Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Médico da Família — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaMédico da Família
Código
qq970137
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Emergência Pediátrica
Em relação aos Cuidados Paliativos (CPs) em pediatria, assinale a alternativa correta.
  1. APode ser definida como uma estratégia terapêutica que visa à qualidade de vida dos familiares de um paciente em situações de doenças limitadoras da vida.
  2. BTem como proposta abreviar o fim da vida de pacientes com doenças intratáveis, garantindo o conforto e evitando o sofrimento.
  3. CCrianças com doenças crônicas e doenças ameaçadoras da vida não são elegíveis aos CPs.
  4. DOs CPs podem ser coordenados em qualquer local do hospital, inclusive nas salas de emergência.
  5. ENo tratamento da dor dos pacientes paliativos, em emergências, o uso de opioides deve ser evitado, uma vez que causam constipação e retenção urinária, além de terem potencial aditivo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Os CPs podem ser coordenados em qualquer local do hospital, inclusive nas salas de emergência.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cuidados Paliativos em Pediatria

Gabarito: letra D. Os Cuidados Paliativos (CPs) são uma abordagem que promove a qualidade de vida de pacientes e seus familiares que enfrentam doenças que ameaçam a continuidade da vida, podendo ser aplicados em qualquer local do hospital, inclusive nas salas de emergência — é exatamente essa flexibilidade de cenário que a alternativa D espelha. A definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), revista em 2002, é a base conceitual que sustenta a resposta.

Os Cuidados Paliativos são frequentemente mal compreendidos como uma estratégia exclusiva para o fim da vida, reservada apenas a pacientes terminais. Essa visão é um erro conceitual grave. A definição da OMS, de 2002, é bem mais abrangente: trata-se de uma abordagem que promove a qualidade de vida de pacientes e seus familiares que enfrentam doenças que ameaçam a continuidade da vida, por meio da prevenção e do alívio do sofrimento. Isso significa que os CPs não se limitam ao momento da morte — eles podem e devem ser iniciados precocemente, desde o diagnóstico de uma doença ameaçadora da vida, e aplicados em qualquer fase da doença, inclusive em situações de emergência.

Na prática, os CPs envolvem uma equipe multidisciplinar que cuida não apenas da dor física, mas também dos aspectos psicológicos, sociais e espirituais do paciente e de sua família. O cuidado é centrado na pessoa, não na doença. Por exemplo, uma criança com uma doença crônica complexa, como uma cardiopatia congênita grave, pode se beneficiar dos CPs desde o diagnóstico, mesmo que ainda esteja recebendo tratamento curativo. Os CPs não são uma alternativa ao tratamento curativo, mas sim um complemento que visa melhorar a qualidade de vida em todas as etapas.

Uma distinção crucial que a banca explora é a diferença entre Cuidados Paliativos e eutanásia. Os CPs nunca têm como objetivo abreviar a vida. Pelo contrário, eles buscam aliviar o sofrimento e permitir a morte natural, quando ela ocorrer, com dignidade e conforto. A eutanásia, que é a aceleração intencional do processo de morte, não faz parte dos princípios dos CPs e é eticamente e legalmente distinta de permitir a morte natural. Essa confusão é uma armadilha clássica em questões sobre o tema.

Outro ponto importante é que os CPs podem ser oferecidos em qualquer ambiente de saúde. No hospital, isso inclui enfermarias, unidades de terapia intensiva e, sim, as salas de emergência. No departamento de emergência, os princípios dos CPs são aplicados para aliviar sintomas, comunicar más notícias e alinhar o plano de cuidados com os valores do paciente e da família, mesmo em situações agudas. A ideia de que os CPs são exclusivos de um local específico, como uma enfermaria de cuidados terminais, é ultrapassada e incorreta.

Guarde a fronteira entre os conceitos de "qualidade de vida" e "abreviação da vida", e entre "doença ameaçadora da vida" e "doença terminal": é exatamente nessas distinções que as alternativas se dividem.

1Conceito
Qualidade de vida (paciente + família)
Doença que ameaça a vida
Prevenção e alívio do sofrimento
2Princípios
Início precoce (desde o diagnóstico)
Complementa o tratamento curativo
Morte natural com dignidade
Nunca abrevia a vida (≠ eutanásia)
3Locais de aplicação
Enfermarias
UTI
Salas de emergência
4Tratamento da dor
Opioides são a base
Efeitos colaterais manejáveis
Cuidados Paliativos (OMS, 2002)
LEVELsoulevel.com.br
Cuidados Paliativos (OMS, 2002): Conceito (Qualidade de vida (paciente + família), Doença que ameaça a vida, Prevenção e alívio do sofrimento); Princípios (Início precoce (desde o diagnóstico), Complementa o tratamento curativo, Morte natural com dignidade, Nunca abrevia a vida (≠ eutanásia)); Locais de aplicação (Enfermarias, UTI, Salas de emergência); Tratamento da dor (Opioides são a base, Efeitos colaterais manejáveis)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa restringe os CPs à qualidade de vida dos familiares, mas a definição da OMS é clara: a abordagem promove a qualidade de vida de pacientes e seus familiares. O paciente é o centro do cuidado, e a família é incluída como unidade de cuidado, mas não é o único foco. A alternativa erra ao excluir o paciente do objetivo central dos CPs.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Esta é a alternativa que confunde Cuidados Paliativos com eutanásia. Os CPs nunca têm como proposta abreviar o fim da vida. Pelo contrário, a abordagem visa aliviar o sofrimento e promover qualidade de vida, permitindo a morte natural quando ela ocorrer. A eutanásia, que é a aceleração intencional da morte, é ética e legalmente distinta e não faz parte dos princípios dos CPs. A alternativa inverte completamente o conceito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que crianças com doenças crônicas e doenças ameaçadoras da vida não são elegíveis aos CPs. Isso é exatamente o oposto da verdade. A definição da OMS abrange pacientes que enfrentam doenças que ameaçam a continuidade da vida, o que inclui crianças com doenças crônicas complexas. Os CPs devem ser oferecidos precocemente, desde o diagnóstico, e não apenas no fim da vida. A alternativa nega a elegibilidade justamente para o público que mais se beneficia.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que os CPs podem ser coordenados em qualquer local do hospital, inclusive nas salas de emergência. Os princípios dos CPs são aplicáveis em todos os cenários de atendimento, incluindo o departamento de emergência, onde são utilizados para alívio de sintomas, comunicação de más notícias e alinhamento do plano de cuidados com os valores do paciente e da família. Não há restrição de local para a aplicação dos CPs.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o uso de opioides deve ser evitado em pacientes paliativos em emergências, citando efeitos colaterais como constipação, retenção urinária e potencial aditivo. Isso é um erro grave. Os opioides são a base do tratamento da dor moderada a intensa em Cuidados Paliativos, inclusive em situações de emergência. Embora possam causar efeitos colaterais como constipação, esses são manejáveis e não justificam a privação do alívio da dor. O potencial aditivo é uma preocupação menor em pacientes com doença avançada, onde o controle da dor é a prioridade. A alternativa demonstra um receio infundado que contraria as diretrizes de CPs.

Gabarito: letra D — os Cuidados Paliativos podem ser coordenados em qualquer local do hospital, inclusive nas salas de emergência.

Link permanente: /questoes/qq970137