Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Oncologia
Código
qq970273
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Endoscopia Digestiva
Um paciente descobriu uma massa em adrenal direita incidentalmente em uma tomografia. O médico decide investigar essa massa para saber se o tumor é um feocromocitoma ou não. Assinale a alternativa que apresenta corretamente os exames que podem ser solicitados pelo médico, os quais contribuem para a elucidação desse diagnóstico, e quais os cuidados perioperatório com o paciente com esse diagnóstico.
APesquisa de metanefrinas livres plasmáticas, pesquisa de metanefrinas e catecolaminas em urina de 24h, teste de supressão de clonidina / Realizar bloqueio alfa-adrenérgico seguido de betabloqueadores para pacientes com taquicardia persistente.
BPesquisa de proteínas em urina de 24h, teste de insulina e cortisol plasmáticos, teste de dopamina plasmática / Administrar agonistas beta-adrenérgicos seguidos de alfabloqueadores.
CPesquisa de renina e aldosterona plasmáticas, teste de supressão de insulina / Administrar agonistas alfa-adrenérgicos seguidos de betabloqueadores.
DTeste de supressão de clonidina, pesquisa de metanefrinas livres plasmáticas e em urina de 24h, pesquisa de catecolaminas em urina de 24h / Administrar betabloqueadores seguidos de bloqueio alfa-adrenérgico para pacientes com taquicardia persistente expansão volêmica.
EPesquisa de catecolaminas plasmáticas, prova do laço e teste de insulina em urina de 24h / Realizar bloqueio alfa e beta-adrenérgicos associado à expansão volêmica agressiva.
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GabaritoA — Pesquisa de metanefrinas livres plasmáticas, pesquisa de metanefrinas e catecolaminas em urina de 24h, teste de supressão de clonidina / Realizar bloqueio alfa-adrenérgico seguido de betabloqueadores para pacientes com taquicardia persistente.
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Feocromocitoma: diagnóstico laboratorial e preparo pré-operatório
Gabarito: letra A. O diagnóstico bioquímico do feocromocitoma se baseia na dosagem de metanefrinas livres plasmáticas e de metanefrinas e catecolaminas em urina de 24 horas, com o teste de supressão com clonidina como exame complementar em casos de elevação limítrofe; o preparo cirúrgico exige bloqueio alfa-adrenérgico prévio, seguido de betabloqueador apenas se houver taquicardia persistente — exatamente o que a alternativa A descreve. Essa conduta é consenso na literatura médica (diretrizes de endocrinologia e cirurgia), e o erro das demais alternativas está em trocar os exames diagnósticos ou inverter a ordem do bloqueio adrenérgico.
O feocromocitoma é um tumor neuroendócrino das células cromafins da medula adrenal que produz e secreta catecolaminas (epinefrina e norepinefrina). Clinicamente, manifesta-se com hipertensão arterial — frequentemente paroxística — acompanhada da tríade clássica de cefaleia, palpitações e sudorese. Contudo, com o uso crescente de exames de imagem, a apresentação mais comum hoje é o incidentaloma adrenal: uma massa descoberta ao acaso em uma tomografia feita por outro motivo, como no caso do enunciado. O grande perigo é o paciente ser submetido a procedimentos sem o diagnóstico, pois a manipulação do tumor pode liberar uma descarga maciça de catecolaminas e provocar crise hipertensiva grave, com mortalidade perioperatória que pode ultrapassar 80%.
O diagnóstico laboratorial é a primeira etapa e se baseia na demonstração de níveis elevados de metanefrinas, que são os metabólitos metilados da norepinefrina e da epinefrina. Diferentemente das catecolaminas, que são liberadas de forma intermitente, as metanefrinas vazam continuamente do tumor para o plasma, o que as torna marcadores mais sensíveis e estáveis. Os exames de primeira linha são: metanefrinas livres plasmáticas (considerados os melhores testes para confirmar ou excluir o diagnóstico) e metanefrinas e catecolaminas fracionadas em urina de 24 horas. Quando os níveis estão apenas levemente elevados, o teste de supressão com clonidina ajuda a diferenciar o feocromocitoma de estados de hiperatividade simpática: em pacientes sem o tumor, a clonidina (um agonista alfa-2 central) suprime a liberação de catecolaminas e os níveis caem; no feocromocitoma, os níveis permanecem inalterados ou até aumentam, pois a produção tumoral é autônoma.
O tratamento é cirúrgico, e o preparo pré-operatório é crucial para evitar as oscilações hemodinâmicas durante a manipulação do tumor. A conduta padrão é iniciar o bloqueio alfa-adrenérgico (com fenoxibenzamina, por exemplo) de 1 a 2 semanas antes da cirurgia, para controlar a hipertensão e permitir a expansão do volume intravascular. O betabloqueador só deve ser adicionado após o bloqueio alfa estar estabelecido, e apenas se houver taquicardia persistente — nunca antes, pois o bloqueio beta isolado deixa a vasoconstrição alfa sem oposição, podendo precipitar crise hipertensiva grave. Essa é a sequência fisiológica correta: primeiro bloqueia o receptor alfa (que causa vasoconstrição), depois o beta (que causa taquicardia).
A pegadinha central desta questão é dupla: (1) trocar os exames diagnósticos por outros que não têm relação com o feocromocitoma (como renina/aldosterona, proteínas urinárias, prova do laço) e (2) inverter a ordem do bloqueio adrenérgico no preparo cirúrgico, colocando o betabloqueador antes do alfabloqueador — um erro que pode ser fatal. Guarde a sequência: alfa primeiro, beta depois (se necessário). É exatamente esse critério que separa a alternativa correta das demais.
