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Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
qq969911
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Alergia e Imunologia Pediátrica
Mãe procura o médico na UBS com seu filho de 2 anos. Queixa-se de que ele está sempre cheio de lesões em membros (pequenas urticas e seropápulas, algumas com crostas). Alguns médicos já disseram que é reação a picada de pernilongo, mas a mãe questiona-se, pois ninguém mais na casa apresenta isso. Assinale a alternativa que apresenta as argumentações que se deve utilizar para convencê-la de que se trata de prurigo estrófulo.
  1. AEsta é a idade em que se inicia a sensibilização às picadas. Com o tempo, há melhora significativa das reações, por isso que os adultos em geral são tolerantes. Além disso, as lesões são em áreas expostas, compatível com o quadro.
  2. BEsta é a idade em que se inicia a sensibilização às picadas. Com o tempo, pode haver piora significativa das reações devido ao aumento do contato. Os adultos que não apresentam reação é porque não são sensibilizados.
  3. CEsta é a idade em que se inicia a sensibilização às picadas. Com o tempo, há melhora significativa das reações, por isso que os adultos em geral são tolerantes. Contudo, o perfil de distribuição das lesões é compatível com reações a picadas de pulgas.
  4. DA idade da criança não é compatível com o quadro, tendo em vista que estas reações iniciam por volta dos 5 a 6 anos de vida e melhoram na adolescência. Contudo, a distribuição das lesões é característica de picadas de pernilongo.
  5. ETanto a idade quanto as características das lesões e do quadro não são compatíveis com prurigo estrófulo. Deve-se avaliar melhor a situação e, se necessário, investigar outras alergias.
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GabaritoA — Esta é a idade em que se inicia a sensibilização às picadas. Com o tempo, há melhora significativa das reações, por isso que os adultos em geral são tolerantes. Além disso, as lesões são em áreas expostas, compatível com o quadro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Prurigo estrófulo: sensibilização a picadas de insetos na infância

Gabarito: letra A. O prurigo estrófulo é uma reação de hipersensibilidade a picadas de insetos (pernilongos, pulgas) que se manifesta tipicamente em crianças pequenas, com pequenas urticas e seropápulas em áreas expostas. A argumentação correta para a mãe é que esta é a idade em que se inicia a sensibilização às picadas, e com o tempo há melhora significativa das reações, por isso os adultos em geral são tolerantes — exatamente o que a alternativa A afirma, incluindo a distribuição em áreas expostas, compatível com o quadro.

O prurigo estrófulo (também chamado de urticária papular) é uma reação de hipersensibilidade tardia (tipo IV) e imediata (tipo I) à picada de insetos, especialmente pernilongos (Aedes, Culex) e pulgas (Ctenocephalides). O que ocorre é um processo de sensibilização: na primeira exposição, a criança ainda não tem resposta imune específica; após repetidas picadas, o sistema imunológico passa a reconhecer os antígenos da saliva do inseto e desencadeia uma reação inflamatória local, que se manifesta como pápulas, urticas e, por vezes, vesículas (seropápulas) com crostas por escoriação.

A chave para entender o quadro — e para convencer a mãe — é a história natural da sensibilização. Em crianças pequenas, especialmente entre 1 e 4 anos, a resposta imune é imatura e exuberante: cada picada gera uma reação inflamatória intensa e visível. Com o passar do tempo e a exposição contínua, ocorre um fenômeno de dessensibilização natural: o sistema imunológico desenvolve tolerância aos antígenos da saliva do inseto, e as reações tornam-se cada vez menores, até desaparecerem na vida adulta. Por isso, os adultos em geral não apresentam reações significativas — não porque não sejam picados, mas porque já desenvolveram tolerância. Esse é exatamente o argumento que a alternativa A utiliza.

A distribuição das lesões também é um dado clínico importante: as picadas ocorrem em áreas expostas — membros superiores e inferiores, face — pois são as regiões do corpo mais acessíveis aos insetos. Isso explica por que a mãe observa lesões "sempre em membros". O fato de ninguém mais na casa apresentar o quadro é esperado: os adultos já são tolerantes, e outras crianças podem não ter sido sensibilizadas ou já ter desenvolvido tolerância. Não há transmissão entre pessoas — é uma reação individual à picada.

A pegadinha central desta questão está na inversão da história natural: a alternativa B afirma que "com o tempo, pode haver piora significativa das reações devido ao aumento do contato" — o oposto do que ocorre. Na verdade, o contato repetido leva à tolerância, não à piora. A alternativa C, embora correta na primeira parte, erra ao atribuir as lesões a picadas de pulgas — o quadro descrito (pequenas urticas e seropápulas em membros, em criança de 2 anos) é típico de picadas de pernilongo, e a distribuição em áreas expostas é compatível com ambos, mas o contexto ("ninguém mais na casa apresenta") e a idade apontam para pernilongo, não pulgas. A alternativa D erra a idade de início (não é aos 5-6 anos, mas sim na primeira infância) e a alternativa E nega o diagnóstico sem fundamento.

