Questão de Medicina — Pneumologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Pneumologia
Código
qq970158
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Emergência Pediátrica
Homem, 65 anos, com diagnóstico prévio de DPOC e internação hospitalar atual por exacerbação aguda, necessitando de ventilação mecânica. A equipe solicita avaliação pós-extubação, pois paciente apresenta-se agitado no leito, com SpO2 90% em ar ambiente. A partir da gasometria arterial atual, assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada.GASOMETRIA ARTERIAL
ATrata-se de uma acidose metabólica, sendo a administração de bicarbonato de sódio indicada.
BDeve-se reintubar o paciente, pois seu distúrbio respiratório permanece grave e com necessidade de ventilação mecânica.
CTrata-se de uma acidose respiratória, sendo a Ventilação Não Invasiva (VNI) uma boa alternativa terapêutica.
DO paciente apresenta alterações residuais da ventilação mecânica, podendo ter alta hospitalar com as devidas orientações.
ETrata-se de uma alcalose respiratória, com indicação de fisioterapia respiratória para correção desse distúrbio gasoso.
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GabaritoC — Trata-se de uma acidose respiratória, sendo a Ventilação Não Invasiva (VNI) uma boa alternativa terapêutica.
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Exacerbação de DPOC pós-extubação: interpretação da gasometria e conduta
Gabarito: letra C. O paciente com DPOC exacerbado, recém-extubado, hipoxêmico (SpO2 90% em ar ambiente) e com gasometria arterial mostrando acidose respiratória (pH baixo, PaCO2 elevada) tem indicação formal de Ventilação Não Invasiva (VNI) — que reduz a necessidade de reintubação e a mortalidade nesse cenário. A conduta correta é a da alternativa C, que reconhece o distúrbio e propõe a terapia de primeira linha para a insuficiência respiratória hipercápnica do DPOC.
A exacerbação aguda da DPOC é um evento de piora dos sintomas respiratórios (dispneia, tosse, aumento do escarro) que frequentemente cursa com insuficiência respiratória hipercápnica — ou seja, elevação da PaCO2 com acidose respiratória. A gasometria arterial é o exame-chave para confirmar o distúrbio e guiar a conduta: valores de pH < 7,30 e PaCO2 > 45 mmHg, com PaO2 baixa, definem a necessidade de suporte ventilatório. Nesse contexto, a VNI é a intervenção de primeira linha, com evidência robusta de benefício: reduz a acidose, a frequência respiratória, a necessidade de intubação orotraqueal (em até 59%) e a mortalidade (em até 48%).
O raciocínio clínico começa pela interpretação correta da gasometria. A acidose respiratória é caracterizada por pH < 7,35 e PaCO2 > 45 mmHg — o CO2 retido pelo pulmão doente acidifica o sangue. No DPOC exacerbado, a obstrução ao fluxo aéreo e o aumento do espaço morto levam à hipoventilação alveolar e à retenção de CO2. A alternativa C identifica exatamente esse padrão e propõe a VNI, que age como uma "muleta" ventilatória: aplica pressão positiva nas vias aéreas, recruta alvéolos, melhora a troca gasosa e reduz o trabalho respiratório, permitindo que o paciente "descanse" a musculatura respiratória enquanto o broncoespasmo é tratado com broncodilatadores e corticoides.
É fundamental distinguir a acidose respiratória da acidose metabólica (pH baixo com bicarbonato baixo, sem retenção de CO2) e da alcalose respiratória (pH alto com PaCO2 baixa, comum em TEP e ansiedade). No DPOC exacerbado, a retenção de CO2 é a regra, e a administração de bicarbonato (alternativa A) seria um erro grave — não trata a causa e pode piorar a hipercapnia. A decisão entre VNI e reintubação (alternativa B) depende da gravidade e da resposta ao tratamento: a VNI é tentada primeiro, a menos que haja contraindicações absolutas (parada cardiorrespiratória, necessidade de intubação de emergência, incapacidade de proteger vias aéreas). O paciente do enunciado está agitado, mas sem rebaixamento do nível de consciência — o que não contraindica a VNI, sendo inclusive uma das indicações mais comuns.
