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Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaAlergia e Imunologia
Código
qq969935
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Alergia e Imunologia Pediátrica
Adolescente do sexo masculino, 14 anos, é conduzido para atendimento por quadro de tosse, dispneia e sibilância há 4 dias, sem sinais de alerta e com saturação de oxigênio de 95%. Tem diagnóstico prévio de asma e utiliza formoterol com budesonida 6/200 mcg de 12/12 horas. Assinale a alternativa que apresenta a orientação mais recomendada para essa situação.
  1. ARealizar resgate com salbutamol (400 mcg a cada 6 horas).
  2. BRealizar resgate com o próprio formoterol com budesonida, com intervalos de 3 a 4 horas entre as doses.
  3. CRealizar prednisona 30 mg/dia por 5 dias.
  4. DRealizar prednisona 30 mg/dia e loratadina 10 mg/dia por 5 dias.
  5. ERealizar resgate com salbutamol 400 mcg intercalando a cada 4 horas com o formoterol com budesonida.
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GabaritoB — Realizar resgate com o próprio formoterol com budesonida, com intervalos de 3 a 4 horas entre as doses.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Asma: manejo da exacerbação leve a moderada em adolescente

Gabarito: letra B. Em paciente com asma em uso de formoterol com budesonida (terapia combinada de manutenção e resgate — SMART), a orientação mais recomendada para exacerbação leve a moderada, sem sinais de alerta e com saturação de 95%, é realizar resgate com o próprio formoterol com budesonida, com intervalos de 3 a 4 horas entre as doses, conforme as diretrizes atuais de manejo da asma (GINA). Essa conduta aproveita o rápido início de ação do formoterol (broncodilatador de longa duração com efeito rápido) associado ao corticosteroide inalatório, que trata a inflamação subjacente.

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por hiperresponsividade brônquica e obstrução variável ao fluxo aéreo, manifestando-se clinicamente por tosse, dispneia, sibilância e aperto no peito. O tratamento é escalonado conforme o controle da doença, e a exacerbação é definida como um episódio agudo ou subagudo de piora progressiva dos sintomas, que pode variar de leve a grave. No caso apresentado, o adolescente tem 14 anos, apresenta sintomas há 4 dias, sem sinais de alerta (como cianose, uso de musculatura acessória, fala entrecortada, sonolência) e saturação de oxigênio de 95% — o que caracteriza uma exacerbação leve a moderada, permitindo manejo ambulatorial.

A estratégia SMART (Symbicort Maintenance And Reliever Therapy) consiste em utilizar a associação de budesonida com formoterol tanto como medicação de manutenção (dose regular) quanto como medicação de resgate (dose adicional quando há sintomas). Essa abordagem é recomendada pelas principais diretrizes internacionais (GINA) para pacientes a partir de 12 anos com asma moderada a grave, pois o formoterol tem início de ação rápido (em poucos minutos), comparável ao salbutamol, e a budesonida adicional promove controle da inflamação precocemente, reduzindo o risco de exacerbações graves. O intervalo entre as doses de resgate deve ser de 3 a 4 horas, e a dose máxima diária não deve ser ultrapassada.

Na prática, o paciente que já utiliza a combinação budesonida/formoterol 6/200 mcg de 12/12 horas, ao apresentar sintomas de exacerbação, deve ser orientado a utilizar doses adicionais do mesmo dispositivo, com intervalo de 3 a 4 horas, até a melhora dos sintomas. Essa conduta é mais eficaz do que o uso isolado de broncodilatador de curta duração (salbutamol), pois além de aliviar o broncoespasmo, aumenta a dose do corticosteroide inalatório, tratando a inflamação que está causando a exacerbação. O uso de corticosteroide oral (prednisona) é reservado para exacerbações moderadas a graves, ou quando não há resposta ao tratamento inalatório de resgate, e não é a primeira escolha em exacerbação leve.

A distinção fundamental que a questão explora é entre o tratamento de resgate com broncodilatador de curta duração (salbutamol) e a estratégia SMART com a própria combinação budesonida/formoterol. Enquanto o salbutamol é o resgate clássico para pacientes que usam apenas corticosteroide inalatório de manutenção, a estratégia SMART é específica para pacientes que já utilizam a combinação budesonida/formoterol como manutenção, e nesses casos o resgate deve ser feito com o mesmo dispositivo. A banca testa exatamente esse conhecimento: o aluno que não conhece a estratégia SMART tenderia a escolher a alternativa com salbutamol, mas a conduta mais recomendada é o resgate com o próprio formoterol com budesonida.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que o paciente já está em uso de formoterol com budesonida, o que indica que ele se enquadra na estratégia SMART. O candidato que não domina esse conceito pode optar pelo salbutamol (alternativa A), que seria o resgate para pacientes em outras etapas do tratamento, ou pela prednisona (alternativas C e D), que é indicada para exacerbações mais graves. A alternativa E mistura as duas abordagens, o que não é recomendado. Portanto, o critério decisivo é identificar o esquema terapêutico de manutenção do paciente e aplicar a estratégia de resgate correspondente.

  1. 1Identificar exacerbação leve/moderada
  2. 2Resgate com budesonida/formoterol
  3. 3Intervalo de 3 a 4 horas
  4. 4Avaliar resposta e sinais de alerta
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O salbutamol é o broncodilatador de curta duração (SABA) usado como resgate em pacientes que não utilizam a estratégia SMART. No entanto, o paciente já está em uso de formoterol com budesonida, e a recomendação atual é que o resgate seja feito com o próprio dispositivo da combinação, não com salbutamol isolado. Além disso, a dose de 400 mcg a cada 6 horas não é a mais adequada para resgate em exacerbação leve, pois o intervalo ideal é menor (3 a 4 horas) e a via preferencial é o mesmo inalador da manutenção.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta mais recomendada para o paciente em uso de budesonida/formoterol (estratégia SMART). O formoterol tem início de ação rápido (broncodilatador de longa duração com efeito rápido), e a budesonida adicional promove controle da inflamação. O intervalo de 3 a 4 horas entre as doses de resgate é o recomendado pelas diretrizes, e essa abordagem reduz o risco de exacerbações graves em comparação com o uso isolado de SABA.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A prednisona oral é indicada para exacerbações moderadas a graves, ou quando não há resposta ao tratamento inalatório de resgate. No caso apresentado, o paciente tem exacerbação leve a moderada (saturação 95%, sem sinais de alerta), e a primeira linha de tratamento é o aumento da frequência do broncodilatador inalatório, não o corticosteroide oral imediato. O uso de prednisona seria considerado se houvesse piora ou falta de resposta ao resgate inalatório.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Além do erro da prednisona como primeira escolha (mesmo motivo da alternativa C), a associação com loratadina (anti-histamínico) não tem papel no tratamento da exacerbação aguda de asma. A loratadina é indicada para rinite alérgica ou urticária, não para broncoespasmo. A exacerbação de asma é mediada por inflamação eosinofílica e broncoconstrição, e os anti-histamínicos não têm efeito broncodilatador nem anti-inflamatório relevante nesse contexto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A intercalação de salbutamol com formoterol com budesonida não é uma conduta recomendada. O paciente que utiliza a estratégia SMART deve usar apenas o dispositivo combinado como resgate, sem necessidade de adicionar salbutamol. A combinação de dois broncodilatadores diferentes pode aumentar o risco de efeitos adversos (taquicardia, tremor) sem benefício adicional, e a estratégia SMART já demonstrou ser superior ao uso de SABA isolado.

Gabarito: letra B

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