Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qq969912
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Alergia e Imunologia Pediátrica
Menina de 3 anos estava em um sítio e foi picada por uma abelha na face, próximo ao olho direito. Apresentou edema palpebral nesse mesmo lado e evoluiu após 15 minutos com placas de urticária em tronco. Após tratamento em pronto atendimento, foi encaminhada para o alergista. Sobre a condução a partir desse momento, assinale a alternativa correta.
ARealizar IgE específica para abelhas, aguardando o prazo de 3 a 4 semanas do ocorrido. Se o resultado for positivo, indicar a imunoterapia.
BRealizar teste cutâneo com concentrações progressivas do extrato padronizado. Se o resultado for positivo, indicar imunoterapia.
CRealizar teste cutâneo com concentrações progressivas do extrato padronizado. Mesmo se o resultado for positivo, avaliar o grau de exposição e riscos futuros para considerar ou não a imunoterapia, tendo em vista a boa evolução a longo prazo.
DExplicar que os testes nessa idade não são recomendados, em razão do grande número de falso-negativos. Orientar sobre a benignidade da evolução no decorrer dos anos e aguardar.
ERealizar IgE específica para abelhas imediatamente. Independentemente do resultado, há indicação de imunoterapia, podendo ser em consultório caso o resultado seja negativo, e em ambiente hospitalar caso o resultado seja positivo
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Realizar teste cutâneo com concentrações progressivas do extrato padronizado. Mesmo se o resultado for positivo, avaliar o grau de exposição e riscos futuros para considerar ou não a imunoterapia, tendo em vista a boa evolução a longo prazo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Imunoterapia com veneno de himenópteros: indicação e avaliação de risco
Gabarito: letra C. A conduta correta após reação sistêmica a picada de abelha é realizar o teste cutâneo com concentrações progressivas do extrato padronizado e, mesmo se positivo, avaliar o grau de exposição e os riscos futuros antes de indicar a imunoterapia, considerando a boa evolução a longo prazo. A decisão de tratar não é automática: depende do risco-benefício individual, especialmente em crianças, que têm menor risco de reações graves futuras.
A reação descrita — edema palpebral local seguido de urticária generalizada em 15 minutos — caracteriza uma reação sistêmica leve (grau I/II) mediada por IgE a veneno de himenópteros. A paciente é uma criança de 3 anos, e esse contexto muda completamente a abordagem. Em adultos, uma reação sistêmica a picada de abelha é indicação formal de investigação e, na maioria dos casos, de imunoterapia. Em crianças, porém, a história natural é mais benigna: o risco de uma reação grave futura é menor, e muitas vezes a reatividade diminui com o tempo. Por isso, a decisão de indicar imunoterapia exige ponderação individualizada.
O diagnóstico de sensibilização é feito preferencialmente pelo teste cutâneo (puntura e intradérmico com concentrações progressivas), que tem boa sensibilidade e especificidade. A IgE específica sérica é alternativa válida, mas o teste cutâneo é o método de escolha inicial. O prazo de 3 a 4 semanas após o evento é recomendado para a realização dos testes, pois nesse período os níveis de IgE específica podem estar falsamente baixos (consumidos na reação aguda) e o risco de reação ao teste é maior logo após o episódio.
A imunoterapia com veneno é altamente eficaz (reduz o risco de reações sistêmicas futuras em mais de 90% dos casos), mas não é isenta de riscos e custos. A indicação deve considerar: gravidade da reação inicial, idade do paciente, exposição futura provável (profissão, lazer, local de moradia), comorbidades e risco de reação ao próprio tratamento. Em crianças com reações cutâneas sistêmicas leves, muitos especialistas optam por acompanhamento clínico sem imunoterapia, dado o bom prognóstico. A alternativa C captura exatamente essa nuance: o teste é feito, mas o resultado positivo não obriga ao tratamento — a decisão é compartilhada e baseada no risco individual.
