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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq970153
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Emergência Pediátrica
Homem, 35 anos, procura atendimento após quadro de TCE por queda da própria altura, com perda de consciência no ato. Em admissão hospitalar, apresentava-se lúcido, com escoriações em topografia de região temporal direita, e queixa de cefaleia progressiva. Considerando o caso apresentado, assinale a alternativa correta.
  1. ATrata-se de um caso de concussão cerebral, sendo necessários manejos iniciais, como sutura de lesões, se for o caso, e alta com orientações.
  2. BTrata-se de um caso provável de fratura de calota craniana, devendo-se solicitar radiografia de crânio e face para melhor avaliação.
  3. CTrata-se de um caso provável de hematoma epidural, sendo necessário manter o paciente em observação e prosseguir a realização de TC de crânio sem contraste.
  4. DTrata-se de um caso provável de hematoma subaracnoide, sendo necessário estabilização hemodinâmica e, após, seguimento ambulatorial com neurocirurgia.
  5. ETrata-se de provável caso de lesão axonal difusa. Deve-se estabilizar e solicitar avaliação de neurologista de sobreaviso.
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GabaritoC — Trata-se de um caso provável de hematoma epidural, sendo necessário manter o paciente em observação e prosseguir a realização de TC de crânio sem contraste.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Traumatismo Cranioencefálico: Hematoma Epidural

Gabarito: letra C. O quadro descrito — TCE por queda da própria altura, perda de consciência no ato, escoriação em região temporal e cefaleia progressiva — é a apresentação clássica do hematoma epidural (extradural), cuja conduta inicial é manter o paciente em observação e realizar TC de crânio sem contraste para confirmar o diagnóstico e avaliar a necessidade de intervenção. A alternativa correta é a C.

O hematoma epidural é uma coleção de sangue coagulado entre a dura-máter e o osso craniano, geralmente decorrente de fratura temporal que lesa a artéria meníngea média. O quadro clássico é o "intervalo lúcido" — o paciente perde a consciência no momento do trauma, recupera-se e, horas depois, apresenta deterioração neurológica com cefaleia progressiva, vômitos e rebaixamento do nível de consciência. A escoriação em topografia temporal é um forte indicativo do ponto de impacto, exatamente onde a artéria meníngea média passa, o que torna o hematoma epidural a hipótese mais provável.

A conduta diante da suspeita de hematoma epidural é manter o paciente em observação rigorosa e realizar TC de crânio sem contraste, que mostrará a imagem biconvexa (formato de "lente") característica. A TC é o exame de escolha na avaliação inicial do TCE, pois identifica rapidamente sangramentos, fraturas e desvios de linha média. O tratamento definitivo, quando indicado, é cirúrgico (craniotomia para evacuação do hematoma), mas a decisão depende do tamanho da lesão, do nível de consciência e da presença de sinais de herniação.

É importante distinguir o hematoma epidural de outras lesões intracranianas traumáticas, pois cada uma tem apresentação e manejo próprios. O hematoma subdural, por exemplo, tem imagem em crescente e costuma estar associado a lesão venosa, sendo mais comum em idosos e pacientes anticoagulados. A hemorragia subaracnóidea traumática decorre da rotação do encéfalo e geralmente não requer intervenção cirúrgica. A lesão axonal difusa é causa de coma imediato sem lesão visível na TC. A concussão cerebral é uma disfunção temporária sem anormalidades estruturais no parênquima.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que a cefaleia progressiva após TCE com perda de consciência não é um quadro benigno de concussão, mas sim um sinal de alerta para sangramento intracraniano expansivo. O candidato que associa "queda da própria altura" a trauma leve pode subestimar o caso, mas a topografia temporal e a progressão dos sintomas apontam para o hematoma epidural, uma emergência neurocirúrgica potencialmente fatal se não tratada a tempo.

