Questão de Medicina — Pneumologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Pneumologia
Código
qq970079
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Dor
Um paciente do sexo masculino, 65 anos, com histórico de asma crônica, procurou a urgência referindo tosse seca, dispneia, hemoptise e febre baixa há dois meses. Ele relatou que estava em uso regular de corticoides inalatórios e orais para controlar sua asma. Mesmo assim, os sintomas pioraram progressivamente. Seu exame clínico revelou sons diminuídos em hemitórax D, em terço médio. Foi realizada uma revisão laboratorial e uma TC de tórax que mostrou a alteração a seguir.Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável diante desse exame e apresentação clínica.
APneumonia bacteriana.
BPneumonia por CMV.
CPneumonia por MAC.
DPneumonia por aspergillus spp.
ECarcinoma de pequenas células.
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GabaritoD — Pneumonia por aspergillus spp.
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Aspergilose pulmonar em paciente asmático: o diagnóstico diferencial
Gabarito: letra D. O quadro clínico de tosse seca, dispneia, hemoptise e febre baixa por dois meses, em paciente com asma crônica em uso de corticoides, associado a achado tomográfico compatível, aponta para aspergilose pulmonar — mais especificamente, a forma crônica ou a aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA) complicando a asma. A pista central é a hemoptise em um paciente asmático, que foge do padrão habitual da doença e levanta a suspeita de uma complicação fúngica. A aspergilose é uma infecção causada pelo fungo Aspergillus spp., que pode se manifestar de diversas formas, dependendo do estado imunológico do hospedeiro e da presença de doença pulmonar prévia. Em pacientes com asma, a forma mais característica é a aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA), uma reação de hipersensibilidade ao fungo que coloniza as vias aéreas sem invadir o parênquima. Já em pacientes com doença pulmonar estrutural (como bronquiectasias ou tuberculose prévia), pode ocorrer a aspergilose pulmonar crônica, que cursa com cavitações e sintomas sistêmicos arrastados. A apresentação clínica do paciente — sintomas por dois meses, febre baixa, hemoptise — é compatível com ambas, e a TC de tórax é o exame que diferencia. O que torna o diagnóstico de aspergilose mais provável que as demais alternativas é a combinação de fatores: (1) asma de base, que é o principal fator de risco para ABPA; (2) uso de corticoides, que, embora seja o tratamento da asma, pode favorecer a colonização fúngica em alguns casos; (3) hemoptise, que é um sintoma de alarme e sugere complicação; e (4) evolução arrastada (dois meses), incomum para pneumonia bacteriana típica. A pneumonia bacteriana costuma ter início agudo, com febre alta, e a hemoptise, quando presente, é mais discreta. As pneumonias por CMV e MAC são mais comuns em imunossuprimidos graves (como transplantados ou pacientes com AIDS), o que não é o caso. O carcinoma de pequenas células é uma possibilidade, mas a apresentação com febre e o contexto de asma crônica tornam a aspergilose mais provável. A imagem da TC de tórax é decisiva. Na ABPA, os achados típicos incluem bronquiectasias centrais (em localização proximal), impactação mucoide (tampões de muco nos brônquios) e opacidades transitórias. Na aspergilose pulmonar crônica, observam-se cavitações com bola fúngica (aspergiloma) no interior, além de espessamento pleural. A descrição de "sons diminuídos em hemitórax D, em terço médio" sugere uma lesão localizada, que pode corresponder a uma consolidação, uma cavidade ou uma massa — todos compatíveis com aspergilose. A pegadinha desta questão está em não se deixar levar pela febre e pelos sintomas respiratórios, que sugerem pneumonia bacteriana à primeira vista. A banca monta um quadro que parece uma pneumonia comum, mas insere pistas sutis — a cronicidade (dois meses), a hemoptise e o contexto de asma — que apontam para o fungo. O candidato que não conhece a apresentação da aspergilose em asmáticos tende a marcar a alternativa A, que é o diagnóstico mais "óbvio".
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre pneumonia bacteriana e aspergilose. O quadro de tosse, febre e dispneia parece uma pneumonia comum, mas a cronicidade (2 meses) e a hemoptise em um paciente asmático são as pistas que desviam para o fungo. A pneumonia bacteriana típica é aguda (dias), com febre alta e melhora com antibiótico — não se arrasta por dois meses. Guarde: hemoptise + asma + evolução arrastada = pensar em Aspergillus.
Aspergilose pulmonar
1Formas clínicas
ABPA (asma)
Bronquiectasias centrais
Impactação mucoide
Crônica (doença estrutural)
Cavitações
Bola fúngica
2Pistas diagnósticas
Hemoptise
Evolução arrastada (2 meses)
Asma de base
3Diagnósticos diferenciais
Pneumonia bacteriana (aguda)
CMV (imunossuprimido grave)
MAC (doença estrutural)
Carcinoma (tabagismo)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A pneumonia bacteriana típica tem início agudo (horas a poucos dias), com febre alta, calafrios, tosse produtiva com expectoração purulenta e dor torácica. O paciente apresenta sintomas por dois meses, o que é incompatível com o curso natural da doença. Além disso, a hemoptise, embora possa ocorrer, não é o sintoma mais proeminente. O contexto de asma crônica e o uso de corticoides não são fatores de risco específicos para pneumonia bacteriana, mas sim para aspergilose.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A pneumonia por CMV (citomegalovírus) é uma infecção oportunista que ocorre quase exclusivamente em imunossuprimidos graves: transplantados de órgãos sólidos ou de medula óssea, pacientes com AIDS (CD4 muito baixo) ou em quimioterapia. O paciente em questão tem asma, mas não há relato de imunossupressão significativa — o uso de corticoides para asma, embora possa ter algum efeito imunossupressor, não é o cenário típico de pneumonia por CMV. Além disso, a apresentação clínica (hemoptise, evolução arrastada) não é característica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A pneumonia por MAC (Mycobacterium avium complex) é uma micobacteriose não tuberculosa que afeta principalmente pacientes com doença pulmonar estrutural prévia (DPOC, bronquiectasias, fibrose) ou imunossuprimidos. O quadro clínico é crônico e indolente, com tosse, febre baixa e perda de peso, o que poderia se assemelhar ao caso. No entanto, o contexto de asma e a hemoptise como sintoma proeminente apontam mais fortemente para aspergilose. Além disso, a imagem típica de MAC (nódulos centrolobulares, bronquiectasias) difere da descrição fornecida.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A aspergilose pulmonar é a complicação mais característica da asma crônica, especialmente na forma de aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA). O quadro clínico de tosse seca, dispneia, hemoptise e febre baixa por dois meses, em paciente asmático, é clássico. A TC de tórax mostra bronquiectasias centrais, impactação mucoide ou cavitações com bola fúngica, dependendo da forma. O uso de corticoides, embora seja o tratamento da asma, pode estar associado à colonização fúngica em alguns casos. A hemoptise é um sintoma de alarme que reforça a suspeita.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O carcinoma de pequenas células é um tumor neuroendócrino agressivo, fortemente associado ao tabagismo. O paciente não tem história de tabagismo relatada, e a apresentação com febre baixa e evolução arrastada é mais compatível com processo infeccioso/inflamatório. Embora a hemoptise e a lesão pulmonar possam ocorrer no carcinoma, o contexto de asma crônica e a ausência de fatores de risco tornam a aspergilose um diagnóstico mais provável. A imagem da TC também ajudaria a diferenciar: o carcinoma costuma se apresentar como massa hilar com linfonodomegalia, enquanto a aspergilose tem padrões mais específicos. Gabarito: letra D — Pneumonia por aspergillus spp.