Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qq969906
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Alergia e Imunologia Pediátrica
A Doença Granulomatosa Crônica (DGC) é decorrente de alterações na enzima NADPH oxidase, o que implica defeito na produção de intermediários reativos do oxigênio importantes na destruição dos microrganismos fagocitados. Assinale as principais características relacionadas a esse erro inato do metabolismo.
ACaracteriza-se por início na fase pré-escolar com a presença de furunculose, associada à infecção por S. aureus e Streptococcus sp.
BCaracteriza-se por início na adolescência com infecções pulmonares e de pele, especialmente causadas por S. aureus e Streptococcus sp.
CCaracteriza-se por infecções de pele e de sistema nervoso causadas por vírus, como o herpes simples e fungos, como o Aspergillus.
DCaracteriza-se por infecções de pele por S. aureus e abscessos pulmonares e cerebrais associados a Aspergillus.
ECaracteriza-se por início precoce, no primeiro ano de vida, com presença de infecções pulmonares por S. pneumoniae e ósseas por Serratia.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Caracteriza-se por infecções de pele por S. aureus e abscessos pulmonares e cerebrais associados a Aspergillus.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Doença Granulomatosa Crônica (DGC): defeito da NADPH oxidase
Gabarito: letra D. A DGC é uma imunodeficiência primária dos fagócitos, causada por mutações na NADPH oxidase, que compromete a explosão respiratória e a produção de espécies reativas de oxigênio. Clinicamente, manifesta-se com infecções bacterianas e fúngicas recorrentes e graves, sendo as mais características as infecções de pele por Staphylococcus aureus e os abscessos pulmonares e cerebrais por Aspergillus — exatamente o que a alternativa D descreve.
A Doença Granulomatosa Crônica é um erro inato da imunidade, mais especificamente um defeito na função dos fagócitos (neutrófilos, monócitos e macrófagos). O defeito molecular está na enzima NADPH oxidase, um complexo de múltiplas subunidades presente na membrana dos fagócitos. Quando o fagócito engloba um microrganismo, essa enzima é ativada e transfere elétrons do NADPH para o oxigênio molecular, gerando o ânion superóxido (O₂⁻). A partir do superóxido, formam-se outras espécies reativas de oxigênio (ERO), como o peróxido de hidrogênio (H₂O₂) e, pela ação da mieloperoxidase, o íon hipoclorito (OCl⁻) — o principal agente microbicida. Sem a NADPH oxidase funcional, não há explosão respiratória e os microrganismos fagocitados sobrevivem dentro do fagócito, causando infecções recorrentes e a formação de granulomas (daí o nome da doença).
Os patógenos mais característicos da DGC são aqueles que produzem catalase, uma enzima que degrada o peróxido de hidrogênio. Como o fagócito da DGC não gera ERO, mas o microrganismo catalase-positivo neutraliza o pouco H₂O₂ que porventura seja produzido por outras vias, a destruição fica ainda mais comprometida. Os principais agentes são: Staphylococcus aureus (infecções de pele, abscessos), Burkholderia cepacia, Nocardia, Serratia marcescens e fungos como Aspergillus spp. (causando pneumonias necrosantes e abscessos cerebrais). As infecções por Aspergillus são particularmente graves e podem ser a primeira manifestação da doença.
A apresentação clínica típica ocorre nos primeiros anos de vida (geralmente antes dos 2 anos), com infecções de repetição: abscessos cutâneos e linfonodais, pneumonia, abscessos hepáticos e osteomielite. O diagnóstico é feito pelo teste de redução do nitroblue tetrazólio (NBT) ou pela citometria de fluxo com dihidrorodamina (DHR), que avaliam a capacidade dos fagócitos de produzir ERO. O tratamento inclui profilaxia com trimetoprima-sulfametoxazol e itraconazol, interferon-gama e, nos casos graves, transplante de células-tronco hematopoiéticas.
A pegadinha central desta questão está em associar a DGC aos patógenos errados. Como a doença afeta a imunidade inata (fagócitos), os agentes são bactérias e fungos extracelulares — nunca vírus. Além disso, a banca tenta confundir com outras imunodeficiências: a deficiência de imunidade humoral (agamaglobulinemia) predispõe a bactérias encapsuladas (pneumococo, Haemophilus), enquanto os defeitos de imunidade celular (como a imunodeficiência combinada grave) predispõem a infecções virais e por Pneumocystis. Guarde essa distinção: é ela que separa as alternativas.
