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Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaEndocrinologia
Código
qq970241
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Endocrinologia Pediátrica
A diabetes é uma doença comum, heterogênea, causada por vários fatores e diagnosticada por exames de sangue. Em relação à fisiopatologia e diagnóstico dessa doença, assinale a alternativa correta.
  1. AO GLP-1, um hormônio produzido no intestino, tem a função aumentada no DM2.
  2. BNa diabetes tipo 2, há resistência à ação da insulina sem que sua produção e liberação sejam alteradas.
  3. CA HbA1c se eleva falsamente em doenças que aumentam a sobrevida das hemácias, como em casos de esplenectomia.
  4. DPacientes com glicemias em jejum maior ou igual a 126 mg/dL e pós-prandial maior ou igual a 200 mg/dL devem realizar o teste oral de tolerância à glicose para confirmação da doença.
  5. EA poliúria que ocorre no diabetes descompensado é causada pela redução da reabsorção renal de glicose.
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GabaritoC — A HbA1c se eleva falsamente em doenças que aumentam a sobrevida das hemácias, como em casos de esplenectomia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diabetes Mellitus: fisiopatologia e diagnóstico

Gabarito: letra C. A hemoglobina glicada (HbA1c) reflete a glicemia média dos últimos 2 a 3 meses, e sua interpretação depende da sobrevida das hemácias: condições que aumentam a vida média das hemácias, como a esplenectomia, elevam falsamente a HbA1c, pois há mais tempo para a glicação da hemoglobina. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a fisiopatologia do DM2, o papel do GLP-1, os critérios diagnósticos e o mecanismo da poliúria.

A diabetes mellitus é um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia crônica, resultante de defeitos na secreção de insulina, na ação da insulina ou em ambos. A compreensão da fisiopatologia é essencial para interpretar corretamente os exames diagnósticos e as manifestações clínicas. No diabetes tipo 2 (DM2), o quadro é marcado por resistência periférica à ação da insulina, inicialmente compensada por hiperinsulinemia; com o tempo, há falência progressiva das células beta pancreáticas, levando à deficiência relativa de insulina. Já no diabetes tipo 1 (DM1), há destruição autoimune das células beta, com deficiência absoluta de insulina e tendência à cetoacidose.

O diagnóstico laboratorial do diabetes baseia-se em quatro exames: glicemia de jejum, glicemia ao acaso (com sintomas), teste oral de tolerância à glicose (TTGO) e hemoglobina glicada (HbA1c). Cada um tem seus critérios e limitações. A HbA1c é um marcador de glicemia média, mas pode ser influenciada por condições que alteram a sobrevida das hemácias, hemoglobinopatias, anemias, transfusões e doença renal crônica. Por isso, a interpretação deve ser cautelosa em situações que afetam o turnover eritrocitário.

A poliúria no diabetes descompensado é consequência da diurese osmótica: quando a glicemia ultrapassa o limiar renal de reabsorção (cerca de 170-180 mg/dL), a glicose é excretada na urina, arrastando água por osmose. Não se trata de redução da reabsorção renal de glicose como mecanismo primário, mas sim de saturação dos transportadores de glicose (SGLT) no túbulo proximal.

O GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon) é um incretina produzida no intestino que estimula a secreção de insulina de forma glicose-dependente. No DM2, a resposta incretínica está reduzida, não aumentada. Essa é uma das bases para o uso de agonistas do GLP-1 no tratamento.

A alternativa C é a correta porque a esplenectomia aumenta a sobrevida das hemácias, permitindo maior tempo de exposição da hemoglobina à glicose, o que eleva a HbA1c sem que haja necessariamente piora do controle glicêmico. Esse é um exemplo clássico de interferência na correlação entre HbA1c e glicemia real.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os mecanismos que alteram a HbA1c. Muitos candidatos lembram que anemias hemolíticas (que reduzem a sobrevida das hemácias) diminuem a HbA1c, mas esquecem o oposto: condições que aumentam a sobrevida (esplenectomia) elevam falsamente o valor. Guarde o par: sobrevida aumentada → HbA1c falsamente alta; sobrevida reduzida → HbA1c falsamente baixa.

HbA1c e sobrevida das hemácias
  • 1Sobrevida aumentada (ex.: esplenectomia)
    • HbA1c falsamente alta
  • 2Sobrevida reduzida (ex.: hemólise)
    • HbA1c falsamente baixa
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O GLP-1 tem sua secreção e ação reduzidas no DM2, não aumentadas. A resposta incretínica está comprometida, contribuindo para a hiperglicemia pós-prandial. A alternativa inverte o sentido da alteração fisiológica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

No DM2 há resistência à ação da insulina, mas também há alteração na produção e liberação de insulina. Inicialmente há hiperinsulinemia compensatória, mas com o tempo ocorre falência progressiva das células beta, com redução da secreção. A alternativa ignora o componente secretor da doença.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A HbA1c se eleva falsamente em condições que aumentam a sobrevida das hemácias, como a esplenectomia. Com mais tempo de vida, as hemácias ficam mais expostas à glicose, aumentando a glicação da hemoglobina. Isso faz com que a HbA1c superestime a glicemia média real.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Pacientes com glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL já têm critério diagnóstico de diabetes, não necessitando de TTGO para confirmação. O TTGO é indicado quando há dúvida diagnóstica, como em glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL (pré-diabetes). A alternativa confunde os critérios diagnósticos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A poliúria no diabetes descompensado é causada por diurese osmótica: a glicose excretada na urina arrasta água. Não há redução da reabsorção renal de glicose como mecanismo primário; na verdade, há saturação dos transportadores de glicose no túbulo proximal, ultrapassando o limiar renal.

Gabarito: letra C

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