Questão de Medicina — Oncologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Oncologia
Código
qq970279
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Endoscopia Digestiva
Paciente do sexo feminino, 52 anos, com excelente estado geral, assintomática, comparece ao consultório com exames solicitados por outro médico. Na época, foi feito o diagnóstico de adenocarcinoma de cólon direito não obstrutivo, com metástases hepáticas sincrônicas bilaterais, sendo indicada quimioterapia como abordagem inicial. Como a paciente não concordou com o tratamento, ela está em busca de uma segunda opinião. Nesse caso, a orientação é
Apropor cirurgia conjunta hepática e colônica por causa da idade precoce e excelente estado geral.
Bindicar colostomia profilática por causa do iminente risco de obstrução intestinal e seguir com quimioterapia.
Cpropor hepatectomia como tratamento inicial, estratégia liver-first. A seguir, completar com colectomia segmentar oncológica.
Dseguir a conduta inicial do médico que a avaliou primeiramente, deixando claro os riscos e benefícios.
Efazer colectomia por videolaparoscopia e, caso não tenha metástase linfonodal, indicar hepatectomia a seguir.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — seguir a conduta inicial do médico que a avaliou primeiramente, deixando claro os riscos e benefícios.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Câncer de cólon metastático: conduta e autonomia do paciente
Gabarito: letra D. A paciente tem adenocarcinoma de cólon direito não obstrutivo com metástases hepáticas sincrônicas bilaterais, doença metastática (estádio IV) que, pela diretriz, tem como abordagem inicial a quimioterapia sistêmica — e não a cirurgia imediata. Como ela recusou o tratamento e busca segunda opinião, a conduta correta é seguir a conduta inicial do médico que a avaliou primeiramente, deixando claros os riscos e benefícios, respeitando a autonomia da paciente e o princípio da não maleficência. A alternativa D é a única que concilia a recomendação técnica (quimioterapia como primeira linha) com a ética médica (respeito à decisão da paciente após informação adequada).
O adenocarcinoma de cólon metastático (estádio IV) é uma doença sistêmica. A cirurgia do tumor primário, nesse cenário, não é curativa e, na ausência de sintomas obstrutivos, não há indicação de ressecção imediata. A diretriz do Ministério da Saúde (PCDT de Adenocarcinoma de Cólon e Reto) é clara: a quimioterapia paliativa é o tratamento de primeira linha para pacientes com doença metastática, desde que tenham boa capacidade funcional (ECOG 0, 1 ou 2) e expectativa de vida maior que seis meses. A paciente se encaixa nesse perfil: 52 anos, excelente estado geral, assintomática. Portanto, a conduta inicial proposta — quimioterapia — está tecnicamente correta.
A questão, porém, não testa apenas o conhecimento técnico; testa também a ética médica. A paciente não concordou com o tratamento e busca segunda opinião. O médico, ao recebê-la, deve respeitar sua autonomia, mas também tem o dever de informar claramente os riscos e benefícios de cada opção, incluindo os riscos de não tratar. A segunda opinião não significa necessariamente mudar a conduta; significa reavaliar o caso e, se a conduta estiver adequada, reafirmá-la com uma comunicação clara e empática. É exatamente isso que a alternativa D propõe.
As demais alternativas propõem condutas cirúrgicas imediatas (cirurgia conjunta, colostomia profilática, hepatectomia liver-first, colectomia videolaparoscópica), todas inadequadas para este caso. A doença é metastática e não obstrutiva; a cirurgia não é o primeiro passo. A colostomia profilática, em particular, é um absurdo: não há obstrução e a colostomia não trata o câncer. A estratégia liver-first pode ser considerada em casos selecionados de metástases hepáticas ressecáveis, mas não é a abordagem inicial padrão para doença metastática sincrônica bilateral, e a paciente não foi avaliada para ressecabilidade. A colectomia videolaparoscópica com hepatectomia subsequente também não é a conduta inicial.
