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Questão de Medicina — Nefrologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaNefrologia
Código
qq969883
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Alergia e Imunologia Pediátrica
Um paciente em tratamento para síndrome nefrótica, durante tratamento com corticosteroides, acaba sendo classificado como córtico-dependente. A mãe questiona o diagnóstico e lhe é explicado que um paciente córtico-dependente é aquele que apresenta
  1. Aduas ou mais recidivas no período de 6 meses da resposta inicial ou ≥ 4 recidivas no período de 12 meses.
  2. Buma recidiva dentro de 6 meses da resposta inicial ou 1-3 recidivas no período de 12 meses.
  3. Cremissão completa após ≥ 4 semanas de uso de prednisolona na dose padronizada (2 mg/kg/d ou 60 mg/m2/dia).
  4. Dausência de remissão após 4-8 semanas de uso de prednisona ou prednisolona na dose padronizada.
  5. Eduas recidivas consecutivas durante a corticoterapia ou nos primeiros 14 dias da suspensão do corticoide.
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GabaritoE — duas recidivas consecutivas durante a corticoterapia ou nos primeiros 14 dias da suspensão do corticoide.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome nefrótica: definição de corticodependência

Gabarito: letra E. Paciente córtico-dependente é aquele que apresenta duas recidivas consecutivas durante a corticoterapia ou nos primeiros 14 dias após a suspensão do corticoide — é a definição clássica que distingue a dependência das demais categorias de resposta ao tratamento (sensível, recidivante frequente e resistente). Essa definição é amplamente aceita na nefrologia pediátrica e adulta, sendo utilizada nos principais protocolos e diretrizes sobre síndrome nefrótica idiopática.

A síndrome nefrótica idiopática (SNI) é uma doença glomerular caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Na criança, a forma mais comum é a doença de lesões mínimas (DLM), que responde muito bem à corticoterapia — mais de 90% das crianças entram em remissão após 4 a 8 semanas de tratamento. A partir dessa resposta inicial, os pacientes são classificados conforme o comportamento da doença frente ao corticoide, e essa classificação é o que orienta toda a conduta terapêutica subsequente.

As categorias são: sensível ao corticoide (responde ao tratamento inicial), recidivante frequente (duas ou mais recidivas em 6 meses, ou quatro ou mais em 12 meses), córtico-dependente (recidiva durante a redução da dose ou nos primeiros 14 dias após a suspensão) e córtico-resistente (não responde após 4-8 semanas de dose plena). A distinção entre recidivante frequente e córtico-dependente é sutil, mas crucial: o primeiro é definido pela frequência das recidivas ao longo do tempo, enquanto o segundo é definido pela relação temporal da recidiva com o uso do corticoide — ela ocorre justamente quando o medicamento está sendo reduzido ou já foi suspenso, evidenciando que o paciente não consegue manter a remissão sem o fármaco.

Na prática, imagine uma criança com DLM que respondeu ao primeiro ciclo de prednisona. Se, ao reduzir a dose de 40 mg/m²/48h para 20 mg/m²/48h, ela apresenta nova proteinúria, isso é uma recidiva durante a corticoterapia — caracteriza dependência. Da mesma forma, se a recidiva surge 10 dias após a suspensão completa do corticoide, também é dependência. Já se a recidiva ocorre 3 meses após a suspensão, e depois outra 2 meses após o novo tratamento, o paciente é recidivante frequente, não dependente. Essa diferença tem implicação terapêutica direta: o dependente frequentemente necessita de imunossupressores (ciclofosfamida, ciclosporina, rituximabe) para poupar corticoide, enquanto o recidivante frequente pode ser manejado com ciclos repetidos de prednisona.

A banca explora exatamente essa fronteira: as alternativas A, B, C e D descrevem outras categorias de resposta (recidivante frequente, sensível, remissão completa e resistente), e o candidato que não domina a definição precisa de corticodependência acaba confundindo com a de recidivante frequente. Guarde o critério decisivo: dependência = recidiva ligada temporalmente ao corticoide (durante uso ou até 14 dias após suspensão); recidiva frequente = número de recidivas em um período (≥2 em 6 meses ou ≥4 em 12 meses). É nessa distinção que as alternativas se separam.

