investigação, estadiamento e tratamento inicial

Gabarito: letra B. Frente à suspeita de neoplasia testicular, a ultrassonografia (US) transescrotal é o exame de imagem inicial obrigatório, sendo o método de escolha para caracterizar a lesão e guiar a conduta — conforme a conduta urológica padrão. As demais alternativas trazem erros conceituais importantes: marcadores normais não excluem câncer, a ressonância não é rotina, a prótese pode ser colocada na orquiectomia e a biópsia contralateral não é realizada antes da orquiectomia.

O câncer de testículo é a neoplasia maligna sólida mais comum em homens jovens (15 a 35 anos), e sua apresentação típica é justamente a do paciente do enunciado: aumento do volume testicular, massa endurecida e indolor, evoluindo ao longo de semanas a meses. O diagnóstico diferencial inclui hidrocele, varicocele, cisto de epidídimo, hérnia inguinal, torção e orquiepididimite — mas a presença de massa sólida intratesticular à ultrassonografia é o achado que define a suspeita oncológica e impõe a orquiectomia inguinal radical como procedimento diagnóstico e terapêutico padrão.

A investigação começa com a ultrassonografia transescrotal de alta frequência, que distingue lesões intratesticulares (sólidas, hipoecoicas, suspeitas de malignidade) de lesões extratesticulares (cistos de epidídimo, hidrocele, varicocele — geralmente benignas). A US é o exame inicial de escolha por ser amplamente disponível, de baixo custo, sem radiação ionizante e com alta sensibilidade para caracterizar a lesão. A ressonância magnética, embora tenha excelente resolução de partes moles, não é empregada rotineiramente na suspeita inicial — fica reservada para casos selecionados, como tumores ocultos ou avaliação de extensão local em situações específicas.

Os marcadores tumorais séricos — alfafetoproteína (AFP), fração beta da gonadotrofina coriônica humana (β-hCG) e lactato desidrogenase (LDH) — são fundamentais no estadiamento e no monitoramento, mas marcadores normais não excluem câncer de testículo. Cerca de 10 a 20% dos tumores de células germinativas não produzem marcadores elevados, e mesmo seminomas puros podem ter marcadores normais. Por isso, a suspeita clínica e ultrassonográfica prevalece sobre a dosagem sérica.

O tratamento inicial do câncer de testículo é cirúrgico: a orquiectomia inguinal radical (retirada do testículo, epidídimo e cordão espermático até o anel inguinal interno) é o padrão-ouro, tanto para diagnóstico definitivo quanto para tratamento do tumor primário. A via inguinal é obrigatória — a abordagem transescrotal é contraindicada pelo risco de semeadura tumoral no escroto e alteração do padrão de disseminação linfática. A colocação de prótese testicular no mesmo ato cirúrgico é possível e segura, com baixo risco de extrusão, sendo uma opção estética importante para o paciente jovem. A biópsia do testículo contralateral não é realizada rotineiramente antes da orquiectomia; ela é indicada em situações específicas, como suspeita de tumor bilateral ou em pacientes com alto risco (criptorquidia bilateral, atrofia severa), mas não como etapa obrigatória da investigação inicial.

O estadiamento é feito após a orquiectomia, com dosagem dos marcadores tumorais (AFP, β-hCG, LDH) e exames de imagem para pesquisa de metástases: tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve (para avaliar linfonodos retroperitoneais, principal via de disseminação) e TC ou radiografia de tórax. O câncer de testículo é dividido em estágio I (localizado ao testículo), estágio II (acometimento de linfonodos retroperitoneais) e estágio III (metástases a distância ou marcadores persistentemente elevados após a orquiectomia).

Guarde o fluxo diagnóstico e terapêutico: suspeita clínica → US transescrotal → marcadores tumorais → orquiectomia inguinal radical → estadiamento com TC e marcadores pós-operatórios. É exatamente nessa sequência que as alternativas se dividem: a correta reconhece o papel da US como exame inicial, enquanto as incorretas invertem ou distorcem etapas desse fluxo.

  1. 1Suspeita clínica
  2. 2US transescrotal
  3. 3Marcadores tumorais
  4. 4Orquiectomia inguinal radical
  5. 5Estadiamento (TC + marcadores)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que marcadores séricos normais descartam câncer de testículo. Erro grave: os marcadores tumorais (AFP, β-hCG, LDH) são úteis no estadiamento e monitoramento, mas não têm sensibilidade de 100% — uma parcela significativa dos tumores de células germinativas, especialmente seminomas puros, pode apresentar marcadores normais. A suspeita diagnóstica se baseia na clínica (massa endurecida e indolor) e na ultrassonografia; marcadores normais não excluem malignidade.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ultrassonografia transescrotal é o exame de imagem inicial de escolha frente à suspeita de neoplasia testicular. Ela confirma a presença de lesão sólida intratesticular, distingue de lesões extratesticulares benignas e orienta a decisão de orquiectomia inguinal. É o primeiro passo da investigação, antes mesmo dos marcadores tumorais e da TC de estadiamento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ressonância magnética, embora tenha alta sensibilidade para partes moles, não é empregada rotineiramente na suspeita inicial de câncer de testículo. O exame inicial é a ultrassonografia; a RM fica reservada para casos selecionados (tumor oculto, avaliação de extensão local em situações específicas), não como método de triagem. A alternativa confunde o papel da RM com o da US.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A colocação de prótese testicular pode e deve ser oferecida no momento da orquiectomia, com baixo risco de extrusão e excelente resultado estético, importante para a autoestima do paciente jovem. Não há contraindicação absoluta; a decisão é compartilhada com o paciente, respeitando suas preferências. A alternativa inventa um risco elevado que não corresponde à prática urológica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A biópsia do testículo contralateral não é realizada rotineiramente antes da orquiectomia. Ela é indicada em situações específicas de alto risco (tumor bilateral, criptorquidia bilateral, atrofia severa, suspeita de carcinoma in situ), mas não faz parte da investigação inicial padrão. A conduta correta é a orquiectomia inguinal radical do testículo acometido, sem biópsia contralateral de rotina.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o papel dos marcadores tumorais e o da ultrassonografia. O candidato que decora que "marcadores são importantes" pode marcar a alternativa A, esquecendo que eles não excluem câncer — a US é o exame inicial que define a suspeita. Fique atento: marcador normal não é sinônimo de ausência de tumor.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de câncer de testículo, memorize o fluxo: suspeita clínica → US transescrotal (exame inicial) → marcadores (AFP, β-hCG, LDH) → orquiectomia inguinal radical → estadiamento com TC abdome/pelve e tórax. A US é sempre o primeiro exame de imagem; a RM é exceção; a biópsia transescrotal é proibida; a prótese é opcional e segura.

Gabarito: letra B

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