Critério
Alternativa A (✅ Correta)
Alternativa D (❌ Incorreta — mais traiçoeira)
Exames diagnósticos
Metanefrinas livres plasmáticas; metanefrinas e catecolaminas em urina de 24h; teste de supressão com clonidina
Teste de supressão de clonidina; metanefrinas livres plasmáticas e em urina de 24h; catecolaminas em urina de 24h
Ordem do bloqueio adrenérgico
Bloqueio alfa-adrenérgico primeiro, seguido de betabloqueador (se taquicardia persistente)
Betabloqueador primeiro, seguido de bloqueio alfa-adrenérgico (ordem invertida)
Segurança hemodinâmica
Correta — evita crise hipertensiva
Incorreta — risco de crise hipertensiva grave (vasoconstrição alfa sem oposição)
Expansão volêmica
Implícita no bloqueio alfa prévio (restauração gradual do volume)
Mencionada, mas não compensa o erro na sequência do bloqueio
1Bloqueio alfa-adrenérgico
2Expansão volêmica
3Betabloqueador se taquicardia
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A está correta porque lista os exames diagnósticos adequados para investigação do feocromocitoma — metanefrinas livres plasmáticas, metanefrinas e catecolaminas em urina de 24h e teste de supressão com clonidina (útil em casos de elevação limítrofe) — e descreve corretamente o preparo perioperatório: bloqueio alfa-adrenérgico seguido de betabloqueadores para pacientes com taquicardia persistente. Essa é exatamente a sequência recomendada: o bloqueio alfa é iniciado primeiro (1 a 2 semanas antes da cirurgia) para controlar a hipertensão e restaurar o volume intravascular; o betabloqueador é adicionado somente após o bloqueio alfa estar efetivo, e apenas se houver taquicardia, para evitar a taquicardia reflexa sem o risco de hipertensão não controlada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B erra ao propor exames que não são utilizados no diagnóstico de feocromocitoma: pesquisa de proteínas em urina de 24h (indicada para proteinúria, como na pré-eclâmpsia ou doença renal), teste de insulina e cortisol plasmáticos (relacionados a avaliação de resistência insulínica e síndrome de Cushing, não ao feocromocitoma) e teste de dopamina plasmática (a dopamina não é o marcador padrão). Além disso, o preparo cirúrgico está invertido e errado: administrar agonistas beta-adrenérgicos seguidos de alfabloqueadores — agonistas beta estimulariam ainda mais o sistema adrenérgico, o que é contraindicado; o correto é o bloqueio, não a estimulação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C também apresenta exames inadequados: renina e aldosterona plasmáticas são utilizadas na investigação de hiperaldosteronismo primário (causa de hipertensão secundária por excesso de mineralocorticoide), não de feocromocitoma; e o teste de supressão de insulina não tem papel no diagnóstico desse tumor. O preparo cirúrgico está duplamente errado: administrar agonistas alfa-adrenérgicos seguidos de betabloqueadores — agonistas alfa causariam vasoconstrição e hipertensão, exatamente o oposto do que se deseja; o correto é o bloqueio alfa, não a estimulação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D acerta parcialmente nos exames diagnósticos — teste de supressão de clonidina, metanefrinas livres plasmáticas e em urina de 24h, e catecolaminas em urina de 24h são todos exames válidos — mas erra gravemente na ordem do preparo cirúrgico: administrar betabloqueadores seguidos de bloqueio alfa-adrenérgico. Essa inversão é perigosa: o betabloqueador isolado, sem bloqueio alfa prévio, deixa a vasoconstrição alfa sem oposição, podendo precipitar crise hipertensiva grave. A ordem correta é sempre alfa primeiro, beta depois (se necessário). A menção a "expansão volêmica" no final é correta, mas não salva a alternativa por causa do erro na sequência do bloqueio.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E erra nos exames: catecolaminas plasmáticas não são o teste de primeira linha (as metanefrinas são preferíveis por serem mais estáveis), prova do laço é um teste para fragilidade capilar (usado na investigação de dengue e outras doenças hemorrágicas) e teste de insulina em urina de 24h não existe na prática clínica para esse fim. O preparo cirúrgico também está incorreto: bloqueio alfa e beta-adrenérgicos associado à expansão volêmica agressiva — embora a expansão volêmica seja parte do preparo, ela deve ser feita de forma gradual após o bloqueio alfa, e não "agressiva" de imediato; além disso, o betabloqueador só deve ser adicionado após o alfa, e não simultaneamente desde o início.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora duas armadilhas clássicas: (1) trocar os exames diagnósticos do feocromocitoma por exames de outras doenças (renina/aldosterona para hiperaldosteronismo, proteínas urinárias para proteinúria, prova do laço para fragilidade capilar) e (2) inverter a ordem do bloqueio adrenérgico no preparo cirúrgico — colocar o betabloqueador antes do alfabloqueador é um erro que pode levar a crise hipertensiva fatal. A alternativa D é a mais traiçoeira, pois acerta os exames mas erra justamente na sequência do bloqueio. Com treino, você identifica essas inversões de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar a sequência do preparo cirúrgico, lembre-se: "Alfa primeiro, Beta depois" — o alfa bloqueia a vasoconstrição (controla a PA) e o beta só entra se houver taquicardia, para proteger o coração. Na prova, desconfie de qualquer alternativa que coloque o beta antes do alfa ou que use agonistas no lugar de bloqueadores. E para os exames, grave: metanefrinas (plasma e urina) são o padrão-ouro; catecolaminas urinárias são complementares; clonidina é o teste de confirmação em casos limítrofes.