Guarde a tríade que decide esta questão: topografia temporal + perda de consciência + cefaleia progressiva = suspeita de hematoma epidural → TC de crânio sem contraste. É exatamente esse raciocínio que separa a alternativa correta das demais.

1Localização
Entre dura-máter e osso
Artéria meníngea média
2Quadro clássico
Perda de consciência no trauma
Intervalo lúcido
Cefaleia progressiva
3Fatores de risco
Fratura temporal
Escoriação em topografia temporal
4Diagnóstico
TC de crânio sem contraste
Imagem biconvexa (lente)
5Conduta
Observação rigorosa
Craniotomia (se indicado)
Hematoma epidural
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Hematoma epidural: Localização (Entre dura-máter e osso, Artéria meníngea média); Quadro clássico (Perda de consciência no trauma, Intervalo lúcido, Cefaleia progressiva); Fatores de risco (Fratura temporal, Escoriação em topografia temporal); Diagnóstico (TC de crânio sem contraste, Imagem biconvexa (lente)); Conduta (Observação rigorosa, Craniotomia (se indicado))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A concussão cerebral é uma disfunção neurológica temporária, sem lesão estrutural no parênquima, que se resolve em até 24 horas. O paciente do caso apresenta cefaleia progressiva, o que sugere uma lesão expansiva (hematoma), não uma concussão. Além disso, a conduta de "alta com orientações" seria inadequada diante da suspeita de sangramento intracraniano — o paciente deve ser mantido em observação e submetido a exame de imagem.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Embora a fratura de calota craniana seja uma possibilidade no TCE, a radiografia de crânio não é o exame de escolha na avaliação inicial do trauma craniano. A TC de crânio sem contraste é o padrão-ouro, pois identifica não apenas fraturas, mas também lesões intracranianas como hematomas, que são a principal preocupação neste caso. A radiografia simples tem baixa sensibilidade para lesões intracranianas e não deve ser utilizada como triagem.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O quadro é compatível com hematoma epidural: TCE com perda de consciência, escoriação em região temporal (local da artéria meníngea média) e cefaleia progressiva. A conduta correta é manter o paciente em observação e realizar TC de crânio sem contraste, que confirmará o diagnóstico e orientará a conduta (cirúrgica ou conservadora). A TC é o exame de imagem de escolha na avaliação do TCE, com alta sensibilidade para sangramentos intracranianos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hemorragia subaracnóidea traumática decorre da rotação do encéfalo e geralmente não causa um quadro de cefaleia progressiva com intervalo lúcido como o descrito. Além disso, a conduta de "seguimento ambulatorial" é inadequada — o paciente com suspeita de sangramento intracraniano agudo deve ser mantido em observação hospitalar e submetido a exame de imagem imediato, não receber alta para seguimento ambulatorial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A lesão axonal difusa (LAD) é uma lesão primária do TCE que causa coma imediato após o trauma, na ausência de lesões visíveis na TC. O paciente do caso está lúcido na admissão, o que não é compatível com LAD. Além disso, a conduta de "estabilizar e solicitar avaliação de neurologista" é vaga e não inclui a realização de TC de crânio, que é o passo fundamental na avaliação inicial do TCE com suspeita de sangramento.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre "queda da própria altura" e trauma leve, levando o candidato a considerar a concussão (alternativa A) como resposta. No entanto, a cefaleia progressiva e a topografia temporal são sinais de alerta para hematoma epidural, uma emergência neurocirúrgica. Fique atento: TCE com perda de consciência e cefaleia progressiva nunca é "só uma concussão" — exige investigação com TC de crânio.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar os hematomas na TC, memorize as formas: epidural = biconvexa (lente), subdural = crescente (foice). Essa distinção é clássica em provas de neurologia e emergência. Além disso, lembre-se de que a TC de crânio sem contraste é o exame de escolha na avaliação inicial de todo TCE com suspeita de lesão intracraniana.

Gabarito: letra C

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