Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Gastroenterologia
Código
qq970270
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Endoscopia Digestiva
Um paciente de 48 anos procura atendimento médico devido à icterícia de início há 2 dias. Nega dor, febre ou outras queixas. Nunca teve episódios semelhantes a esses ou relacionados. Fez ultrassonografia que mostrou cálculo em via biliar principal com dilatação do ducto colédoco, sem outros cálculos em vesícula biliar. Assinale a alternativa compatível com a conduta mais adequada para esse caso.
ARealizar colecistectomia aberta com exploração das vias biliares para extração do cálculo.
BRealizar laparotomia exploradora com coledocotomia e extração do cálculo.
CRealizar CPRE (colangiopancreatografia endoscópica retrógrada) com esfincterotomia e extração do cálculo, seguida de nova exploração da via biliar por via laparotômica.
DRealizar colecistectomia videolaparoscópica com colangiografia intraoperatória e drenagem da via biliar, seguida de CPRE em outro tempo cirúrgico.
ERealizar CPRE com esfincterotomia e extração do cálculo, seguida ou não de colecistectomia em segundo tempo.
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GabaritoE — Realizar CPRE com esfincterotomia e extração do cálculo, seguida ou não de colecistectomia em segundo tempo.
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Coledocolitíase: conduta terapêutica
Gabarito: letra E. Em paciente com coledocolitíase sintomática (icterícia obstrutiva) e vesícula biliar sem outros cálculos, a conduta mais adequada é a CPRE com esfincterotomia e extração do cálculo, seguida ou não de colecistectomia em segundo tempo — a CPRE é o padrão-ouro terapêutico para cálculos do ducto colédoco, e a colecistectomia profilática pode ser realizada posteriormente, conforme o risco de recorrência. Essa abordagem é respaldada pela literatura médica, que reserva a CPRE para intervenções terapêuticas e indica a colecistectomia após a estabilização do paciente.
A coledocolitíase é a presença de cálculos no ducto colédoco, geralmente originários da vesícula biliar. No paciente descrito, a ultrassonografia já confirmou o diagnóstico, mostrando cálculo na via biliar principal com dilatação do ducto colédoco, e a vesícula biliar sem outros cálculos. O quadro clínico é de icterícia obstrutiva, sem sinais de colangite (febre, dor, tríade de Charcot) ou pancreatite. O objetivo do tratamento é desobstruir a via biliar e prevenir complicações como colangite aguda e pancreatite biliar.
A CPRE é o procedimento de escolha para a extração de cálculos do ducto colédoco, pois permite, em um único ato, a visualização direta da árvore biliar, a esfincterotomia (corte do esfíncter de Oddi) e a extração do cálculo com auxílio de balão ou cesta. É uma técnica minimamente invasiva, com menor morbidade em comparação à cirurgia aberta. Após a CPRE bem-sucedida, a decisão de realizar colecistectomia (remoção da vesícula biliar) em um segundo tempo é individualizada. Como o paciente não apresenta outros cálculos na vesícula, o risco de novos episódios de coledocolitíase é menor, mas a colecistectomia profilática ainda é frequentemente recomendada para eliminar a fonte de formação de cálculos e prevenir complicações futuras, como colecistite aguda ou nova migração de cálculos.
A alternativa E é a única que reflete integralmente essa conduta: CPRE terapêutica como primeiro passo e colecistectomia em segundo tempo, se indicada. As demais alternativas propõem abordagens cirúrgicas mais invasivas ou sequências inadequadas, que não são a primeira escolha na prática clínica atual.
A distinção crucial é entre o tratamento endoscópico (CPRE) e o cirúrgico (exploração da via biliar). A CPRE é preferida por ser menos invasiva, ter menor morbidade e ser altamente eficaz. A cirurgia (coledocotomia, exploração da via biliar) fica reservada para casos em que a CPRE falha, não está disponível ou há indicações específicas, como cálculos muito grandes ou múltiplos. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode pensar que a cirurgia é a primeira opção, mas a CPRE é o padrão-ouro.
1CPRE + esfincterotomia
2Extração do cálculo
3Colecistectomia em 2º tempo (se indicada)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A colecistectomia aberta com exploração das vias biliares é um procedimento cirúrgico invasivo, que não é a primeira escolha para o tratamento da coledocolitíase. A CPRE é o método preferencial por ser menos invasiva e ter menor morbidade. Além disso, a alternativa não menciona a CPRE, que é o padrão-ouro terapêutico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A laparotomia exploradora com coledocotomia e extração do cálculo é uma abordagem cirúrgica aberta, mais invasiva e com maior morbidade que a CPRE. Não é a conduta inicial recomendada para coledocolitíase, a menos que a CPRE não esteja disponível ou tenha falhado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Esta alternativa propõe CPRE com esfincterotomia e extração do cálculo, seguida de nova exploração da via biliar por via laparotômica. A CPRE é o tratamento correto, mas a exploração cirúrgica adicional em seguida é desnecessária e mais invasiva, sem benefício comprovado. A colecistectomia, se indicada, deve ser realizada em segundo tempo, não a exploração da via biliar.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A colecistectomia videolaparoscópica com colangiografia intraoperatória e drenagem da via biliar, seguida de CPRE em outro tempo, inverte a sequência ideal. A CPRE deve ser realizada primeiro para desobstruir a via biliar, e a colecistectomia em segundo tempo, se necessária. Além disso, a drenagem da via biliar não é uma prática padrão após a extração do cálculo.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta mais adequada: CPRE com esfincterotomia e extração do cálculo, seguida ou não de colecistectomia em segundo tempo. A CPRE é o tratamento de escolha para coledocolitíase, e a colecistectomia profilática pode ser realizada posteriormente para prevenir recorrência, especialmente se houver risco de novos cálculos. A alternativa está alinhada com as diretrizes atuais e a prática clínica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a escolher uma abordagem cirúrgica (alternativas A, B, C, D) como primeira opção, quando na verdade a CPRE endoscópica é o padrão-ouro. A confusão é entre o tratamento endoscópico minimamente invasivo e a cirurgia aberta, que é mais invasiva e reservada para casos específicos. Lembre-se: na coledocolitíase, a CPRE é a primeira escolha; a cirurgia é alternativa quando a CPRE falha ou não está disponível.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de conduta em coledocolitíase, lembre-se da sequência: 1) CPRE para desobstruir a via biliar; 2) colecistectomia em segundo tempo, se indicada. A CPRE é sempre a primeira opção terapêutica, a menos que haja contraindicação. Essa lógica resolve a maioria das questões sobre o tema.