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Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaEndocrinologia
Código
qq970059
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Dor
Paciente do sexo feminino, 36 anos, procura atendimento médico com queixa de diminuição de libido associada à galactorreia e amenorreia. Não há histórico patológico pregresso relevante. Dentro desse contexto, foram realizados estudos laboratoriais que mostraram beta-HCG dentro da normalidade e prolactina com valor de 265. Diante desse quadro, deve-seI. iniciar cabergolina com posologia diária;II. solicitar ressonância nuclear magnética com gadolínio;III. encaminhar a paciente para a realização de campimetria.É(são) correta(s):
  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas II e III.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Apenas II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Prolactinoma: abordagem diagnóstica e terapêutica

Gabarito: letra D. Diante de hiperprolactinemia (prolactina de 265 ng/mL) com galactorreia e amenorreia, a conduta correta é solicitar ressonância nuclear magnética (RNM) de sela túrcica com gadolínio (item II) e encaminhar para campimetria visual (item III), pois o quadro sugere fortemente um prolactinoma, e a avaliação de extensão tumoral e compressão quiasmática é essencial antes de iniciar o tratamento. O item I está incorreto porque a cabergolina deve ser iniciada com posologia semanal, e não diária.

A hiperprolactinemia é a causa mais comum de distúrbios do ciclo menstrual e galactorreia em mulheres em idade reprodutiva. O valor de prolactina de 265 ng/mL é marcadamente elevado (normal: até ~25 ng/mL), o que, na ausência de outras causas (como uso de medicamentos, hipotireoidismo ou gravidez — beta-HCG normal), aponta para um prolactinoma, o tumor secretor de prolactina mais frequente da hipófise. A tríade clássica — galactorreia, amenorreia e diminuição da libido — reflete o efeito da hiperprolactinemia sobre o eixo hipotálamo-hipófise-ovariano, inibindo a secreção de GnRH e, consequentemente, de FSH e LH.

A investigação de um prolactinoma não se limita à dosagem hormonal. A RNM de sela túrcica com gadolínio é o exame de imagem padrão-ouro para identificar e dimensionar o adenoma hipofisário, sendo indispensável antes de qualquer decisão terapêutica. Além disso, a campimetria visual é obrigatória quando há suspeita de macroadenoma (≥ 1 cm), pois a expansão tumoral pode comprimir o quiasma óptico, causando hemianopsia bitemporal. A compressão quiasmática é uma complicação grave que pode levar à perda visual irreversível, e sua detecção precoce orienta a urgência do tratamento.

O tratamento medicamentoso de primeira linha do prolactinoma é com agonistas dopaminérgicos, sendo a cabergolina a droga preferida por sua maior eficácia e melhor tolerabilidade. A posologia inicial padrão é de 0,25 a 0,5 mg, duas vezes por semana (ou seja, semanal), com ajuste gradual conforme a resposta clínica e laboratorial. A administração diária não é a conduta recomendada e pode aumentar os efeitos colaterais sem benefício adicional. A bromocriptina, alternativa mais antiga, é usada em doses diárias, mas a cabergolina, por sua meia-vida longa, é utilizada em esquema semanal.

A distinção crucial nesta questão é entre a conduta diagnóstica (RNM e campimetria) e a conduta terapêutica (cabergolina). A banca explora o erro de iniciar o tratamento sem a adequada investigação de extensão tumoral e sem o correto esquema posológico. O raciocínio clínico correto é: primeiro, confirmar e caracterizar o tumor (RNM), avaliar o comprometimento visual (campimetria) e, só então, iniciar a cabergolina na dose e frequência adequadas. É exatamente essa sequência que separa as alternativas corretas das incorretas.

Item

Afirmação

Correto?

Justificativa

I

Iniciar cabergolina com posologia diária

❌

A cabergolina é administrada 1–2x/semana (posologia diária é da bromocriptina); além disso, a RNM deve preceder o tratamento.

II

Solicitar RNM de sela túrcica com gadolínio

✅

Exame padrão-ouro para confirmar/dimensionar o prolactinoma (micro/macroadenoma) antes da conduta.

III

Encaminhar para campimetria visual

✅

Obrigatória na suspeita de macroadenoma para rastrear compressão do quiasma óptico (hemianopsia bitemporal).

  1. 1Dosar prolactina
  2. 2RNM sela túrcica com gadolínio
  3. 3Campimetria visual
  4. 4Cabergolina semanal
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Item I — ❌ Incorreto

O item afirma que se deve "iniciar cabergolina com posologia diária". Isso está errado por dois motivos: (1) a cabergolina, agonista dopaminérgico de ação prolongada, é administrada uma ou duas vezes por semana, não diariamente; (2) antes de iniciar o tratamento, é mandatória a realização de RNM para excluir/confirmar macroadenoma e avaliar risco de compressão de estruturas adjacentes. A posologia diária é característica da bromocriptina, não da cabergolina — é a troca clássica que a banca faz.

Item II — ✅ Correto

A RNM de sela túrcica com gadolínio é o exame de imagem de escolha para avaliação de tumores hipofisários. Diante de hiperprolactinemia acentuada (265 ng/mL) com sintomas típicos de prolactinoma, a RNM é indispensável para confirmar o diagnóstico, dimensionar o tumor (micro ou macroadenoma) e planejar a conduta. O uso de contraste (gadolínio) permite melhor caracterização da lesão. Este item está correto.

Item III — ✅ Correto

A campimetria visual (ou campimetria computadorizada) é um exame essencial na avaliação de tumores hipofisários, especialmente quando há suspeita de macroadenoma. A compressão do quiasma óptico pelo tumor pode causar hemianopsia bitemporal, e a detecção precoce dessa complicação é crucial para evitar perda visual permanente. Mesmo que a paciente não refira queixas visuais, a campimetria deve ser solicitada como parte da avaliação inicial de rotina. Este item está correto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a posologia da cabergolina (semanal) pela da bromocriptina (diária) e, de quebra, induz o candidato a iniciar o tratamento sem a investigação de imagem. O erro clássico é marcar o item I como correto por associar "tratamento de prolactinoma" a "cabergolina", esquecendo que a dose e a frequência estão erradas e que a RNM precede a terapia. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

NÃO CAIA NESSA!

Para questões de prolactinoma, decore a sequência: dosagem de prolactina → RNM de sela túrcica com gadolínio → campimetria visual → agonista dopaminérgico (cabergolina semanal). A banca adora inverter a ordem ou trocar a posologia. Lembre-se: cabergolina = semanal; bromocriptina = diária.

Gabarito: letra D — corretos os itens II e III.

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