Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qq969927
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Alergia e Imunologia Pediátrica
Adolescente de 12 anos tem apresentado prurido ocular frequente, hiperemia conjuntival, lacrimejamento e sensação de corpo estranho em ambos os olhos. Apresenta rinite alérgica e encontra-se em tratamento com furoato de fluticasona nasal e bilastina há 15 dias. Em relação a esse caso, assinale a alternativa que apresenta o próximo passo terapêutico a ser realizado para controle dos sintomas.
AAssociar corticoide oral ao tratamento já realizado.
BAssociar outro anti-histamínico oral de 2ª geração.
CAssociar colírio lubrificante e anti-histamínico de 1ª geração.
DAssociar colírio lubrificante e colírio de anti-histamínico/estabilizador de membrana de mastócitos.
EAssociar colírio de corticoide.
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GabaritoD — Associar colírio lubrificante e colírio de anti-histamínico/estabilizador de membrana de mastócitos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Gabarito: letra D. O próximo passo para o controle dos sintomas oculares é associar colírio lubrificante e colírio de anti-histamínico/estabilizador de membrana de mastócitos, pois o paciente já usa anti-histamínico oral e corticoide nasal, mas persiste com sintomas oculares — a conduta segue a escalada terapêutica da rinite alérgica com conjuntivite associada, conforme as diretrizes ARIA e o consenso brasileiro.
A conjuntivite alérgica é uma inflamação da conjuntiva mediada por IgE, frequentemente associada à rinite alérgica — o chamado "paciente alérgico único". Os sintomas típicos são prurido ocular, hiperemia, lacrimejamento e sensação de corpo estranho, exatamente o quadro descrito no enunciado. O tratamento é escalonado: primeiro, medidas não farmacológicas (compressas frias, lágrimas artificiais); depois, anti-histamínicos orais e estabilizadores de mastócitos tópicos; e, em casos refratários, corticoides tópicos sob supervisão oftalmológica.
O paciente já está em uso de furoato de fluticasona nasal (corticoide intranasal) e bilastina (anti-histamínico oral de 2ª geração) há 15 dias. Apesar disso, persistem os sintomas oculares. Nesse cenário, a conduta correta é adicionar terapia tópica ocular: colírio lubrificante (para alívio sintomático e proteção da superfície ocular) e colírio de anti-histamínico/estabilizador de membrana de mastócitos (como olopatadina, cetotifeno ou azelastina), que atuam diretamente na conjuntiva, bloqueando a ação da histamina e estabilizando os mastócitos, prevenindo a degranulação e a liberação de mediadores inflamatórios.
A tabela abaixo resume a eficácia dos medicamentos nos sintomas da rinite alérgica, incluindo os oculares:
Medicamento
Prurido
Espirro
Rinorreia
Obstrução nasal
Sintomas oculares
Anti-histamínicos orais
+++
++
++
+
++
Anti-histamínicos tópicos
++
++
++
++
0
Descongestionantes tópicos
0
0
0
+++
0
Descongestionantes orais
0
0
0
+
0
Corticoides tópicos
++
+++
+++
+++
++
Cromonas
+
+
+
+
+
Antileucotrienos
0
0
+
++
++
0 = ação nula; + = pouco efetivo; ++ = moderadamente efetivo; +++ = bastante efetivo.
Observe que os anti-histamínicos orais têm eficácia moderada (++) nos sintomas oculares, mas a terapia tópica ocular é mais direcionada e potente. A associação de colírio lubrificante com anti-histamínico/estabilizador de mastócitos é a conduta de primeira linha para conjuntivite alérgica quando os sintomas persistem apesar do tratamento sistêmico.
