Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Endocrinologia
Código
qq970231
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Endocrinologia Pediátrica
Assinale a alternativa que apresenta os sintomas mais comumente observados em mulheres não menopausadas com hiperprolactinemia.
ADor de cabeça, ganho de peso e hirsutismo.
BHirsutismo, galactorreia e hipoglicemia.
CAlterações na visão, dor de cabeça intensa e perda de peso inexplicada
DAmenorreia, oligomenorreia e infertilidade.
EGalactorreia, ganho de peso e osteoporose.
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GabaritoD — Amenorreia, oligomenorreia e infertilidade.
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Hiperprolactinemia em mulheres não menopausadas: manifestações clínicas
Gabarito: letra D. Em mulheres não menopausadas, a hiperprolactinemia manifesta-se classicamente com amenorreia, oligomenorreia e infertilidade, decorrentes do hipogonadismo hipogonadotrófico induzido pelo excesso de prolactina (PRL), que inibe a liberação de GnRH e, consequentemente, de LH e FSH. A galactorreia, embora clássica, ocorre em apenas 30–80% dos casos, enquanto os distúrbios menstruais e a infertilidade são as queixas mais frequentes e específicas nesse grupo.
A hiperprolactinemia é uma condição caracterizada por níveis séricos elevados de prolactina, hormônio produzido pela hipófise anterior. Suas causas são variadas, incluindo fatores fisiológicos (gravidez, amamentação, estresse, sono, exercício), farmacológicos (antagonistas dopaminérgicos como fenotiazinas e butirofenonas, estrogênios, opiáceos) e patológicos (prolactinomas, lesões hipotalâmicas, hipotireoidismo primário, insuficiência renal crônica). O mecanismo central é a perda da inibição dopaminérgica tônica sobre os lactotrofos, levando à hipersecreção de PRL.
Nas mulheres, o excesso de PRL interfere no eixo hipotálamo-hipófise-ovariano. A prolactina elevada inibe a liberação pulsátil de GnRH, reduzindo a secreção de LH e FSH. Isso compromete a foliculogênese e a ovulação, resultando em anovulação crônica. As consequências clínicas são: alterações menstruais (desde ciclos irregulares até amenorreia completa), infertilidade (por anovulação) e, em fases mais avançadas, hipoestrogenismo com diminuição do trofismo genital e risco de osteoporose. A galactorreia, embora seja um sinal clássico, não é universal — está presente em 30–80% das mulheres, e sua ausência não exclui o diagnóstico.
É importante distinguir os sintomas da hiperprolactinemia em mulheres não menopausadas daqueles observados em homens ou em mulheres após a menopausa. Nos homens, predominam diminuição da libido, disfunção erétil e hipogonadismo. Em mulheres menopausadas, os sintomas de hipogonadismo são mascarados pela menopausa, e os tumores (macroprolactinomas) podem se apresentar com sintomas de efeito de massa, como cefaleia e alterações visuais. Já em mulheres não menopausadas, os microprolactinomas são mais comuns e se manifestam precocemente com distúrbios menstruais e infertilidade.
A banca explora a confusão entre os sintomas da hiperprolactinemia e os de outras endocrinopatias. Por exemplo, hirsutismo é típico de hiperandrogenismo (como na síndrome dos ovários policísticos), não de hiperprolactinemia. Ganho de peso e osteoporose são manifestações tardias ou inespecíficas. Cefaleia e alterações visuais ocorrem apenas em macroadenomas com efeito de massa, não sendo os sintomas mais comuns em mulheres não menopausadas. A alternativa correta deve refletir o quadro clássico de disfunção gonadal: amenorreia, oligomenorreia e infertilidade.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre hiperprolactinemia, lembre-se do tripé: distúrbios menstruais + infertilidade + galactorreia. Na mulher não menopausada, os dois primeiros são os mais comuns e específicos. Galactorreia é um sinal clássico, mas não obrigatório. Sintomas como cefaleia e alterações visuais só aparecem em tumores grandes (macroadenomas).
Hiperprolactinemia em mulheres não menopausadas: Mecanismo (PRL inibe GnRH, ↓ LH e FSH, Anovulação crônica); Sintomas mais comuns (Amenorreia, Oligomenorreia, Infertilidade); Sinais clássicos (não obrigatórios) (Galactorreia (30–80%)); Sintomas tardios/inespecíficos (Osteoporose, Ganho de peso); Efeito de massa (macroadenoma) (Cefaleia, Alterações visuais)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Dor de cabeça, ganho de peso e hirsutismo não são os sintomas mais comuns. Cefaleia ocorre apenas em macroadenomas com efeito de massa, não sendo frequente em microprolactinomas. Ganho de peso é inespecífico e hirsutismo é típico de hiperandrogenismo, não de hiperprolactinemia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Hirsutismo e hipoglicemia não fazem parte do quadro clássico de hiperprolactinemia. Hirsutismo sugere excesso de andrógenos (SOP, hiperplasia adrenal), e hipoglicemia não é manifestação da hiperprolactinemia. Galactorreia pode ocorrer, mas não é o sintoma mais comum.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Alterações na visão e dor de cabeça intensa são sintomas de macroadenomas com compressão do quiasma óptico, não os mais comuns em mulheres não menopausadas. Perda de peso inexplicada não é característica da hiperprolactinemia.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Amenorreia, oligomenorreia e infertilidade são as manifestações mais comuns em mulheres não menopausadas com hiperprolactinemia. O excesso de PRL inibe o GnRH, levando a anovulação crônica, distúrbios menstruais e infertilidade. Esses sintomas refletem o hipogonadismo hipogonadotrófico induzido pela hiperprolactinemia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Galactorreia pode ocorrer, mas ganho de peso e osteoporose não são sintomas comuns. A osteoporose é uma complicação tardia, decorrente do hipoestrogenismo prolongado, não uma manifestação inicial. Ganho de peso é inespecífico.
Gabarito: letra D — amenorreia, oligomenorreia e infertilidade são os sintomas mais comumente observados em mulheres não menopausadas com hiperprolactinemia.