A pegadinha da questão está em confundir o tratamento curativo do câncer de cólon localizado com o tratamento paliativo do câncer metastático. No estádio IV, a quimioterapia é o pilar do tratamento; a cirurgia fica reservada para casos selecionados (metástases ressecáveis, complicações como obstrução ou perfuração). A banca explora essa confusão ao oferecer alternativas cirúrgicas atraentes, mas tecnicamente incorretas para o cenário apresentado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a escolher uma conduta cirúrgica "agressiva" (cirurgia conjunta, liver-first, colectomia), como se o estádio IV com metástases bilaterais fosse curável por cirurgia imediata. Mas a doença metastática sincrônica bilateral, sem obstrução, tem como primeira linha a quimioterapia sistêmica. Além disso, a questão testa a ética: a paciente recusou o tratamento e busca segunda opinião — o médico deve respeitar a autonomia, informar riscos e benefícios, e não impor uma conduta. A alternativa D é a única que une a recomendação técnica à ética médica.
Câncer de cólon metastático (estádio IV): Tratamento de 1ª linha (Quimioterapia sistêmica, Cirurgia imediata não é curativa); Cirurgia reservada (Metástases ressecáveis, Complicações (obstrução/perfuração)); Autonomia da paciente (Respeitar recusa, Informar riscos e benefícios, Reafirmar conduta adequada)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Propõe cirurgia conjunta hepática e colônica como abordagem inicial. No adenocarcinoma de cólon metastático (estádio IV), a cirurgia do tumor primário não é curativa e não é indicada como primeiro passo, especialmente na ausência de sintomas obstrutivos. A quimioterapia sistêmica é o tratamento de primeira linha. A ressecção simultânea de metástases hepáticas e do tumor primário pode ser considerada em casos selecionados de doença oligometastática ressecável, mas não é a conduta inicial padrão para metástases bilaterais sincrônicas, e a paciente não foi avaliada para ressecabilidade. A alternativa ignora a diretriz e a necessidade de tratamento sistêmico inicial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Indica colostomia profilática por risco iminente de obstrução. O tumor é descrito como não obstrutivo, portanto não há indicação de colostomia profilática. Além disso, a colostomia não trata o câncer; é apenas uma medida de derivação fecal em casos de obstrução ou como parte de uma cirurgia curativa. A conduta correta para doença metastática não obstrutiva é quimioterapia sistêmica, não cirurgia paliativa profilática. A alternativa confunde o manejo de complicações (obstrução) com o tratamento da doença de base.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Propõe hepatectomia como tratamento inicial (estratégia liver-first), seguida de colectomia. A estratégia liver-first é uma abordagem válida em casos selecionados de metástases hepáticas ressecáveis, mas não é a conduta inicial padrão para doença metastática sincrônica bilateral. A ressecabilidade das metástases não foi avaliada, e a quimioterapia sistêmica é o tratamento de primeira linha para doença metastática. A alternativa antecipa uma cirurgia de alta complexidade sem o devido estadiamento e planejamento terapêutico, e sem considerar a preferência da paciente.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Seguir a conduta inicial do médico que a avaliou primeiramente, deixando claros os riscos e benefícios. A conduta inicial — quimioterapia — está tecnicamente correta para adenocarcinoma de cólon metastático (estádio IV) com boa capacidade funcional. A paciente recusou o tratamento e busca segunda opinião; o médico deve respeitar sua autonomia, mas tem o dever de informar claramente os riscos e benefícios de cada opção, incluindo os riscos de não tratar. A segunda opinião não significa mudar a conduta se ela estiver adequada; significa reavaliar e reafirmar com uma comunicação clara e empática. Esta é a conduta ética e tecnicamente correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Propõe colectomia por videolaparoscopia e, caso não haja metástase linfonodal, hepatectomia a seguir. A cirurgia do tumor primário não é a abordagem inicial para doença metastática (estádio IV). A quimioterapia sistêmica é o tratamento de primeira linha. Além disso, a decisão de operar não depende apenas da ausência de metástase linfonodal; depende da ressecabilidade das metástases hepáticas, do controle da doença sistêmica e do estado geral do paciente. A alternativa ignora a diretriz e propõe uma sequência cirúrgica inadequada para o cenário apresentado.