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Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaGastroenterologia
Código
qq970297
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Endoscopia Digestiva
Paciente do sexo masculino, 57 anos, com histórico de doença arterial coronariana (2 infartos agudos do miocárdio prévios), vem para a consulta por queixa de dor abdominal pós-alimentar há cerca de 6 meses. Nega alterações do hábito intestinal ou perda de peso. Tem endoscopia e colonoscopia de rastreio há 1 ano, sem alterações e apresenta uma ultrassonografia com esteatose hepática apenas. Um colega sugeriu a possibilidade de isquemia mesentérica crônica. Sobre esse quadro, deve-se considerar que
  1. Acomo o paciente não apresenta a tríade clássica, deve ser excluída a hipótese diagnóstica de isquemia mesentérica crônica.
  2. Ba angiotomografia de abdômen é o exame de eleição no diagnóstico da sua suspeita clínica.
  3. Ca síndrome de Dunbar não pode ser um diagnóstico diferencial.
  4. Dem pacientes com dor abdominal inexplicada e estenose significativa da artéria mesentérica superior, não há necessidade de teste funcional para o diagnóstico de isquemia mesentérica crônica.
  5. Eem pacientes assintomáticos com doença arterial mesentérica multiarterial, uma estenose de artéria mesentérica superior maior ou igual a 50% pode ser considerada relevante.
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GabaritoB — a angiotomografia de abdômen é o exame de eleição no diagnóstico da sua suspeita clínica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Isquemia mesentérica crônica: diagnóstico por imagem

Gabarito: letra B. Na suspeita clínica de isquemia mesentérica crônica, a angiotomografia de abdômen é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, pois permite avaliar com precisão as estenoses das artérias mesentéricas (tronco celíaco, artéria mesentérica superior e inferior). A alternativa correta reflete exatamente essa recomendação.

A isquemia mesentérica crônica, também chamada de angina intestinal, é uma condição causada pela insuficiência do fluxo sanguíneo para o intestino, geralmente por doença aterosclerótica das artérias mesentéricas. O quadro clássico é a dor abdominal pós-prandial (que piora após as refeições), associada a perda de peso e fobia alimentar (medo de comer por causa da dor). No entanto, a tríade completa é rara — muitos pacientes apresentam apenas a dor pós-prandial, como o paciente do caso, que nega perda de peso. A presença de doença arterial coronariana prévia é um forte fator de risco, pois a aterosclerose é uma doença sistêmica.

O diagnóstico é essencialmente clínico, mas confirmado por imagem. A angiotomografia (angio-TC) é o exame de primeira linha, pois é não invasivo, amplamente disponível e tem alta acurácia para detectar estenoses significativas (> 50-70%) nas artérias mesentéricas. A angiografia convencional é o padrão-ouro, mas é invasiva e reservada para casos em que a angio-TC é inconclusiva ou quando se planeja intervenção. A ultrassonografia Doppler pode ser útil como triagem, mas é operador-dependente e tem limitações em pacientes obesos ou com gás intestinal.

Um ponto crucial é que a simples presença de estenose na imagem não confirma o diagnóstico — é necessário correlacionar com a clínica e, em muitos casos, realizar testes funcionais, como a oximetria de luz visível durante endoscopia ou a tonometria gástrica, para demonstrar a isquemia real. Isso porque muitos pacientes têm estenoses significativas assintomáticas. A síndrome de Dunbar (compressão do tronco celíaco pelo ligamento arqueado mediano) é um diagnóstico diferencial importante, especialmente em pacientes mais jovens, e deve ser considerada.

A banca explora aqui a confusão entre estenose anatômica e doença clínica: a presença de estenose na imagem não é suficiente para o diagnóstico de isquemia mesentérica crônica — é preciso que haja sintomas compatíveis e, idealmente, confirmação funcional. Guarde essa distinção: ela é o critério que separa as alternativas corretas das incorretas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A ausência da tríade clássica (dor pós-prandial, perda de peso e fobia alimentar) não exclui o diagnóstico de isquemia mesentérica crônica. A tríade completa está presente em apenas uma minoria dos pacientes; muitos apresentam apenas a dor pós-prandial, como o paciente do caso. A alternativa erra ao transformar a tríade em critério obrigatório, quando na prática ela é um achado sugestivo, mas não necessário.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A angiotomografia de abdômen é o exame de imagem de escolha na suspeita de isquemia mesentérica crônica. Ela permite avaliar com alta precisão as estenoses das artérias mesentéricas (tronco celíaco, artéria mesentérica superior e inferior), sendo não invasiva e amplamente disponível. É o primeiro exame a ser solicitado para confirmar a suspeita clínica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A síndrome de Dunbar (compressão extrínseca do tronco celíaco pelo ligamento arqueado mediano do diafragma) pode e deve ser considerada como diagnóstico diferencial em pacientes com dor abdominal pós-prandial, especialmente em indivíduos mais jovens e sem fatores de risco ateroscleróticos. A alternativa afirma o contrário, o que é falso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Em pacientes com dor abdominal inexplicada e estenose significativa da artéria mesentérica superior, há necessidade de teste funcional para confirmar o diagnóstico de isquemia mesentérica crônica. A simples presença de estenose na imagem não prova que ela é a causa da dor — muitos pacientes têm estenoses assintomáticas. Testes funcionais (como oximetria de luz visível durante endoscopia ou tonometria gástrica) ajudam a demonstrar a isquemia real e a correlacionar a anatomia com a clínica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Em pacientes assintomáticos com doença arterial mesentérica multiarterial, uma estenose de artéria mesentérica superior ≥ 50% não pode ser considerada relevante por si só. A relevância clínica é determinada pela presença de sintomas e pela correlação funcional, não apenas pelo grau anatômico da estenose. Muitos pacientes com estenoses significativas são assintomáticos e não necessitam de intervenção.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre estenose anatômica e doença clínica. Nas alternativas D e E, a presença de estenose significativa é apresentada como suficiente para o diagnóstico ou para considerar a doença relevante, quando na verdade é necessário correlacionar com os sintomas e, idealmente, com testes funcionais. Fique atento: a imagem mostra a anatomia, mas a clínica decide o tratamento.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de isquemia mesentérica, lembre-se da sequência: suspeita clínica (dor pós-prandial + fatores de risco) → angio-TC (confirma estenose) → teste funcional (correlaciona com isquemia real) → tratamento (revascularização se sintomático). A tríade clássica é rara, e a ausência dela não exclui o diagnóstico.

Gabarito: letra B

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