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Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
qq969930
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Alergia e Imunologia Pediátrica
Criança de 3 anos, com histórico de mielomeningocele, sendo submetida a 6 cirurgias nos primeiros anos de vida, apresentando história familiar de atopia e história pessoal de rinite e dermatite, estava em um aniversário infantil, brincando de escultura de balões e, após alguns minutos, iniciou com urticária e angiedema. Havia ingerido suco de laranja e pastel de queijo (alimentos já ingeridos outras vezes). A mãe nega que a criança esteja doente ou gripada e negava uso de medicações nos últimos dias. Assinale a alternativa que apresenta a provável causa da reação alérgica dessa criança.
  1. AAlergia à proteína do leite.
  2. BAlergia à laranja.
  3. CAlergia ao látex.
  4. DAlergia à picada de himenópteros.
  5. EAlergia ao trigo.
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GabaritoC — Alergia ao látex.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Alergia ao látex em criança com mielomeningocele

Gabarito: letra C. A provável causa da reação alérgica é a alergia ao látex, pois a criança tem mielomeningocele (fator de risco clássico para sensibilização ao látex, devido a múltiplas exposições cirúrgicas precoces) e estava brincando com balões no momento do quadro — contato direto com látex. Os alimentos ingeridos (suco de laranja e pastel de queijo) já haviam sido tolerados antes, afastando alergia alimentar como causa provável.

A alergia ao látex é uma reação de hipersensibilidade imediata (Tipo I, mediada por IgE) às proteínas do látex natural da borracha. O quadro clínico típico inclui urticária, angioedema, rinite, asma e, em casos graves, anafilaxia. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história de exposição e nos sintomas, podendo ser confirmado por testes cutâneos ou dosagem de IgE específica.

Por que a mielomeningocele é um fator de risco tão importante? Crianças com mielomeningocele (espinha bífida) geralmente são submetidas a múltiplas cirurgias nos primeiros anos de vida (como as 6 cirurgias do caso), o que gera exposição repetida ao látex presente em luvas, sondas, cateteres e outros materiais hospitalares. Essa exposição precoce e intensa leva à sensibilização e ao desenvolvimento de IgE específica contra proteínas do látex. Estima-se que a prevalência de sensibilização ao látex em crianças com espinha bífida seja de 30% a 65%, muito superior à população geral (menos de 1%).

O gatilho do quadro: No aniversário, a criança estava brincando de escultura de balões. Balões são feitos de látex natural e, ao serem manipulados (esticados, soprados, atritados), liberam partículas de látex que podem ser inaladas ou entrar em contato com a pele. Em uma criança já sensibilizada, esse contato pode desencadear urticária e angioedema em poucos minutos — exatamente o que ocorreu.

Por que não é alergia alimentar? A criança ingeriu suco de laranja e pastel de queijo, alimentos que já havia ingerido outras vezes sem reação. Em alergia alimentar IgE-mediada, a reação costuma ocorrer após a exposição ao alimento específico, e a tolerância prévia a esses alimentos torna a alergia a eles improvável como causa do quadro agudo. Além disso, a associação temporal com a manipulação dos balões é muito mais forte.

A pegadinha da banca: A banca insere dados de atopia (rinite, dermatite, história familiar) e alimentos comuns em festas infantis para desviar a atenção para alergia alimentar. O candidato deve reconhecer que o fator de risco mais forte (mielomeningocele + múltiplas cirurgias) e o gatilho imediato (balões) apontam claramente para o látex.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato com a história de atopia e os alimentos ingeridos (laranja, queijo, trigo), que são distratores clássicos. O que decide a questão é o par mielomeningocele + múltiplas cirurgias (fator de risco) e balões (exposição ao látex). Lembre-se: em criança com espinha bífida, qualquer reação alérgica aguda em ambiente com balões ou procedimentos médicos deve levantar a suspeita de alergia ao látex.

1Fatores de risco
Mielomeningocele
Múltiplas cirurgias precoces
Exposição repetida ao látex hospitalar
2Gatilho
Balões (látex natural)
Contato/inalação de partículas
3Quadro clínico
Urticária
Angioedema
Anafilaxia (casos graves)
4Diagnóstico
Clínico (história + sintomas)
Teste cutâneo
IgE específica
Alergia ao látex
LEVELsoulevel.com.br
Alergia ao látex: Fatores de risco (Mielomeningocele, Múltiplas cirurgias precoces, Exposição repetida ao látex hospitalar); Gatilho (Balões (látex natural), Contato/inalação de partículas); Quadro clínico (Urticária, Angioedema, Anafilaxia (casos graves)); Diagnóstico (Clínico (história + sintomas), Teste cutâneo, IgE específica)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Alergia à proteína do leite (APLV) é uma alergia alimentar mediada por IgE (ou não IgE) que ocorre após ingestão de leite e derivados. No caso, a criança ingeriu pastel de queijo, que contém leite, mas já havia ingerido esse alimento outras vezes sem reação. A tolerância prévia torna a APLV improvável como causa do quadro agudo. Além disso, o gatilho imediato foi a manipulação de balões, não a ingestão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Alergia à laranja é uma alergia alimentar rara. A criança ingeriu suco de laranja, mas já havia ingerido antes sem problemas. A tolerância prévia afasta a alergia à laranja como causa provável. A reação ocorreu minutos após o contato com os balões, não após a ingestão do suco.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Alergia ao látex é a causa mais provável. A criança tem mielomeningocele e foi submetida a 6 cirurgias — fatores de risco clássicos para sensibilização ao látex. No momento da reação, estava brincando com balões (feitos de látex), o que explica o desencadeamento de urticária e angioedema em poucos minutos. A associação entre o fator de risco e o gatilho imediato torna o látex a hipótese diagnóstica mais forte.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Alergia à picada de himenópteros (abelhas, vespas, formigas) causa reações locais ou sistêmicas após a picada. No caso, não há relato de picada — a criança estava brincando com balões, não houve contato com insetos. A ausência do estímulo (picada) afasta essa hipótese.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Alergia ao trigo é uma alergia alimentar que ocorre após ingestão de alimentos com trigo (pão, massas, bolos). O pastel de queijo pode conter trigo na massa, mas a criança já havia ingerido esse alimento outras vezes sem reação. A tolerância prévia torna a alergia ao trigo improvável. Além disso, o gatilho imediato foi o contato com balões, não a ingestão.

Gabarito: letra C — alergia ao látex, confirmada pela associação entre mielomeningocele (múltiplas cirurgias) e exposição a balões no momento da reação.

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