DGC (defeito da NADPH oxidase)
1Patógenos típicos
Bactérias catalase-positivas
S. aureus
Burkholderia cepacia
Nocardia
Serratia
Fungos
Aspergillus
2Sítios de infecção
Pele (abscessos)
Pulmão (pneumonia necrosante)
Cérebro (abscessos)
Fígado (abscessos)
3Início
Primeiros anos de vida
4Diagnóstico
NBT
Citometria (DHR)
5Tratamento
Profilaxia (TMP-SMX + itraconazol)
Interferon-gama
Transplante de células-tronco
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a DGC se inicia na fase pré-escolar com furunculose por S. aureus e Streptococcus sp. O erro está em dois pontos: (1) o início típico é mais precoce, geralmente no primeiro ano de vida, e não na fase pré-escolar; (2) embora S. aureus seja um patógeno clássico, Streptococcus sp. não é um dos agentes mais característicos — a doença predispõe a microrganismos catalase-positivos, e o estreptococo é catalase-negativo. A furunculose por S. aureus pode ocorrer, mas a alternativa mistura agentes e cronologia de forma imprecisa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o início se dá na adolescência, com infecções pulmonares e de pele por S. aureus e Streptococcus sp. O erro principal é a cronologia: a DGC se manifesta tipicamente nos primeiros anos de vida, não na adolescência. Além disso, repete o equívoco de incluir Streptococcus sp. como agente característico, quando os patógenos típicos são catalase-positivos (como S. aureus, Burkholderia, Nocardia, Aspergillus).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a DGC causa infecções de pele e do sistema nervoso por vírus (herpes simples) e fungos (Aspergillus). O erro é grave: a DGC é um defeito da imunidade inata fagocítica, e os vírus são controlados principalmente pela imunidade adaptativa (linfócitos T e NK). Infecções virais graves e recorrentes, como herpes simples, são características de defeitos da imunidade celular (ex.: imunodeficiência combinada grave), não da DGC. O Aspergillus realmente causa infecções na DGC, mas a associação com vírus está completamente errada.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve com precisão o quadro clássico da DGC: infecções de pele por S. aureus e abscessos pulmonares e cerebrais associados a Aspergillus. S. aureus é o agente bacteriano mais comum, e Aspergillus é o fungo mais característico, causando pneumonias necrosantes e abscessos cerebrais. A alternativa captura os dois patógenos mais emblemáticos da doença e os sítios de infecção mais típicos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a DGC se inicia precocemente, no primeiro ano de vida, com infecções pulmonares por S. pneumoniae e ósseas por Serratia. O início precoce está correto, mas os agentes estão trocados: S. pneumoniae é uma bactéria encapsulada, cuja defesa depende principalmente da imunidade humoral (opsonização por anticorpos e complemento) — não é um patógeno típico da DGC. Já Serratia é um agente reconhecido da DGC, mas a associação com pneumococo torna a alternativa incorreta. A banca mistura o perfil de infecção de outra imunodeficiência (agamaglobulinemia) com o da DGC.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os perfis de infecção das diferentes imunodeficiências primárias. Na DGC (defeito de fagócitos), os agentes são bactérias catalase-positivas e fungos — nunca vírus nem bactérias encapsuladas como o pneumococo. Quando a alternativa citar vírus (herpes) ou S. pneumoniae, desconfie: isso é perfil de imunodeficiência de células T ou de anticorpos, não da DGC. Com esse filtro, você elimina as alternativas C e E na hora.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte o mapa mental das imunodeficiências primárias pelo componente do sistema imune afetado: (1) Fagócitos → bactérias catalase-positivas e fungos (S. aureus, Aspergillus, Nocardia, Burkholderia) — DGC, deficiência de adesão leucocitária; (2) Imunidade humoral (B) → bactérias encapsuladas (S. pneumoniae, Haemophilus, Neisseria) — agamaglobulinemia, imunodeficiência comum variável; (3) Imunidade celular (T) → vírus, fungos intracelulares, Pneumocystis — SCID, síndrome de DiGeorge. Na prova, identifique o patógeno e o sítio de infecção e relacione ao componente imune correspondente.