Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Endocrinologia
Código
qq970204
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Endocrinologia Pediátrica
A respeito do Diabetes Melito (DM) em pediatria, assinale a alternativa correta.
APacientes com excesso de insulina inibem a captação de glicose pela maioria das células do organismo.
BO DM tipo 1 é o segundo tipo mais frequente de DM na faixa etária pediátrica.
CA insulina regular tem início de ação em 2 a 4 horas e duração de 8 a 12 horas.
DQuando o organismo necessita de quantidades maiores de insulina para exercer sua função, por exemplo, a resistência insulínica está menor.
EO DM tipo 1 é uma doença autoimune, uma vez que autoanticorpos levam à destruição das células β das ilhotas de Langerhans no pâncreas.
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GabaritoE — O DM tipo 1 é uma doença autoimune, uma vez que autoanticorpos levam à destruição das células β das ilhotas de Langerhans no pâncreas.
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Diabetes Melito em Pediatria: fisiopatologia e tipos
Gabarito: letra E. O DM tipo 1 é uma doença autoimune, na qual autoanticorpos levam à destruição das células β das ilhotas de Langerhans no pâncreas, resultando em deficiência absoluta de insulina. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a insulina aumenta a captação de glicose, o DM1 é o tipo mais frequente na infância, a insulina regular tem início mais rápido, e a resistência insulínica é uma condição de maior necessidade de insulina.
O diabetes melito (DM) é um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia crônica, resultante de defeitos na secreção de insulina, na ação da insulina, ou em ambos. Na faixa etária pediátrica, o DM tipo 1 (DM1) é o subtipo mais comum, representando cerca de 70% de todos os casos, enquanto o DM tipo 2 (DM2) corresponde à maior parte do restante. Essa prevalência é um ponto central para entender a questão: a alternativa B inverte essa realidade ao afirmar que o DM1 é o segundo tipo mais frequente.
A fisiopatologia do DM1 é marcada pela destruição das células β pancreáticas, produtoras de insulina, localizadas nas ilhotas de Langerhans. Essa destruição é mediada, predominantemente, por mecanismos autoimunes — os autoanticorpos contra a descarboxilase do ácido glutâmico (GAD65), insulina, tirosina fosfatases (IA-2 e IA-2β) e transportador de zinco 8 (ZnT8) são marcadores da doença. Embora os autoanticorpos sejam o principal marcador diagnóstico, a destruição celular é mediada principalmente por mecanismos imunes celulares, como linfócitos T CD8+. A demonstração de um ou mais autoanticorpos representa a maneira mais sensível e útil de confirmar a doença pré-clínica em pacientes de risco.
A insulina é um hormônio anabólico que aumenta a captação de glicose pela maioria das células do organismo, especialmente músculo e tecido adiposo, promovendo a entrada de glicose e sua utilização ou armazenamento. A resistência insulínica, por sua vez, é uma condição na qual as células não respondem adequadamente à insulina, exigindo quantidades maiores do hormônio para exercer sua função — ou seja, a resistência está aumentada, não diminuída. Essa é a base para entender os erros das alternativas A e D.
A insulina regular é uma insulina de ação rápida, com início de ação em cerca de 30 minutos a 1 hora, pico em 2 a 4 horas e duração de 5 a 8 horas. A alternativa C atribui a ela um início de 2 a 4 horas e duração de 8 a 12 horas, características mais próximas das insulinas NPH ou de ação intermediária. Essa confusão entre os perfis de ação das insulinas é uma pegadinha clássica em provas de endocrinologia.
Guarde a fronteira entre os tipos de DM e os perfis de ação das insulinas: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A alternativa E é a única que descreve corretamente a fisiopatologia do DM1, enquanto as demais apresentam erros conceituais que serão detalhados a seguir.
Diabetes Melito em Pediatria: DM tipo 1 (Doença autoimune, Destruição das células β, Mais frequente na infância); DM tipo 2 (Resistência insulínica aumentada, Necessidade de mais insulina); Insulina regular (Início: 30 min a 1 h, Pico: 2 a 4 h, Duração: 5 a 8 h); Insulina NPH (Início: 2 a 4 h, Duração: 10 a 16 h)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que pacientes com excesso de insulina inibem a captação de glicose pela maioria das células. Isso é o oposto do que ocorre: a insulina estimula a captação de glicose, promovendo a translocação do transportador GLUT-4 para a membrana celular em músculo e tecido adiposo. O excesso de insulina leva à hipoglicemia, não à inibição da captação. A banca inverte o efeito fisiológico da insulina, um erro que o candidato deve identificar rapidamente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o DM tipo 1 é o segundo tipo mais frequente na faixa etária pediátrica. Na verdade, o DM1 é o mais frequente na infância, representando cerca de 70% dos casos, enquanto o DM2 corresponde à maior parte do restante. A alternativa inverte a ordem de prevalência, um erro comum em questões que exploram a epidemiologia do diabetes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Atribui à insulina regular início de ação em 2 a 4 horas e duração de 8 a 12 horas. Na realidade, a insulina regular tem início de ação em cerca de 30 minutos a 1 hora, pico em 2 a 4 horas e duração de 5 a 8 horas. Os valores citados na alternativa correspondem mais ao perfil da insulina NPH (ação intermediária), com início em 2 a 4 horas e duração de 10 a 16 horas. A banca troca os perfis de ação das insulinas, uma pegadinha clássica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que, quando o organismo necessita de quantidades maiores de insulina para exercer sua função, a resistência insulínica está menor. Na verdade, a necessidade de maiores quantidades de insulina indica que a resistência insulínica está aumentada — as células respondem menos ao hormônio, exigindo mais insulina para o mesmo efeito. A alternativa inverte o conceito de resistência insulínica.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente o DM tipo 1 como uma doença autoimune, na qual autoanticorpos levam à destruição das células β das ilhotas de Langerhans no pâncreas. Essa destruição resulta em deficiência absoluta de insulina, tornando o paciente dependente de insulina exógena para sobreviver. Os autoanticorpos mais comuns são contra a descarboxilase do ácido glutâmico (GAD65), insulina, tirosina fosfatases (IA-2 e IA-2β) e transportador de zinco 8 (ZnT8). Embora a destruição seja mediada principalmente por mecanismos imunes celulares, os autoanticorpos são o marcador diagnóstico mais sensível e útil.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre diabetes, memorize os perfis de ação das insulinas: regular (início 30 min–1h, pico 2–4h, duração 5–8h) e NPH (início 2–4h, pico 4–10h, duração 10–16h). E lembre-se: DM1 é o mais frequente na infância, e a resistência insulínica é sempre aumentada quando há necessidade de mais insulina.