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Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaEndocrinologia
Código
qq970226
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Endocrinologia Pediátrica
A semaglutida oral apresenta nova possibilidade para o tratamento da diabetes, sendo o primeiro análogo de GLP-1 oral disponível no mercado. Sobre essa medicação, assinale a alternativa correta.
  1. AÉ importante a administração em jejum já que a absorção da semaglutida ocorre predominantemente no jejuno proximal.
  2. BO estudo Pioneer 2 evidenciou diminuição de HbA1c inferior à obtida com empagliflozina.
  3. CEstá indicada para pacientes a partir de 16 anos.
  4. DA biodisponibilidade absoluta estimada de semaglutida é de aproximadamente 1% após administração oral.
  5. EApresentou maior risco de pancreatite aguda em relação ao placebo.
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GabaritoD — A biodisponibilidade absoluta estimada de semaglutida é de aproximadamente 1% após administração oral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Semaglutida oral: farmacocinética e segurança

Gabarito: letra D. A semaglutida oral é o primeiro análogo do GLP-1 disponível por via oral, e sua biodisponibilidade absoluta é de aproximadamente 1% — valor que reflete a extensa degradação proteolítica no trato gastrointestinal e o efeito de primeira passagem hepática, sendo essa a alternativa correta. As demais opções distorcem dados de farmacocinética, eficácia, indicação etária e segurança do fármaco.

A semaglutida é um agonista do receptor do GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon), um incretino que estimula a secreção de insulina de forma glicose-dependente, inibe a secreção de glucagon, retarda o esvaziamento gástrico e promove saciedade. Originalmente desenvolvida como injetável subcutâneo, a formulação oral foi criada com o intuito de ampliar o acesso e a adesão, já que muitos pacientes preferem medicamentos orais a injetáveis. Para contornar a degradação enzimática e a baixa absorção, a semaglutida oral é coformulada com SNAC (sal sódico do ácido N-(8-[2-hidroxibenzoil]amino)caprílico), um potencializador de absorção que aumenta a permeabilidade da mucosa gástrica e protege o fármaco da degradação.

A farmacocinética da semaglutida oral é peculiar: a absorção ocorre predominantemente no estômago, e não no jejuno proximal, graças à ação do SNAC. A biodisponibilidade absoluta é baixíssima, em torno de 1%, o que explica a necessidade de doses maiores por via oral (3 a 14 mg) em comparação à via subcutânea (0,25 a 1 mg). Essa característica é central para a questão, pois a alternativa A erra justamente ao localizar a absorção no jejuno proximal, quando na verdade ocorre no estômago.

Em relação à eficácia, os estudos da série PIONEER avaliaram a semaglutida oral em diferentes contextos. O PIONEER 2 comparou a semaglutida oral com a empagliflozina, um inibidor do SGLT2, e demonstrou redução de HbA1c superior com a semaglutida, não inferior. A alternativa B inverte esse resultado, afirmando que a redução seria inferior, o que contraria os dados do estudo.

Quanto à indicação etária, a semaglutida oral é aprovada para adultos com diabetes mellitus tipo 2, não havendo indicação formal para pacientes a partir de 16 anos. A alternativa C, portanto, está incorreta ao fixar essa faixa etária, que não corresponde à bula do medicamento.

No que tange à segurança, os ensaios clínicos não demonstraram aumento do risco de pancreatite aguda com a semaglutida oral em relação ao placebo. Embora a pancreatite seja uma preocupação teórica com os agonistas do GLP-1, os estudos não evidenciaram risco aumentado, e a alternativa E afirma exatamente o contrário.

A pegadinha central desta questão é a inversão de dados farmacocinéticos e de eficácia: a banca troca o local de absorção (estômago por jejuno proximal), inverte o resultado do PIONEER 2 (superior por inferior), fixa uma faixa etária inexistente e atribui um risco de pancreatite não comprovado. O candidato que memoriza os dados corretos da semaglutida oral identifica a alternativa D como a única fiel à realidade.

1Farmacocinética
Absorção no estômago (SNAC)
Biodisponibilidade ~1%
Doses maiores que SC
2Eficácia (PIONEER 2)
Redução de HbA1c superior à empagliflozina
3Indicação
Adultos com DM2
4Segurança
Sem risco aumentado de pancreatite
Semaglutida oral
LEVELsoulevel.com.br
Semaglutida oral: Farmacocinética (Absorção no estômago (SNAC), Biodisponibilidade ~1%, Doses maiores que SC); Eficácia (PIONEER 2) (Redução de HbA1c superior à empagliflozina); Indicação (Adultos com DM2); Segurança (Sem risco aumentado de pancreatite)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a absorção da semaglutida oral ocorre predominantemente no jejuno proximal. Na verdade, a absorção ocorre predominantemente no estômago, facilitada pelo SNAC, que aumenta a permeabilidade da mucosa gástrica. O jejuno proximal é o local de absorção de muitos outros fármacos, mas não da semaglutida oral — essa é a troca que a banca explora.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o estudo PIONEER 2 evidenciou redução de HbA1c inferior à obtida com empagliflozina. Na verdade, o PIONEER 2 demonstrou redução superior de HbA1c com a semaglutida oral em comparação à empagliflozina. A alternativa inverte o resultado do estudo, transformando superior em inferior.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a semaglutida oral está indicada para pacientes a partir de 16 anos. A indicação aprovada é para adultos com diabetes mellitus tipo 2, sem essa faixa etária específica. A banca inventa um limite etário que não consta na bula do medicamento.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a biodisponibilidade absoluta estimada da semaglutida oral é de aproximadamente 1%. Esse dado é correto e reflete a extensa degradação proteolítica e o efeito de primeira passagem hepática, que reduzem drasticamente a fração do fármaco que atinge a circulação sistêmica. É exatamente por isso que as doses orais são maiores que as subcutâneas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a semaglutida oral apresentou maior risco de pancreatite aguda em relação ao placebo. Os ensaios clínicos não demonstraram aumento do risco de pancreatite aguda com a semaglutida oral em comparação ao placebo. Embora a pancreatite seja uma preocupação teórica com os agonistas do GLP-1, os dados não confirmam esse risco aumentado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter dados farmacocinéticos e de eficácia. Aqui, ela troca o local de absorção (estômago por jejuno proximal), inverte o resultado do PIONEER 2 (superior por inferior), inventa uma faixa etária e atribui um risco de pancreatite não comprovado. Memorize os dados corretos da semaglutida oral e você identifica a alternativa D de longe. 💪

NÃO CAIA NESSA!

Para questões sobre análogos do GLP-1, foque em três pilares: farmacocinética (via de administração, absorção, biodisponibilidade), eficácia (redução de HbA1c, perda de peso) e segurança (pancreatite, hipoglicemia, eventos gastrointestinais). A banca costuma inverter um desses pilares — confira cada alternativa contra o que você sabe do fármaco.

Gabarito: letra D

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