Guarde a fronteira entre sensibilização inicial com reação exuberante e tolerância adquirida com o tempo: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

1O que é
Reação de hipersensibilidade a picadas de insetos
Crianças pequenas (1-4 anos)
2Lesões
Urticas e seropápulas
Áreas expostas (membros)
3História natural
Sensibilização inicial → reação exuberante
Contato repetido → tolerância
Adultos: não reagem (já tolerantes)
4Diagnóstico
Clínico (história + exame)
Sem transmissão entre pessoas
Prurigo estrófulo
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Prurigo estrófulo: O que é (Reação de hipersensibilidade a picadas de insetos, Crianças pequenas (1-4 anos)); Lesões (Urticas e seropápulas, Áreas expostas (membros)); História natural (Sensibilização inicial → reação exuberante, Contato repetido → tolerância, Adultos: não reagem (já tolerantes)); Diagnóstico (Clínico (história + exame), Sem transmissão entre pessoas)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta porque apresenta os dois argumentos essenciais para convencer a mãe: (1) a idade de 2 anos é o período em que se inicia a sensibilização às picadas de insetos, e (2) com o tempo, há melhora significativa das reações, pois os adultos desenvolvem tolerância. Além disso, menciona corretamente que as lesões em áreas expostas (membros) são compatíveis com picadas de pernilongo. A argumentação é completa, fisiologicamente correta e responde diretamente à dúvida da mãe.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Esta alternativa está incorreta porque inverte a história natural da sensibilização. Afirma que "com o tempo, pode haver piora significativa das reações devido ao aumento do contato" — o oposto do que ocorre. Na verdade, o contato repetido com picadas de insetos leva à dessensibilização e tolerância, não à piora. Além disso, afirma que "os adultos que não apresentam reação é porque não são sensibilizados" — o correto é que os adultos já foram sensibilizados e desenvolveram tolerância, por isso não reagem. A piora progressiva não é o padrão do prurigo estrófulo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Esta alternativa está incorreta porque, embora acerte a primeira parte (idade de início da sensibilização e melhora com o tempo), erra ao atribuir as lesões a picadas de pulgas. O quadro descrito — pequenas urticas e seropápulas em membros, em criança de 2 anos, sem que outros membros da casa apresentem — é típico de picadas de pernilongo, não de pulgas. As pulgas geralmente picam em áreas cobertas (tornozelos, cintura) e costumam afetar vários membros da família ou animais domésticos. A distribuição em áreas expostas e o contexto apontam para pernilongo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Esta alternativa está incorreta porque erra a idade de início do prurigo estrófulo. Afirma que "estas reações iniciam por volta dos 5 a 6 anos de vida" — na verdade, o prurigo estrófulo é mais comum em crianças pequenas, entre 1 e 4 anos, exatamente a idade da criança do caso (2 anos). Além disso, afirma que a distribuição das lesões é característica de picadas de pernilongo, o que é verdadeiro, mas a idade errada invalida a alternativa como um todo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Esta alternativa está incorreta porque nega o diagnóstico de prurigo estrófulo sem fundamento. O quadro clínico descrito — criança de 2 anos com pequenas urticas e seropápulas em membros, em áreas expostas, sem outros afetados na casa — é altamente compatível com prurigo estrófulo. Não há indicação de "avaliar melhor" ou "investigar outras alergias" quando o diagnóstico é claro pela história e exame físico. A alternativa demonstra desconhecimento da apresentação típica da doença.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão da história natural da sensibilização. O candidato pode ser tentado a marcar a alternativa B, que afirma "piora significativa das reações devido ao aumento do contato" — mas o correto é o oposto: o contato repetido leva à tolerância e melhora. Lembre-se: na infância, a reação é exuberante porque a sensibilização está se estabelecendo; na vida adulta, a tolerância já se desenvolveu. Essa é a lógica que separa a correta (A) das incorretas (B e C).

PEGA ESSA DICA!

Para questões de prurigo estrófulo, memorize o tripé: (1) idade — crianças pequenas (1-4 anos); (2) lesões — urticas e seropápulas em áreas expostas; (3) história natural — melhora com o tempo por tolerância. Se a alternativa inverter qualquer um desses três pontos, está errada. Na dúvida, desconfie de afirmações com "piora progressiva" ou "adultos não sensibilizados" — a fisiologia aponta sempre para tolerância adquirida.

Gabarito: letra A

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