Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
qq969928
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Alergia e Imunologia Pediátrica
Lactente de 7 meses que vinha ingerindo leite materno foi submetido, por 3 vezes, à tentativa de ingerir fórmula, apresentando reação de urticária e angioedema na sequência. Tem teste cutâneo alérgico positivo para leite de vaca e a mãe realizou desmame. Assinale a alternativa que apresenta o substituto para o leite materno nesse caso.
  1. AFórmula de leite de cabra.
  2. BFórmula de soja.
  3. CFórmula de leite sem lactose.
  4. DFórmula parcialmente hidrolisada.
  5. ENão há necessidade de substituto, pois a criança já iniciou introdução alimentar.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Fórmula de soja.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Alergia à proteína do leite de vaca: escolha do substituto

Gabarito: letra B. Em lactente com reação imediata (urticária e angioedema) e teste cutâneo positivo para leite de vaca, o substituto indicado é a fórmula de soja, desde que não haja alergia associada à soja. A fórmula de leite de cabra e a fórmula sem lactose não são adequadas por apresentarem reatividade cruzada ou não resolverem a alergia à proteína; a fórmula parcialmente hidrolisada não é indicada para tratamento de alergia já estabelecida, e a introdução alimentar não substitui o leite materno nesse contexto.

A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é a alergia alimentar mais comum na infância. Ela pode ser mediada por IgE (reação imediata, como urticária, angioedema, anafilaxia) ou não mediada por IgE (sintomas gastrointestinais tardios). No caso descrito, a reação é claramente IgE-mediada: urticária e angioedema logo após a ingestão, com teste cutâneo positivo. O diagnóstico é clínico e confirmado pela história e pelo teste alérgico.

Quando o aleitamento materno não é possível (aqui, a mãe realizou desmame), é preciso escolher uma fórmula que não desencadeie a reação. As opções são:

  • Fórmula extensamente hidrolisada: proteína do leite de vaca quebrada em peptídeos pequenos, com baixa alergenicidade. É a primeira escolha para a maioria dos casos de APLV.

  • Fórmula de aminoácidos: para casos graves ou quando a extensamente hidrolisada não resolve.

  • Fórmula de soja: alternativa para maiores de 6 meses, desde que não haja alergia à soja (que ocorre em cerca de 10-14% dos lactentes com APLV).

A fórmula de leite de cabra não é indicada porque há reatividade cruzada entre as proteínas do leite de cabra e do leite de vaca — a maioria das crianças alérgicas ao leite de vaca também reage ao leite de cabra. A fórmula sem lactose resolve apenas a intolerância à lactose (deficiência de lactase), não a alergia à proteína. A fórmula parcialmente hidrolisada é destinada à prevenção de alergia em crianças de risco, não ao tratamento de alergia já estabelecida — ela ainda contém peptídeos que podem desencadear reação. A introdução alimentar, aos 7 meses, não substitui o leite materno ou a fórmula: o leite de vaca integral não deve ser oferecido antes de 1 ano, e a criança ainda necessita de fonte láctea adequada.

A escolha entre fórmula extensamente hidrolisada e fórmula de soja depende da idade e da tolerância. Nesta questão, a alternativa correta é a fórmula de soja — provavelmente porque a banca considera que, em maiores de 6 meses, a fórmula de soja é uma opção válida e mais acessível, desde que não haja alergia à soja. A fórmula extensamente hidrolisada seria igualmente correta, mas não está entre as alternativas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre alergia à proteína e intolerância à lactose. A fórmula sem lactose (alternativa C) trata apenas a intolerância, não a alergia — que é uma reação imunológica à proteína, não uma incapacidade de digerir o açúcar. Além disso, a fórmula de leite de cabra (alternativa A) parece uma alternativa natural, mas tem reatividade cruzada com o leite de vaca.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A fórmula de leite de cabra não é substituto adequado. As proteínas do leite de cabra têm grande similaridade estrutural com as do leite de vaca, resultando em reatividade cruzada: a maioria dos lactentes alérgicos ao leite de vaca também reage ao leite de cabra. Portanto, não é uma opção segura.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A fórmula de soja é uma alternativa aceita para lactentes com APLV acima de 6 meses, desde que não haja alergia associada à soja. Como o lactente tem 7 meses e não há menção a alergia à soja, a fórmula de soja é o substituto indicado entre as opções apresentadas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A fórmula sem lactose resolve apenas a intolerância à lactose (deficiência de lactase), que causa sintomas gastrointestinais como diarreia e distensão abdominal. Na APLV, o problema é a proteína do leite, não o açúcar. A fórmula sem lactose ainda contém proteína do leite de vaca intacta, capaz de desencadear a reação alérgica (urticária e angioedema).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A fórmula parcialmente hidrolisada contém proteínas do leite de vaca parcialmente quebradas, que ainda podem desencadear reação alérgica em crianças já sensibilizadas. Ela é indicada apenas para prevenção de alergia em lactentes de risco, não para tratamento de APLV estabelecida. Para tratamento, seria necessária fórmula extensamente hidrolisada ou de aminoácidos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A introdução alimentar complementar, aos 7 meses, não substitui o leite materno ou a fórmula infantil. A criança ainda necessita de fonte láctea adequada para garantir aporte nutricional. Além disso, o leite de vaca integral não deve ser oferecido antes de 1 ano de idade. A criança precisa de um substituto do leite materno, e a introdução alimentar não cumpre esse papel.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/qq969928