A pegadinha da questão está em não reconhecer que o paciente já está em tratamento otimizado para rinite (corticoide nasal + anti-histamínico oral) e que os sintomas oculares persistem — a conduta não é escalar o tratamento sistêmico (corticoide oral, outro anti-histamínico oral), mas sim adicionar terapia tópica ocular. O colírio de corticoide é reservado para casos refratários e deve ser usado com cautela, sob supervisão oftalmológica, pelo risco de aumento da pressão intraocular e catarata.
Guarde a lógica do escalonamento: sistêmico → tópico ocular → corticoide tópico ocular (refratário). É exatamente essa progressão que separa as alternativas.
1Medidas não farmacológicas + lubrificante
2Anti-histamínico/estabilizador tópico
3Corticoide tópico (refratário)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Associar corticoide oral é uma conduta agressiva e desproporcional para conjuntivite alérgica sem sintomas sistêmicos graves. O corticoide oral é reservado para casos de rinite alérgica grave com repercussão na qualidade de vida, geralmente por curto período (5 a 10 dias), e não é o próximo passo para sintomas oculares isolados. Além disso, o uso sistêmico de corticoide traz riscos de efeitos adversos (hiperglicemia, hipertensão, supressão adrenal) que não se justificam nesse cenário.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Associar outro anti-histamínico oral de 2ª geração não é a conduta adequada, pois o paciente já usa bilastina (anti-histamínico oral de 2ª geração) e os sintomas oculares persistem. Trocar ou adicionar outro anti-histamínico oral da mesma classe não agrega benefício significativo, já que a via sistêmica tem eficácia limitada nos sintomas oculares (++ na tabela). A conduta correta é a terapia tópica ocular, que age diretamente no local da inflamação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Associar colírio lubrificante e anti-histamínico de 1ª geração é parcialmente correto (o lubrificante é útil), mas o anti-histamínico de 1ª geração por via oral não é a escolha ideal. Os anti-histamínicos de 1ª geração (como hidroxizina, dexclorfeniramina) atravessam a barreira hematoencefálica e causam sedação em até 55% dos pacientes, além de terem meia-vida curta, exigindo múltiplas doses diárias. Para sintomas oculares, a via tópica (colírio) é preferível à oral, e a classe de escolha é o anti-histamínico/estabilizador de mastócitos de 2ª geração.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Associar colírio lubrificante e colírio de anti-histamínico/estabilizador de membrana de mastócitos é a conduta correta. O colírio lubrificante (lágrima artificial) alivia o prurido e a sensação de corpo estranho, enquanto o colírio de anti-histamínico/estabilizador de mastócitos (como olopatadina, cetotifeno, azelastina) bloqueia a histamina e estabiliza os mastócitos, prevenindo a degranulação e a liberação de mediadores inflamatórios. Essa associação é a primeira linha para conjuntivite alérgica quando os sintomas persistem apesar do tratamento sistêmico, e é segura para uso em adolescentes.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Associar colírio de corticoide é uma conduta de segunda linha, reservada para casos refratários à terapia tópica convencional (anti-histamínico/estabilizador de mastócitos) e sempre sob supervisão oftalmológica, pelo risco de complicações como glaucoma, catarata e infecções oculares. No caso descrito, ainda não houve tentativa de terapia tópica não corticosteroide, portanto o corticoide tópico não é o próximo passo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre escalonar o tratamento sistêmico (corticoide oral, outro anti-histamínico oral) versus adicionar terapia tópica ocular. O paciente já está com tratamento otimizado para rinite, mas os sintomas oculares persistem — a conduta correta é direcionar o tratamento para os olhos, não intensificar o sistêmico. Fique atento: colírio de corticoide é reservado para refratários, não é primeira linha.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, lembre-se da escada terapêutica da conjuntivite alérgica: 1º) medidas não farmacológicas + lubrificante; 2º) anti-histamínico/estabilizador de mastócitos tópico; 3º) corticoide tópico (refratário, com acompanhamento oftalmológico). Se o paciente já usa anti-histamínico oral e corticoide nasal, o próximo passo é sempre a terapia tópica ocular.