Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qq969937
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Alergia e Imunologia Pediátrica
mãe à Unidade Básica de Saúde. Na investigação inicial do quadro, foi identificado IgA sérica inferior a 7 mg/dL. Não apresenta quadros infecciosos de repetição, tem peso adequado para idade e nega diarreia crônica. A mãe encontra-se preocupada, pois foi encaminhada da UBS para um especialista, pois lhe disseram que seu filho “tem um problema grave de imunidade”. Diante desse caso, assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada a ser realizada pelo especialista.
AOrientar que se trata de deficiência seletiva de IgA, quadro benigno, e dar alta.
BOrientar que possivelmente seja apenas deficiência seletiva de IgA, quadro benigno que exige apenas seguimento e avaliar as demais dosagens de imunoglobulinas.
CDosar as demais imunoglobulinas, complemento e avaliar imunofenotipagem de linfócitos para completar toda investigação de imunodeficiências. Antes disso, não é possível afirmar nada para a mãe.
DDosar as demais imunoglobulinas, complemento e avaliar imunofenotipagem de linfócitos para completar toda investigação de imunodeficiências, orientar sobre a gravidade e solicitar imunoglobulina humana para reposição mensal.
EDosar as demais imunoglobulinas, complemento e avaliar imunofenotipagem de linfócitos para completar toda investigação de imunodeficiências, orientar sobre a gravidade e prescrever uso de colostro para reposição de IgA.
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GabaritoB — Orientar que possivelmente seja apenas deficiência seletiva de IgA, quadro benigno que exige apenas seguimento e avaliar as demais dosagens de imunoglobulinas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Deficiência seletiva de IgA: conduta diagnóstica e seguimento
Gabarito: letra B. O achado de IgA sérica < 7 mg/dL em lactente assintomático, sem infecções de repetição, sugere fortemente deficiência seletiva de IgA — condição geralmente benigna e frequentemente assintomática. A conduta adequada é orientar a família sobre o caráter benigno, manter seguimento clínico e completar a investigação com dosagem das demais imunoglobulinas (IgG, IgM), pois há risco de evolução para imunodeficiência comum variável (IDCV) e associação com deficiência de subclasses de IgG. Não se trata de emergência, não há indicação de reposição de imunoglobulina humana nem de colostro, e a alta sem seguimento é inadequada.
A deficiência seletiva de IgA é a imunodeficiência primária mais comum, com incidência estimada em 1/320 a 1/800 nascidos vivos. Caracteriza-se por níveis séricos de IgA abaixo do limite inferior para a idade (tipicamente < 7 mg/dL, como no caso), com IgG e IgM normais. A maioria dos pacientes é assintomática ou apresenta apenas infecções leves de repetição, como otites e sinusites. Cerca de 50% dos casos são assintomáticos, o que explica o quadro clínico do lactente em questão: peso adequado, sem diarreia crônica e sem infecções de repetição.
O ponto central da conduta é o diagnóstico diferencial com a imunodeficiência comum variável (IDCV). A IDCV é uma imunodeficiência primária mais grave, caracterizada por redução de pelo menos duas das três classes principais de imunoglobulinas (IgG, IgM e IgA), com manifestações clínicas como infecções de repetição, diarreia crônica e doenças autoimunes. A deficiência seletiva de IgA pode evoluir para IDCV, e aproximadamente 25% dos indivíduos com deficiência de IgA podem apresentar deficiência concomitante de alguma subclasse de IgG. Por isso, a investigação inicial deve incluir a dosagem das demais imunoglobulinas (IgG e IgM) para afastar essa possibilidade.
Na prática, o especialista deve:
Orientar a mãe sobre o caráter geralmente benigno da condição, tranquilizando-a quanto ao diagnóstico provável.
Solicitar dosagem de IgG e IgM para completar a avaliação da imunidade humoral e afastar IDCV.
Manter seguimento clínico periódico, pois há risco de evolução para IDCV e de associação com doenças autoimunes.
Não indicar reposição de imunoglobulina humana — esta é reservada para imunodeficiências com defeito significativo de anticorpos e infecções de repetição, como agamaglobulinemia ligada ao X e IDCV sintomática.
Não prescrever colostro — não há evidência de benefício na reposição de IgA por via oral, e a IgA do colostro não é absorvida sistemicamente.
A alternativa B é a correta porque reflete exatamente essa conduta: orientar sobre o provável diagnóstico benigno, manter seguimento e avaliar as demais dosagens de imunoglobulinas. As demais alternativas erram ao afirmar que nada pode ser dito antes da investigação completa (C), ao indicar reposição de imunoglobulina humana (D) ou colostro (E), ou ao dar alta sem seguimento (A).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre deficiência seletiva de IgA (benigna, sem indicação de reposição) e imunodeficiência comum variável (grave, com indicação de imunoglobulina humana). O lactente é assintomático, o que aponta para o primeiro diagnóstico. Cuidado para não cair na tentação de "completar toda investigação" antes de dar qualquer orientação — a orientação inicial já pode ser dada com base no quadro clínico e na IgA baixa, desde que se solicitem as demais imunoglobulinas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que se trata de deficiência seletiva de IgA, quadro benigno, e dá alta. O erro está em dar alta sem seguimento. Embora o quadro seja geralmente benigno, há risco de evolução para IDCV e de associação com deficiência de subclasses de IgG, o que exige seguimento clínico e avaliação das demais imunoglobulinas. A alta sem acompanhamento é conduta inadequada.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta porque orienta sobre o provável diagnóstico benigno, mantém seguimento e solicita a dosagem das demais imunoglobulinas (IgG e IgM) para completar a investigação. Essa é a conduta adequada: tranquilizar a família, mas não descuidar da possibilidade de evolução para IDCV ou de deficiência associada de subclasses de IgG.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que "antes disso, não é possível afirmar nada para a mãe". O erro está em negar qualquer orientação inicial. Com base no quadro clínico (lactente assintomático, sem infecções de repetição) e na IgA < 7 mg/dL, já é possível orientar a família sobre a provável deficiência seletiva de IgA, quadro benigno, enquanto se completa a investigação. A conduta não é silenciar, mas orientar e investigar.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao orientar sobre a gravidade e solicitar imunoglobulina humana para reposição mensal. A deficiência seletiva de IgA não é grave na maioria dos casos, e a reposição de imunoglobulina humana é reservada para imunodeficiências com defeito significativo de anticorpos e infecções de repetição, como IDCV sintomática e agamaglobulinemia ligada ao X. Não há indicação de reposição neste caso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao prescrever colostro para reposição de IgA. Não há evidência de benefício na reposição de IgA por via oral, pois a IgA do colostro não é absorvida sistemicamente. Além disso, orientar sobre a gravidade é inadequado, pois o quadro é geralmente benigno. A conduta correta é orientar, seguir e investigar, sem intervenções desnecessárias.