Questão de Medicina — Traumas — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Traumas
Código
qq969965
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Cirurgia Bariátrica/Cirurgia Videolaparoscópica
Um paciente de 27 anos chega ao pronto atendimento após queda de nível elevado enquanto trabalhava. Apresenta frequência cardíaca de 125 bpm, frequência respiratória de 35 ipm e pressão arterial reduzida. Qual deve ser a perda estimada de sangue desse paciente e o tratamento/reposição mais adequado para ele?
A30-40% do seu volume de sangue / Reposição de cristaloide e coloide.
B15-20% do seu volume de sangue / Reposição de cristaloide e coloide.
C40-50% do seu volume de sangue / Reposição de cristaloide e sangue.
D20-30% do seu volume de sangue / Reposição de cristaloide e sangue.
E30-40% do seu volume de sangue / Reposição de cristaloide e sangue.
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GabaritoE — 30-40% do seu volume de sangue / Reposição de cristaloide e sangue.
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Choque hemorrágico: classificação e reposição volêmica
Gabarito: letra E. O paciente apresenta FC 125 bpm, FR 35 ipm e PA reduzida — quadro compatível com choque hemorrágico Classe III, cuja perda volêmica estimada é de 30-40% do volume sanguíneo, e o tratamento adequado envolve reposição de cristaloide e sangue (hemoderivados), conforme a classificação do Comitê de Trauma do American College of Surgeons (ATLS).
O choque hemorrágico é uma forma de choque hipovolêmico causada por perda aguda de sangue, e sua gravidade é estratificada em quatro classes com base em parâmetros clínicos objetivos: frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória, diurese e estado neurológico. Essa classificação é fundamental porque orienta tanto a estimativa da perda volêmica quanto a conduta terapêutica — desde a simples reposição com cristaloides até a transfusão maciça de hemoderivados.
A Classe III é um ponto crítico dessa escala: é a partir dela que a pressão arterial começa a cair de forma significativa, pois o organismo já não consegue compensar a hipovolemia apenas com vasoconstrição e taquicardia. O paciente do enunciado, com PA reduzida, FC > 120 bpm e FR entre 30-40 ipm, encaixa-se perfeitamente nessa classe. A perda volêmica estimada é de 1.500 a 2.000 mL, correspondendo a 30-40% da volemia total.
O tratamento da Classe III envolve reposição volêmica agressiva com cristaloides (Ringer lactato ou soro fisiológico) e, principalmente, a transfusão precoce de hemocomponentes — concentrado de hemácias, plasma e plaquetas, idealmente na proporção 1:1:1 (reanimação hemostática). Isso porque, nesse grau de perda, apenas cristaloides não são suficientes para restaurar a capacidade de transporte de oxigênio e os fatores de coagulação perdidos. A prioridade, contudo, é sempre o controle cirúrgico do sangramento.
A pegadinha clássica dessa questão está em associar a perda de 30-40% com reposição apenas de cristaloide e coloide (alternativa A), quando na verdade essa classe exige também hemoderivados. Outra armadilha é confundir as faixas de perda entre as classes — por exemplo, trocar a Classe III (30-40%) pela Classe II (15-30%) ou pela Classe IV (>40%).
Guarde a correlação entre os sinais clínicos e a classe do choque: é exatamente essa tabela que separa as alternativas corretas das incorretas.
1Classe I — até 15%
2Classe II — 15-30%
3Classe III — 30-40%
4Classe IV — >40%
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A perda de 30-40% está correta para a Classe III, mas o tratamento indicado está errado. Nessa classe, a reposição com cristaloide e coloide não é suficiente — é necessária a transfusão de hemocomponentes (sangue). A alternativa mistura a faixa de perda correta com uma conduta inadequada, que seria mais compatível com a Classe II.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A perda de 15-20% corresponde à Classe II (15-30%), não à Classe III. Além disso, o tratamento com cristaloide e coloide é típico da Classe II, onde a reposição com cristaloides geralmente é suficiente, mas a faixa de perda não condiz com o quadro clínico apresentado (FC 125, FR 35, PA reduzida).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A perda de 40-50% está acima da Classe III e corresponde à Classe IV (>40%), que cursa com FC > 140 bpm, rebaixamento do nível de consciência e diurese desprezível — quadro mais grave que o do enunciado. Embora o tratamento com cristaloide e sangue esteja correto para a Classe IV, a faixa de perda não se aplica ao paciente descrito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A perda de 20-30% está na faixa da Classe II (15-30%), não da Classe III. O tratamento com cristaloide e sangue seria mais agressivo que o necessário para a Classe II, mas a faixa de perda não corresponde ao quadro clínico (PA já reduzida indica Classe III ou IV).
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A perda de 30-40% corresponde exatamente à Classe III do choque hemorrágico, que se manifesta com FC > 120 bpm, FR 30-40 ipm e PA diminuída — todos os sinais presentes no paciente. O tratamento adequado envolve reposição de cristaloide e sangue (hemoderivados), pois nessa classe a reposição volêmica isolada com cristaloides é insuficiente, sendo necessária a transfusão precoce de hemocomponentes.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre "perda de 30-40%" e "reposição com cristaloide e coloide" (alternativa A), quando na verdade a Classe III exige também hemoderivados. Outra armadilha é inverter as faixas de perda entre as classes — decore a tabela: Classe I (até 15%), Classe II (15-30%), Classe III (30-40%), Classe IV (>40%).
PEGA ESSA DICA!
Para resolver rápido, memorize os pontos-chave de cada classe: a PA só cai na Classe III; a FC > 140 e o rebaixamento da consciência marcam a Classe IV. Se a PA está reduzida, a perda é de pelo menos 30% — e o tratamento inclui sangue.