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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq970139
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Emergência Pediátrica
A respeito da encefalite aguda em pediatria, assinale a alternativa correta.
  1. AÉ uma síndrome neurológica branda e raramente fatal, que acomete sobretudo crianças.
  2. BÉ uma das emergências médicas mais frequentes e é facilmente tratável.
  3. CAs causas etiológicas mais comuns são as infecções virais e as doenças autoimunes.
  4. DAs encefalopatias agudas pós-infecciosas correspondem a dois terços dos casos e, na grande maioria das vezes, é possível a identificação do agente etiológico.
  5. EÉ mais frequente em crianças com mais de 1 ano de idade e geralmente não acomete crianças saudáveis.
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GabaritoC — As causas etiológicas mais comuns são as infecções virais e as doenças autoimunes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Encefalite aguda em pediatria

Gabarito: letra C. A encefalite aguda é uma síndrome neurológica grave e potencialmente fatal, e as causas etiológicas mais comuns são as infecções virais e as doenças autoimunes (encefalites mediadas por anticorpos). As demais alternativas distorcem a gravidade, a frequência, a tratabilidade, a epidemiologia e a identificação etiológica da doença.

A encefalite é uma inflamação do parênquima cerebral, quase sempre acompanhada de disfunção neurológica (alteração do nível de consciência, convulsões, déficits focais). Diferentemente da meningite, que acomete as meninges, a encefalite atinge o próprio tecido cerebral. Trata-se de uma emergência médica real: a taxa de letalidade varia de 3,8% a 7,4% e é ainda maior em pacientes imunocomprometidos, como os infectados pelo HIV. Além da mortalidade, há alta morbidade entre os sobreviventes, com sequelas que exigem reabilitação prolongada ou cuidados especializados. Portanto, não é uma síndrome "branda" nem "raramente fatal" — é uma condição grave que exige diagnóstico e tratamento urgentes.

As causas são divididas em infecciosas e não infecciosas. Entre as infecciosas, os vírus são os agentes mais comuns (herpes-vírus simples tipo 1, enterovírus, vírus do Nilo Ocidental, varicela-zóster), mas bactérias, fungos e parasitas também podem causar a doença. Entre as não infecciosas, destacam-se as encefalites autoimunes, que constituem um grupo de doenças inflamatórias do cérebro associadas a anticorpos contra proteínas de superfície neuronal, canais iônicos ou receptores. A forma mais comum de encefalite autoimune é a associada a anticorpos contra o receptor N-metil-D-aspartato (NMDAR). A encefalite autoimune pode ser a terceira causa mais comum de encefalite, o que reforça a importância de considerá-la no diagnóstico diferencial.

Um dos maiores desafios na encefalite é que nenhum patógeno é identificado em 50 a 70% dos casos. Isso significa que, na grande maioria das vezes, não é possível identificar o agente etiológico, contrariando a alternativa D. Além disso, é preciso distinguir a encefalite infecciosa da encefalite pós-infecciosa ou pós-imunização (encefalomielite), que é mediada por resposta imunológica a infecção ou imunização anteriores. Até 10% dos pacientes apresentam causa não infecciosa, como síndromes paraneoplásicas, vasculites ou distúrbios vasculares do colágeno.

A encefalite pode acometer crianças de qualquer idade, incluindo menores de 1 ano, e não poupa crianças saudáveis. A apresentação clínica é frequentemente inespecífica, com febre, cefaleia, alteração do comportamento e do nível de consciência, convulsões e déficits neurológicos focais. O diagnóstico exige alto índice de suspeição e investigação com exames de imagem, eletroencefalograma e análise do líquido cefalorraquidiano. O tratamento é urgente e inclui terapia antiviral empírica (quando há suspeita de herpes) e imunomodulação nas suspeitas de causa autoimune.

Guarde a fronteira entre o que a encefalite é (grave, potencialmente fatal, emergência) e o que ela não é (branda, raramente fatal, facilmente tratável, restrita a crianças maiores ou não saudáveis). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Encefalite aguda
  • 1O que é
    • Inflamação do parênquima cerebral
    • Disfunção neurológica
    • Emergência médica
    • Grave e potencialmente fatal
  • 2Etiologia
    • Infecciosa
      • Vírus (HSV-1, enterovírus)
      • Bactérias, fungos, parasitas
    • Autoimune
      • Anti-NMDAR (mais comum)
      • Pós-infecciosa
  • 3Desafios
    • 50-70% sem agente identificado
    • Tratamento urgente
      • Antiviral empírico
      • Imunomodulação
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A encefalite aguda não é uma síndrome neurológica branda e raramente fatal. Pelo contrário, é uma condição grave, com taxa de letalidade que varia de 3,8% a 7,4% e alta morbidade entre os sobreviventes, com sequelas que exigem reabilitação prolongada ou cuidados especializados. A banca inverte a gravidade da doença: troca "grave e potencialmente fatal" por "branda e raramente fatal".

Alternativa B — ❌ Incorreta

A encefalite não é uma das emergências médicas mais frequentes, nem é facilmente tratável. Embora seja uma emergência médica real, sua frequência é relativamente baixa (a taxa de internação em um estudo foi de 7,3 por 100.000 indivíduos). Além disso, o tratamento é desafiador: em 50 a 70% dos casos nenhum patógeno é identificado, o que dificulta a terapia específica. A alternativa erra tanto na frequência quanto na tratabilidade.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

As causas etiológicas mais comuns de encefalite são as infecções virais e as doenças autoimunes. Os vírus são os agentes infecciosos mais frequentes (herpes-vírus simples tipo 1, enterovírus, vírus do Nilo Ocidental, varicela-zóster), e a encefalite autoimune pode ser a terceira causa mais comum de encefalite, com a forma anti-NMDAR sendo a mais prevalente. A alternativa espelha corretamente a etiologia da doença.

Alternativa D — ❌ Incorreta

As encefalopatias agudas pós-infecciosas não correspondem a dois terços dos casos, e na grande maioria das vezes não é possível identificar o agente etiológico. Na verdade, nenhum patógeno é identificado em 50 a 70% dos casos. A alternativa erra ao afirmar que a identificação etiológica é possível na grande maioria das vezes, quando o oposto é verdadeiro.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A encefalite não é mais frequente em crianças com mais de 1 ano de idade, nem deixa de acometer crianças saudáveis. A doença pode ocorrer em qualquer idade, incluindo lactentes, e não poupa crianças previamente hígidas. A alternativa erra ao restringir a faixa etária e ao sugerir que crianças saudáveis não são acometidas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter a gravidade e a frequência da encefalite. Na alternativa A, troca "grave e potencialmente fatal" por "branda e raramente fatal"; na B, exagera a frequência e a tratabilidade; na D, inverte a identificação etiológica (diz que é possível na maioria, quando não é). Fique atento a esses exageros e inversões — com treino, você os enxerga de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre encefalite, memorize o tripé: (1) é grave e potencialmente fatal; (2) causas mais comuns são virais e autoimunes; (3) em 50-70% dos casos não se identifica o agente. Se a alternativa contrariar qualquer um desses pontos, descarte-a.

Gabarito: letra C

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