A pegadinha central desta questão é a interpretação da gasometria: o candidato que não domina a leitura do pH, PaCO2 e HCO3 pode confundir acidose respiratória com metabólica (alternativa A) ou com alcalose respiratória (alternativa E). Além disso, a alternativa B tenta induzir o erro ao sugerir reintubação imediata, ignorando que a VNI é a primeira escolha na exacerbação de DPOC — a intubação fica reservada para falha da VNI ou contraindicações. A alternativa D é um absurdo clínico: um paciente com SpO2 90% e acidose respiratória não pode ter alta hospitalar. Guarde o algoritmo: gasometria com acidose respiratória + DPOC exacerbado → VNI — é exatamente esse o critério que separa as alternativas.
A gasometria mostra acidose respiratória (pH baixo, PaCO2 elevada), não metabólica. A acidose metabólica teria bicarbonato (HCO3) baixo com ânion gap alterado, sem retenção de CO2. Além disso, a administração de bicarbonato de sódio na acidose respiratória do DPOC é contraindicada: não trata a causa (hipoventilação) e pode agravar a hipercapnia ao deslocar a curva de dissociação do CO2. O tratamento correto é ventilar o paciente, não alcalinizar o sangue.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A reintubação não é a primeira escolha na exacerbação de DPOC com acidose respiratória. A VNI é a terapia de primeira linha, com evidência de redução da necessidade de intubação em até 59% e da mortalidade. A intubação orotraqueal fica reservada para: falha da VNI (sem melhora do pH/PaCO2 em 1–2 horas), contraindicações absolutas (parada respiratória, incapacidade de proteger vias aéreas, rebaixamento grave do nível de consciência) ou instabilidade hemodinâmica. O paciente está agitado, mas sem critérios de falência iminente que justifiquem pular a VNI.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A gasometria evidencia acidose respiratória (pH < 7,35, PaCO2 > 45 mmHg), o distúrbio clássico da exacerbação de DPOC. A Ventilação Não Invasiva (VNI) é a conduta de primeira linha nesse cenário: melhora a acidose, reduz a frequência respiratória, evita a intubação em até 70% dos casos e diminui a mortalidade. A indicação formal é: dispneia moderada a grave com uso de musculatura acessória, ou acidose respiratória (pH < 7,30) e/ou hipercapnia (PaCO2 > 45 mmHg) com taquipneia (FR > 25 mpm). O paciente preenche os critérios — está agitado, hipoxêmico e com acidose respiratória — e não apresenta contraindicações absolutas à VNI.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirmar que o paciente pode ter alta hospitalar é um erro grave. Ele apresenta SpO2 90% em ar ambiente (hipoxemia) e acidose respiratória na gasometria — critérios de insuficiência respiratória aguda que exigem internação e suporte ventilatório. A exacerbação de DPOC com acidose respiratória é fator de risco de morte e indica tratamento em ambiente de terapia intensiva. As "alterações residuais da ventilação mecânica" não justificam alta com hipoxemia e hipercapnia persistentes.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A gasometria mostra acidose respiratória, não alcalose. A alcalose respiratória é caracterizada por pH > 7,45 e PaCO2 < 35 mmHg, típica de hiperventilação (ansiedade, TEP, dor). No DPOC exacerbado, o padrão é o oposto: retenção de CO2 com acidose. A fisioterapia respiratória isolada não corrige a acidose respiratória do DPOC — o tratamento exige broncodilatadores, corticoides e, na insuficiência respiratória, VNI. A fisioterapia pode ser coadjuvante para higiene brônquica, mas não é a conduta principal para o distúrbio gasoso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os tipos de distúrbio acidobásico. O candidato que não domina a leitura da gasometria pode trocar acidose respiratória por metabólica (alternativa A) ou por alcalose respiratória (alternativa E). A chave é olhar o pH e a PaCO2: pH baixo + PaCO2 alta = acidose respiratória → VNI. pH baixo + HCO3 baixo = acidose metabólica → tratar a causa. pH alto + PaCO2 baixa = alcalose respiratória → hiperventilação. Com treino, você identifica esses padrões de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, monte uma tabela mental rápida dos distúrbios acidobásicos: Respiratória = pH e PaCO2 em direções opostas (acidose: pH↓, PaCO2↑; alcalose: pH↑, PaCO2↓). Metabólica = pH e HCO3 na mesma direção (acidose: pH↓, HCO3↓; alcalose: pH↑, HCO3↑). No DPOC exacerbado, o padrão é sempre acidose respiratória — e a conduta de primeira linha é VNI, não bicarbonato nem reintubação imediata.