Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qq969922
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Alergia e Imunologia Pediátrica
A persistência dos sintomas da alergia à proteína do leite de vaca está relacionada especialmente aos quadros IgE mediados e graves, bem como a níveis mais elevados de IgE específica para
Aalfa-lactoalbumina.
Bbeta-lactoglobulina.
Ccaseína.
Dalfa-mucoide.
Ealbumina.
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GabaritoC — caseína.
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Alergia à proteína do leite de vaca: persistência e IgE específica
Gabarito: letra C. A persistência dos sintomas da alergia à proteína do leite de vaca (APLV) está relacionada especialmente aos quadros IgE-mediados e graves, bem como a níveis mais elevados de IgE específica para a caseína, a principal proteína do leite de vaca. Essa associação é reconhecida na literatura e na prática clínica, sendo a caseína o alérgeno mais frequentemente implicado na persistência e na gravidade da doença.
A alergia à proteína do leite de vaca é a alergia alimentar mais comum na infância, afetando cerca de 2 a 3% dos lactentes. Ela pode ser mediada por IgE (reação imediata, com urticária, angioedema, vômitos, diarreia e, em casos graves, anafilaxia) ou não mediada por IgE (reação tardia, com sintomas gastrointestinais como cólicas, refluxo e proctocolite). A persistência da alergia, ou seja, a não resolução espontânea com o passar dos anos, está associada a alguns fatores, entre eles: o fenótipo IgE-mediado, a gravidade dos sintomas iniciais e a presença de níveis elevados de IgE específica para determinadas proteínas do leite.
O leite de vaca contém diversas proteínas, sendo as principais a caseína (cerca de 80% do total) e as proteínas do soro (cerca de 20%), que incluem a beta-lactoglobulina, a alfa-lactoalbumina, a albumina sérica bovina e as imunoglobulinas. Estudos demonstram que a sensibilização à caseína, especialmente com níveis elevados de IgE específica, é um marcador de persistência da alergia. A caseína é uma proteína mais estável ao calor e à digestão, o que pode contribuir para sua maior alergenicidade e para a persistência dos sintomas. Em contrapartida, a alergia às proteínas do soro, como a beta-lactoglobulina e a alfa-lactoalbumina, tende a ser mais transitória e a resolver mais precocemente.
Na prática clínica, a dosagem de IgE específica para os componentes do leite (caseína, beta-lactoglobulina, alfa-lactoalbumina) é utilizada para auxiliar no diagnóstico e no prognóstico. Níveis elevados de IgE específica para caseína, especialmente acima de determinados pontos de corte, estão associados a maior probabilidade de persistência da alergia e a reações mais graves. Essa informação é valiosa para orientar os pais sobre o prognóstico e para planejar o acompanhamento e a reintrodução do leite na dieta.
A distinção entre as proteínas do leite é fundamental para entender a questão. A caseína é a principal proteína e o principal alérgeno persistente. As proteínas do soro, como a beta-lactoglobulina e a alfa-lactoalbumina, são mais termolábeis e frequentemente associadas a formas mais transitórias da alergia. A albumina sérica bovina é uma proteína minoritária e menos relevante como alérgeno. A alternativa "alfa-mucoide" não corresponde a uma proteína do leite de vaca, sendo um distrator.
A banca explora o conhecimento específico sobre os alérgenos do leite de vaca e sua relação com a persistência da alergia. O candidato que domina a composição proteica do leite e o papel da caseína como principal alérgeno persistente acerta a questão. A pegadinha está em confundir a caseína com as proteínas do soro, que são mais frequentemente associadas a formas transitórias da doença.
Proteínas do leite de vaca
1Caseína (~80%)
Estável ao calor/digestão
Persistência e gravidade da APLV
2Proteínas do soro (~20%)
Beta-lactoglobulina
Formas mais transitórias
Alfa-lactoalbumina
Formas mais transitórias
Albumina sérica bovina
Menos relevante como alérgeno
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alfa-lactoalbumina é uma proteína do soro do leite, termolábil e menos associada à persistência da alergia. Embora possa estar envolvida na sensibilização, não é o principal marcador de persistência e gravidade, que é a caseína.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A beta-lactoglobulina é a principal proteína do soro do leite de vaca e um alérgeno importante, mas está mais associada a formas transitórias da alergia. A persistência dos sintomas está mais relacionada à caseína.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A caseína é a principal proteína do leite de vaca (cerca de 80%) e o alérgeno mais estável ao calor e à digestão. Níveis elevados de IgE específica para caseína estão associados à persistência dos sintomas e à gravidade da APLV, sendo o marcador prognóstico mais importante.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Alfa-mucoide" não é uma proteína do leite de vaca. É um termo que não corresponde a nenhum alérgeno conhecido do leite, sendo um distrator sem fundamento científico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A albumina sérica bovina é uma proteína minoritária do soro do leite, presente em baixas concentrações. Embora possa causar sensibilização, não é o principal alérgeno associado à persistência da APLV, que é a caseína.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a caseína (principal alérgeno persistente) pelas proteínas do soro (beta-lactoglobulina e alfa-lactoalbumina), que são mais conhecidas, mas associadas a formas mais transitórias. Lembre-se: a caseína é a proteína mais abundante e estável do leite de vaca, e é ela que determina a persistência e a gravidade da alergia.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar, associe a caseína à "persistência" e à "gravidade". As proteínas do soro (beta-lactoglobulina, alfa-lactoalbumina) são mais "transitórias". Na prova, ao ver "persistência" ou "quadros graves", pense imediatamente em caseína.