Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Gastroenterologia
Código
qq970264
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Endoscopia Digestiva
Após uma esplenectomia, os pacientes ficam significativamente sujeitos a risco de infecções. Assinale a alternativa INCORRETA quanto à esplenectomia e aos fatores relacionados.
AA sequela mais grave, após a cirurgia, é a superinfecção pós‑esplenectomia (IAPE).
BO risco de IAPE é maior em pacientes com talassemia e doença falciforme.
CA IAPE é causada por organismos encapsulados de polissacarídeos, como Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae.
DO risco de IAPE geralmente é maior nos primeiros dois anos após a esplenectomia.
EA properdina e a tuftsina, proteínas inflamatórias produzidas no baço, encontram‑se com níveis séricos aumentados após a esplenectomia.
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GabaritoE — A properdina e a tuftsina, proteínas inflamatórias produzidas no baço, encontram‑se com níveis séricos aumentados após a esplenectomia.
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Esplenectomia e risco de infecção: a IAPE e o papel do baço
Gabarito: letra E. A alternativa incorreta afirma que a properdina e a tuftsina, proteínas produzidas no baço, encontram-se com níveis séricos aumentados após a esplenectomia — na realidade, esses níveis ficam diminuídos, pois o baço é o principal sítio de produção dessas proteínas, e sua remoção compromete a opsonização e a fagocitose de bactérias encapsuladas. As demais alternativas (A, B, C e D) descrevem corretamente a infecção grave pós-esplenectomia (IAPE), seus agentes etiológicos e o período de maior risco.
A esplenectomia é a remoção cirúrgica do baço, órgão fundamental para a defesa imunológica, especialmente contra bactérias encapsuladas. O baço atua como um filtro sanguíneo, removendo microrganismos opsonizados e produzindo proteínas como a properdina e a tuftsina, que potencializam a fagocitose. Após a remoção, o paciente perde essa capacidade, tornando-se vulnerável a infecções graves por germes como Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae — todos encapsulados, ou seja, revestidos por uma cápsula de polissacarídeos que dificulta a fagocitose sem opsonização adequada.
A complicação mais temida é a infecção grave pós-esplenectomia (IAPE), também chamada de sepse pós-esplenectomia, que pode evoluir rapidamente para choque séptico e óbito. O risco é particularmente elevado em pacientes com doenças hematológicas como talassemia e doença falciforme, pois essas condições já comprometem a função esplênica (autoesplenectomia funcional) e a imunidade humoral. O período de maior vulnerabilidade são os primeiros dois anos após a cirurgia, embora o risco permaneça elevado por toda a vida, especialmente nos primeiros anos.
A prevenção da IAPE envolve vacinação contra os principais agentes encapsulados (pneumococo, meningococo e Haemophilus influenzae tipo b), idealmente antes da cirurgia, e profilaxia antibiótica, particularmente nos primeiros anos e em pacientes de alto risco. A educação do paciente sobre a necessidade de buscar atendimento médico imediato diante de febre ou sinais de infecção é crucial, pois a IAPE pode ser fulminante.
A pegadinha da questão está na alternativa E: a banca inverte o efeito da esplenectomia sobre as proteínas produzidas no baço. O candidato que sabe que o baço produz essas proteínas pode ser tentado a pensar que a remoção aumentaria sua produção como mecanismo compensatório — mas o raciocínio correto é que a produção cai, pois o órgão produtor foi retirado. Guarde essa relação: baço removido → produção de properdina e tuftsina diminuída → menor opsonização → maior risco de infecção por encapsulados.
Esplenectomia
1Papel do baço
Filtro sanguíneo
Produz properdina e tuftsina
Opsonização e fagocitose
2Efeito da remoção
Properdina e tuftsina diminuídas
Menor opsonização
Maior risco de infecção
3IAPE (infecção grave pós-esplenectomia)
Agentes encapsulados
Streptococcus pneumoniae
Neisseria meningitidis
Haemophilus influenzae
Maior risco
Talassemia e doença falciforme
Primeiros 2 anos
Prevenção
Vacinação
Profilaxia antibiótica
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Alternativa A — ✅ Correta
A alternativa afirma que a sequela mais grave após a esplenectomia é a superinfecção pós-esplenectomia (IAPE). Isso está correto: a IAPE é a complicação mais temida, com alta mortalidade, caracterizada por sepse fulminante causada por bactérias encapsuladas. O termo "superinfecção" aqui se refere à infecção grave que supera a capacidade de defesa do organismo, não a uma infecção sobreposta a outra.
Alternativa B — ✅ Correta
A alternativa afirma que o risco de IAPE é maior em pacientes com talassemia e doença falciforme. Correto: essas hemoglobinopatias cursam com disfunção esplênica progressiva (autoesplenectomia), comprometendo a imunidade mesmo antes da cirurgia. Após a esplenectomia, o risco é ainda maior, pois o paciente perde completamente a função de filtro e produção de opsoninas.
Alternativa C — ✅ Correta
A alternativa afirma que a IAPE é causada por organismos encapsulados de polissacarídeos, como Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae. Correto: esses são os principais agentes, pois sua cápsula polissacarídica dificulta a fagocitose, que depende da opsonização por properdina, tuftsina e anticorpos — mecanismos comprometidos após a esplenectomia.
Alternativa D — ✅ Correta
A alternativa afirma que o risco de IAPE geralmente é maior nos primeiros dois anos após a esplenectomia. Correto: o período de maior incidência é nos primeiros 2 anos, embora o risco persista por toda a vida, especialmente em crianças e imunocomprometidos. A literatura médica aponta esse pico inicial, o que justifica a profilaxia antibiótica mais intensa nesse período.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que a properdina e a tuftsina, proteínas inflamatórias produzidas no baço, encontram-se com níveis séricos aumentados após a esplenectomia. Isso é incorreto: como o baço é o principal sítio de produção dessas proteínas, sua remoção leva à diminuição dos níveis séricos. A properdina participa da via alternativa do complemento, e a tuftsina estimula a fagocitose por neutrófilos e macrófagos; sua redução compromete a opsonização e a eliminação de bactérias encapsuladas, aumentando a suscetibilidade à IAPE. A banca inverteu o efeito: em vez de aumentados, os níveis ficam diminuídos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o papel do baço e o efeito de sua remoção. O candidato pode pensar que, ao remover o baço, o corpo compensaria aumentando a produção das proteínas — mas não é isso que ocorre: a produção cai, pois o órgão produtor foi retirado. Lembre-se: esplenectomia → properdina e tuftsina diminuídas → maior risco de infecção.
Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois inverte o efeito da esplenectomia sobre os níveis de properdina e tuftsina.