A pegadinha central desta questão é a automatização do raciocínio: o candidato que decora "reação sistêmica a veneno = imunoterapia" erra, porque a banca explora a exceção pediátrica e a necessidade de avaliação individualizada. A alternativa B parece correta à primeira vista, mas omite a ponderação de risco que é o cerne da conduta. A alternativa A erra ao condicionar a imunoterapia apenas ao resultado do teste, sem avaliar o contexto. A alternativa D erra ao afirmar que testes não são recomendados em crianças (são, sim, com segurança). A alternativa E erra ao indicar imunoterapia incondicionalmente e ao sugerir realização imediata dos testes.
Guarde o critério decisivo: em crianças com reação sistêmica leve a veneno de himenópteros, o teste cutâneo é indicado, mas a imunoterapia é considerada caso a caso, pesando exposição e risco futuro. É exatamente essa ponderação que separa a alternativa correta das demais.
Reação sistêmica a veneno de himenópteros
1Adulto
Testar
Imunoterapia na maioria
2Criança com reação leve
Testar (cutâneo progressivo)
Ponderar imunoterapia
Exposição futura
Risco-benefício
Boa evolução a longo prazo
3Reação local grande
Orientar prevenção
Sem teste
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra ao condicionar a imunoterapia apenas ao resultado positivo da IgE específica, sem considerar o risco individual. Além disso, a IgE específica é alternativa ao teste cutâneo, não o método preferencial inicial. O prazo de 3 a 4 semanas está correto, mas a condução é incompleta: mesmo com IgE positiva, a decisão de tratar depende da avaliação de risco-benefício, especialmente em criança com reação leve.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Acerta ao indicar o teste cutâneo com concentrações progressivas, mas erra ao tornar a imunoterapia automática se o resultado for positivo. Em criança de 3 anos com reação sistêmica leve, o resultado positivo do teste não é indicação absoluta de tratamento — é necessário avaliar o grau de exposição e os riscos futuros. A alternativa é incompleta e, por isso, incorreta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
É a conduta mais completa e alinhada às diretrizes. O teste cutâneo com concentrações progressivas é o método de escolha para confirmar sensibilização. Mesmo se positivo, a imunoterapia não é automática: deve-se avaliar o grau de exposição (probabilidade de novas picadas) e os riscos futuros (gravidade potencial de uma nova reação), considerando a boa evolução a longo prazo em crianças. Essa ponderação individualizada é o que define a indicação do tratamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que testes não são recomendados em crianças. O teste cutâneo é seguro e indicado nessa faixa etária, desde que realizado por especialista com estrutura para manejo de reações. A orientação de "aguardar" sem investigação é inadequada, pois não permite avaliar o risco real de reações futuras. A benignidade da evolução é um argumento para ponderar a imunoterapia, não para omitir a investigação diagnóstica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra em múltiplos pontos: (1) realizar IgE específica imediatamente é inadequado — o ideal é aguardar 3 a 4 semanas para evitar falso-negativos; (2) indicar imunoterapia independentemente do resultado é absurdo, pois o tratamento só se justifica com confirmação de sensibilização; (3) a distinção entre consultório e hospital conforme o resultado da IgE não tem fundamento técnico. A conduta é tecnicamente incorreta e potencialmente perigosa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a automatização do raciocínio "reação sistêmica a veneno = imunoterapia obrigatória". Em adultos, isso é quase regra; em crianças com reação leve, a decisão é individualizada. A alternativa B parece perfeita, mas omite a ponderação de risco — que é exatamente o que a alternativa C inclui. Fique atento: quando a questão envolve criança e reação leve, desconfie de respostas que tornam o tratamento automático.
PEGA ESSA DICA!
Monte um fluxo mental para veneno de himenópteros: (1) reação local grande → orientar prevenção, sem teste; (2) reação sistêmica leve em criança → testar, ponderar imunoterapia; (3) reação sistêmica moderada/grave ou em adulto → testar e indicar imunoterapia na maioria dos casos. Essa gradação resolve a maioria das questões sobre o tema.