1Sensível
remissão após 4-8 semanas
2Recidivante frequente
≥2 recidivas em 6 meses
ou ≥4 em 12 meses
3Córtico-dependente
recidiva durante corticoterapia
ou até 14 dias após suspensão
4Córtico-resistente
sem remissão após 4-8 semanas
Resposta ao corticoide (SNI)
LEVELsoulevel.com.br
Resposta ao corticoide (SNI): Sensível (remissão após 4-8 semanas); Recidivante frequente (≥2 recidivas em 6 meses, ou ≥4 em 12 meses); Córtico-dependente (recidiva durante corticoterapia, ou até 14 dias após suspensão); Córtico-resistente (sem remissão após 4-8 semanas)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Descreve a definição de recidivante frequente, não de córtico-dependente. O critério de "duas ou mais recidivas em 6 meses" ou "quatro ou mais em 12 meses" mede a frequência das recidivas ao longo do tempo, sem qualquer relação com o momento em que ocorrem em relação ao uso do corticoide. Um paciente pode ter recidivas frequentes sem ser dependente — por exemplo, recidivando a cada 3 meses, sempre após a suspensão completa do corticoide. A dependência, ao contrário, é definida pela recidiva que ocorre durante a corticoterapia ou nos primeiros 14 dias após sua suspensão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Também se refere à frequência de recidivas, mas com números incorretos. A definição de recidivante frequente exige duas ou mais recidivas em 6 meses ou quatro ou mais em 12 meses — não "uma recidiva em 6 meses" ou "1-3 recidivas em 12 meses". Esses números menores não correspondem a nenhuma categoria formal da classificação; um paciente com uma única recidiva em 6 meses seria apenas um paciente com recidiva esporádica, não recidivante frequente. Além disso, a alternativa não menciona a relação temporal com o corticoide, que é o cerne da definição de dependência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Descreve a resposta ao tratamento inicial (remissão completa após 4 semanas de prednisolona), que caracteriza o paciente como sensível ao corticoide — não dependente. A remissão completa é o objetivo do primeiro ciclo de tratamento e indica que a doença responde ao corticoide, mas não diz nada sobre o comportamento futuro da doença após a suspensão. Um paciente pode ser sensível e nunca mais recidivar, ou ser sensível e depois tornar-se dependente. A alternativa confunde a resposta inicial com a dependência, que é um fenômeno que se manifesta após a resposta, durante a redução ou suspensão do fármaco.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Define córtico-resistência (ou resistência ao corticoide), não dependência. A ausência de remissão após 4-8 semanas de prednisona/prednisolona em dose plena caracteriza o paciente como resistente ao corticoide — uma categoria completamente distinta, com pior prognóstico e que frequentemente exige biópsia renal e imunossupressão mais agressiva. O paciente córtico-dependente, por definição, responde ao corticoide (entra em remissão), mas recidiva quando o fármaco é reduzido ou suspenso. A alternativa inverte a lógica: dependência pressupõe resposta, enquanto resistência pressupõe ausência de resposta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a definição precisa de córtico-dependência: duas recidivas consecutivas que ocorrem durante a corticoterapia (ou seja, enquanto o paciente ainda está em uso do corticoide, geralmente durante a redução gradual da dose) ou nos primeiros 14 dias após a suspensão do corticoide. O elemento-chave é a relação temporal: a recidiva acontece justamente quando o efeito do corticoide está diminuindo ou já cessou, demonstrando que o paciente não consegue manter a remissão sem o fármaco. Essa definição é a adotada nos principais consensos e protocolos de síndrome nefrótica, como os da Sociedade Brasileira de Nefrologia e do Ministério da Saúde, e é a que orienta a decisão de introduzir agentes poupadores de corticoide (ciclofosfamida, ciclosporina, rituximabe).

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a definição de córtico-dependente pela de recidivante frequente (alternativas A e B). O candidato que memoriza apenas os números de recidivas (≥2 em 6 meses ou ≥4 em 12 meses) marca a letra A, mas esquece que a dependência é definida pela relação temporal com o corticoide, não pela frequência das recidivas. A pegadinha está em confundir "quantas vezes recidiva" com "quando recidiva em relação ao uso do fármaco".

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte um quadro mental com as quatro categorias de resposta ao corticoide na síndrome nefrótica:

Categoria

Definição

Sensível

Remissão completa após 4-8 semanas de corticoide

Recidivante frequente

≥2 recidivas em 6 meses OU ≥4 em 12 meses

Córtico-dependente

Recidiva durante a corticoterapia OU até 14 dias após suspensão

Córtico-resistente

Ausência de remissão após 4-8 semanas de dose plena

Na prova, ao ver "recidiva durante uso ou até 14 dias após suspensão", marque dependência; ao ver números de recidivas em um período, marque recidivante frequente.

Gabarito: letra E — duas recidivas consecutivas durante a corticoterapia ou nos primeiros 14 dias da suspensão do corticoide.

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