Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Endocrinologia
Código
qq970221
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Endocrinologia Pediátrica
Mulher de 45 anos procurou seu médico com queixas de alterações faciais, aumento das mãos e pés, além de dores articulares. Ela relatou que, nos últimos anos, notou um crescimento anormal de seus lábios, nariz e queixo. Além disso, sua aliança de casamento não servia mais em seu dedo anelar devido ao aumento do tamanho de suas mãos. A paciente relata que também está enfrentando dores nas articulações, especialmente nos joelhos e quadris, o que está afetando sua qualidade de vida. O restante do exame físico evidenciou apenas hipertensão e acantose nigricans. Os exames laboratoriais evidenciaram níveis aumentados de fator de crescimento semelhante à insulina-1 (IGF-1), hiperinsulinemia e aumento de triglicerídeos e do hormônio de crescimento.Considerando a principal hipótese diagnóstica desse caso, assinale a alternativa correta.
ANormalmente, a principal etiologia desse quadro é um macroadenoma hipotalâmico.
BA radioterapia normalmente apresenta resposta, sendo a primeira escolha para tratamento de casos como este.
CDurante a gravidez, o tratamento deve ser interrompido, mas octreotide de curta ação pode ser utilizado para controle sintomático.
DA cirurgia transesfenoidal deve ser indicada como segunda escolha quando há falha na terapia farmacológica.
EComo rotina, deve-se fazer a reposição de hormônio de crescimento nos pacientes que entraram em deficiência deste após o tratamento.
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GabaritoC — Durante a gravidez, o tratamento deve ser interrompido, mas octreotide de curta ação pode ser utilizado para controle sintomático.
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Acromegalia: diagnóstico e manejo
Gabarito: letra C. O caso descreve uma paciente com acromegalia (crescimento de extremidades, alterações faciais, aumento de IGF-1 e GH), e a alternativa correta trata do manejo na gestação: o tratamento deve ser interrompido, mas o octreotide de curta ação pode ser usado para controle sintomático. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre etiologia, tratamento e acompanhamento da doença.
A acromegalia é uma doença endócrina causada, na grande maioria dos casos, por um adenoma hipofisário secretor de hormônio do crescimento (GH). O excesso de GH leva ao aumento da produção hepática de IGF-1, que é o principal mediador dos efeitos somáticos da doença. Clinicamente, manifesta-se com crescimento de extremidades (mãos, pés), alterações faciais (prognatismo, aumento de nariz e orelhas), dores articulares, visceromegalias, além de complicações metabólicas como hipertensão, diabetes e dislipidemia. O diagnóstico é confirmado pela dosagem de IGF-1 elevada e pela falta de supressão do GH após sobrecarga oral de glicose.
O tratamento da acromegalia é multimodal e depende do tamanho do tumor, da extensão da doença e das comorbidades. A cirurgia transesfenoidal é o tratamento de primeira linha para a maioria dos casos, especialmente para macroadenomas, pois permite a ressecção do tumor e a normalização dos níveis hormonais. A terapia farmacológica com análogos da somatostatina (como octreotide e lanreotida) é indicada como tratamento adjuvante ou de segunda linha, quando a cirurgia não é curativa ou não é possível. A radioterapia é reservada para casos refratários, devido ao seu efeito lento e ao risco de hipopituitarismo.
Na gestação, o manejo da acromegalia é desafiador. Os análogos da somatostatina são geralmente descontinuados durante a gravidez, pois não há dados suficientes sobre sua segurança fetal. No entanto, em casos de sintomas graves ou crescimento tumoral, o octreotide de curta ação pode ser utilizado para controle sintomático, especialmente no segundo e terceiro trimestres. Essa é uma conduta aceita na prática clínica, embora a decisão seja individualizada.
A pegadinha desta questão está em inverter o papel da cirurgia e da radioterapia, além de confundir a etiologia do adenoma (hipofisário, não hipotalâmico). O candidato deve lembrar que a cirurgia transesfenoidal é a primeira escolha, e que a radioterapia é uma opção tardia. Além disso, a reposição de GH não é rotina após o tratamento, pois o objetivo é reduzir o excesso hormonal, não repor.
Acromegalia: Etiologia (Adenoma hipofisário secretor de GH, IGF-1 elevado); Tratamento (1ª linha: cirurgia transesfenoidal, 2ª linha: análogos de somatostatina, 3ª linha: radioterapia); Na gestação (Interromper análogos, Octreotide curta ação p/ sintomas)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a principal etiologia é um macroadenoma hipotalâmico. O erro está na localização: o adenoma é hipofisário (na hipófise anterior), não hipotalâmico. O hipotálamo produz o hormônio liberador de GH (GHRH), mas o tumor secretor de GH origina-se na hipófise.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a radioterapia é a primeira escolha de tratamento. Na verdade, a radioterapia é uma opção de terceira linha, reservada para casos refratários à cirurgia e à terapia farmacológica, devido ao seu efeito lento (pode levar anos) e ao risco de hipopituitarismo. A primeira escolha é a cirurgia transesfenoidal.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta. Durante a gravidez, o tratamento com análogos da somatostatina (como octreotide) deve ser interrompido, pois não há evidências robustas de segurança fetal. No entanto, o octreotide de curta ação pode ser utilizado para controle sintomático em casos selecionados, especialmente se houver crescimento tumoral ou sintomas graves. Essa é uma conduta aceita na prática clínica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a cirurgia transesfenoidal é a segunda escolha, após falha da terapia farmacológica. Na verdade, a cirurgia é o tratamento de primeira linha para a maioria dos casos de acromegalia, especialmente para macroadenomas. A terapia farmacológica é indicada como adjuvante ou quando a cirurgia não é curativa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que se deve fazer reposição de GH em pacientes que entraram em deficiência após o tratamento. Isso é um erro conceitual: na acromegalia, o objetivo é reduzir o excesso de GH, não repor. A deficiência de GH após o tratamento (por exemplo, após cirurgia ou radioterapia) pode ocorrer, mas a reposição não é rotina e deve ser avaliada caso a caso, com cautela, pois pode reativar a doença residual.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o papel da cirurgia e da radioterapia: a cirurgia transesfenoidal é a primeira escolha, e a radioterapia é uma opção tardia. Além disso, troca a localização do adenoma (hipofisário, não hipotalâmico) e sugere reposição de GH, que é o oposto do objetivo do tratamento. Fique atento a essas inversões clássicas.
PEGA ESSA DICA!
Para acromegalia, memorize a sequência de tratamento: cirurgia transesfenoidal (1ª linha) → análogos de somatostatina (2ª linha) → radioterapia (3ª linha). Na gestação, interromper o análogo, mas usar octreotide de curta ação se necessário. Essa hierarquia resolve a maioria das questões sobre o tema.