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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq970056
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Dor
Como as doenças neurológicas apresentam curso variável, planejar a fase final de vida parece um desafio. As pesquisas sugerem que a intervenção precoce de cuidados paliativos melhora a qualidade de vida e a sobrevida e pode ser associada aos tratamentos curativos. Em relação aos cuidados paliativos em neurologia, assinale a alternativa correta.
  1. ANa fase terminal de doenças graves e incuráveis, é permitido ao médico limitar ou suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do paciente, garantindo-lhe os cuidados necessários para aliviar os sintomas que levam ao sofrimento, na perspectiva do cuidado integral, independente da vontade do paciente ou de seu representante legal.
  2. BEm pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), um distúrbio ventilatório restritivo com capacidade vital forçada <50% é um indicador de pior prognóstico.
  3. CDeve-se evitar os medicamentos opioides para controle de dor e dispneia em pacientes portadores de demência em fase final de vida.
  4. DO protocolo SPIKES é utilizado na definição das terapias de final de vida.
  5. EPacientes com diagnóstico de Acidente Vascular Cerebral com pontuação >3 na escala de Rankin têm melhor prognóstico.
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GabaritoB — Em pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), um distúrbio ventilatório restritivo com capacidade vital forçada <50% é um indicador de pior prognóstico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cuidados paliativos em neurologia: prognóstico e ética

Gabarito: letra B. Em pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), a capacidade vital forçada (CVF) < 50% do previsto é um marcador de pior prognóstico, pois reflete a progressão da fraqueza muscular respiratória e a iminência de insuficiência ventilatória. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou éticos: a limitação de tratamentos na fase terminal exige o consentimento do paciente ou de seu representante legal (não é independente da vontade), opioides são indicados para controle de dor e dispneia em demência avançada, o protocolo SPIKES é uma ferramenta de comunicação de más notícias (não de definição de terapias) e pontuação > 3 na escala de Rankin indica pior prognóstico funcional após AVC.

Os cuidados paliativos são uma abordagem que visa à qualidade de vida de pacientes com doenças que ameaçam a vida, integrando o controle de sintomas físicos, psicológicos, sociais e espirituais. Diferentemente do que muitos pensam, não se restringem ao fim da vida: devem ser iniciados precocemente, em conjunto com tratamentos modificadores da doença. No contexto das doenças neurológicas, como ELA, demências e sequelas de AVC, essa integração precoce é especialmente relevante, pois o curso é variável e imprevisível, e o sofrimento pode ser prolongado.

A autonomia do paciente é um pilar ético fundamental. Na fase terminal, o médico pode limitar ou suspender procedimentos que prolonguem a vida, mas isso deve ser feito em concordância com a vontade do paciente ou de seu representante legal, garantindo os cuidados para alívio do sofrimento. A decisão é compartilhada, nunca unilateral. O princípio da beneficência e o da não maleficência orientam que o tratamento deve ser proporcional e não fútil, mas a decisão final sobre aceitar ou recusar intervenções pertence ao paciente capaz ou, na sua incapacidade, ao representante legal.

O controle da dor e da dispneia é um dos objetivos centrais dos cuidados paliativos. Os opioides são medicamentos essenciais e seguros para esse fim, mesmo em pacientes com demência avançada, desde que usados com a devida titulação e monitorização. A preocupação com depressão respiratória é, na prática, menor que o benefício do alívio do sofrimento, e a analgesia adequada não acelera a morte quando bem indicada.

A comunicação de más notícias é uma habilidade crucial. O protocolo SPIKES (Setting, Perception, Invitation, Knowledge, Emotions, Strategy) é um método estruturado para comunicar más notícias ao paciente e à família, não para definir terapias de fim de vida. Ele organiza o diálogo, mas a decisão sobre tratamentos é um processo mais amplo, que envolve a discussão de prognóstico, valores e objetivos de cuidado.

No AVC, a escala de Rankin modificada avalia o grau de incapacidade funcional. Pontuações mais altas indicam maior dependência e pior prognóstico funcional. Portanto, um escore > 3 (que indica incapacidade moderada a grave) está associado a pior, e não melhor, prognóstico.

A alternativa B é a única que apresenta uma afirmação correta e específica sobre um marcador prognóstico em uma doença neurológica. A CVF é uma medida objetiva da função respiratória, e sua redução abaixo de 50% do valor previsto é um critério bem estabelecido para considerar intervenções como ventilação não invasiva e discutir diretivas antecipadas de vontade, pois indica risco iminente de insuficiência respiratória.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está em afirmar que a limitação ou suspensão de tratamentos pode ocorrer "independente da vontade do paciente ou de seu representante legal". Isso viola o princípio da autonomia. A decisão de limitar ou suspender procedimentos que prolongam a vida deve ser compartilhada, respeitando a vontade do paciente ou, na sua incapacidade, do representante legal. O médico pode oferecer e recomendar, mas não pode impor. A alternativa confunde o dever de não abandonar o paciente com a possibilidade de decidir unilateralmente.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A capacidade vital forçada (CVF) é um parâmetro espirométrico que mede o volume máximo de ar exalado com esforço máximo. Na ELA, a fraqueza dos músculos respiratórios leva a um padrão ventilatório restritivo, com redução da CVF. Valores abaixo de 50% do previsto são um indicador de pior prognóstico, associados a maior risco de insuficiência respiratória e morte. Esse é um critério clássico para iniciar discussões sobre ventilação não invasiva e planejamento de fim de vida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que se deve evitar opioides em pacientes com demência em fase final de vida é incorreta. Os opioides são a base do tratamento da dor moderada a intensa e da dispneia em cuidados paliativos, inclusive em pacientes com demência. A preocupação com efeitos adversos não contraindica seu uso; ao contrário, o alívio do sofrimento é um dever ético. A alternativa inverte a recomendação clínica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O protocolo SPIKES é uma ferramenta de comunicação de más notícias, estruturada em seis etapas (Setting, Perception, Invitation, Knowledge, Emotions, Strategy). Ele não é utilizado para definir terapias de fim de vida. A definição de terapias envolve discussão de prognóstico, valores do paciente e planejamento antecipado de cuidados, mas o SPIKES é apenas um método para conduzir a conversa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A escala de Rankin modificada avalia o grau de incapacidade após um AVC, variando de 0 (sem sintomas) a 6 (óbito). Pontuações mais altas indicam maior dependência e pior prognóstico funcional. Portanto, um escore > 3 (incapacidade moderada a grave) está associado a pior, e não melhor, prognóstico. A alternativa inverte a interpretação da escala.

Gabarito: letra B

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