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Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaGastroenterologia
Código
qq970327
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Endoscopia Digestiva
Paciente do sexo feminino, 45 anos, realiza sua primeira endoscopia digestiva alta por sintomas dispépticos. Ao exame, observa-se uma nodulação na parede posterior do antro gástrico, de cerca de 1 cm, recoberta com mucosa de aspecto normal, com uma umbilicação central. Sobre esse achado, é INCORRETO afirmar que
  1. Aa lesão é benigna e não necessita de qualquer investigação adicional.
  2. Bdeve-se realizar biópsia sob biópsia para auxiliar no diagnóstico, pois nesse tipo de lesão há um alto rendimento diagnóstico com essa conduta.
  3. Co sinal da tenda pode ser positivo no caso descrito.
  4. Ddentre a semiologia endoscópica utilizada está o sinal do travesseiro.
  5. Ena ecoendoscopia é possível que a lesão se apresente como uma massa homogênea hipoecoica na terceira e quarta camada.
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GabaritoB — deve-se realizar biópsia sob biópsia para auxiliar no diagnóstico, pois nesse tipo de lesão há um alto rendimento diagnóstico com essa conduta.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tumor subepitelial gástrico: GIST e a semiologia endoscópica

Gabarito: letra B. A questão descreve um tumor subepitelial (lesão submucosa) do antro gástrico — nodulação de 1 cm, mucosa de aspecto normal e umbilicação central — cujo diagnóstico diferencial principal é o GIST (tumor estromal gastrointestinal). A alternativa B é a INCORRETA porque afirma que a biópsia convencional (pinça) tem alto rendimento diagnóstico nesse tipo de lesão, o que é falso: como o tumor está coberto por mucosa normal, a biópsia endoscópica padrão raramente atinge o tecido submucoso, sendo o diagnóstico adequado feito por ecoendoscopia com punção aspirativa por agulha fina (PAAF) ou biópsia profunda ("biópsia sob biópsia"). As demais alternativas descrevem corretamente a semiologia e a conduta diante de um tumor subepitelial.

O achado endoscópico descrito — nodulação submucosa com mucosa íntegra e umbilicação central — é a apresentação clássica de um tumor subepitelial gástrico, sendo o GIST o mais comum. Essas lesões crescem na camada muscular da mucosa ou na muscular própria, por isso a mucosa que as recobre permanece com aspecto normal à endoscopia convencional. A umbilicação central corresponde ao ponto de fixação do tumor à mucosa, que pode ser vista como uma depressão central.

A semiologia endoscópica dessas lesões inclui sinais que ajudam a diferenciá-las de pólipos epiteliais. O sinal da tenda (ou sinal da barraca) é positivo quando, ao abrir a pinça de biópsia sobre a lesão, a mucosa se eleva como uma tenda, indicando que a lesão é submucosa e não epitelial. O sinal do travesseiro (ou sinal do coxim) é observado quando, ao pressionar a lesão com a pinça fechada, ela afunda como um travesseiro, também sugerindo lesão submucosa. Esses sinais são úteis na caracterização endoscópica, mas não substituem a confirmação histológica.

A ecoendoscopia (USE) é o método de escolha para avaliação de tumores subepiteliais, pois permite identificar a camada de origem da lesão e suas características ecográficas. No GIST, a lesão geralmente se origina da muscular própria (4ª camada ecoendoscópica) e se apresenta como uma massa homogênea hipoecoica. A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) guiada por ecoendoscopia é o método diagnóstico de escolha, com alto rendimento para obtenção de material para análise histológica e imuno-histoquímica (CD117, DOG1).

A biópsia endoscópica convencional (com pinça) tem baixo rendimento diagnóstico para tumores subepiteliais, pois a mucosa que recobre a lesão é normal e a pinça não alcança a camada submucosa ou muscular onde o tumor se encontra. A técnica de "biópsia sob biópsia" (biópsia profunda, com retirada sequencial da mucosa sobre a lesão) pode aumentar o rendimento, mas ainda assim é inferior à PAAF guiada por ecoendoscopia. Portanto, a afirmação de que a biópsia convencional tem "alto rendimento diagnóstico" é incorreta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a biópsia convencional (baixo rendimento em lesões submucosas) e a PAAF guiada por ecoendoscopia (alto rendimento). O candidato que não conhece a limitação da biópsia com pinça tende a marcar a alternativa B como correta, quando ela é justamente a INCORRETA pedida. Lembre-se: em tumor subepitelial com mucosa normal, a biópsia padrão raramente diagnostica — o método de escolha é a ecoendoscopia com PAAF.

1Apresentação
Mucosa normal
Umbilicação central
2Semiologia endoscópica
Sinal da tenda
Sinal do travesseiro
3Diagnóstico
Biópsia convencional (baixo rendimento)
Ecoendoscopia com PAAF (alto rendimento)
4Ecoendoscopia (GIST)
Origem: muscular própria (4ª camada)
Massa homogênea hipoecoica
Tumor subepitelial gástrico
LEVELsoulevel.com.br
Tumor subepitelial gástrico: Apresentação (Mucosa normal, Umbilicação central); Semiologia endoscópica (Sinal da tenda, Sinal do travesseiro); Diagnóstico (Biópsia convencional (baixo rendimento), Ecoendoscopia com PAAF (alto rendimento)); Ecoendoscopia (GIST) (Origem: muscular própria (4ª camada), Massa homogênea hipoecoica)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a lesão é benigna e não necessita de qualquer investigação adicional. Isso é incorreto porque, embora muitos tumores subepiteliais sejam benignos (como leiomiomas e lipomas), o GIST tem potencial maligno e exige investigação adequada (ecoendoscopia, biópsia, avaliação de risco mitótico e de tamanho). Mesmo lesões pequenas (< 2 cm) podem apresentar comportamento agressivo, e a conduta não é simplesmente "não investigar". A alternativa A é uma afirmação falsa, mas não é a INCORRETA pedida, pois a questão pede a alternativa INCORRETA — e a B é a mais claramente errada.

Alternativa B — ✅ Correta (INCORRETA — gabarito)

A alternativa B afirma que "deve-se realizar biópsia sob biópsia para auxiliar no diagnóstico, pois nesse tipo de lesão há um alto rendimento diagnóstico com essa conduta". Esta é a INCORRETA pedida, pois a biópsia convencional (mesmo a "sob biópsia") tem baixo rendimento diagnóstico em tumores subepiteliais, justamente porque a mucosa que recobre a lesão é normal e a pinça não alcança a camada submucosa/muscular. O método de escolha para diagnóstico é a ecoendoscopia com PAAF, que tem alto rendimento. Portanto, a afirmação de que a biópsia sob biópsia tem "alto rendimento" é falsa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que "o sinal da tenda pode ser positivo no caso descrito". Isso é correto — o sinal da tenda é um sinal endoscópico clássico de lesão submucosa, observado quando a mucosa se eleva como uma tenda ao abrir a pinça sobre a lesão. Como a lesão descrita é submucosa, o sinal da tenda pode ser positivo. A alternativa C é uma afirmação verdadeira, portanto não é a INCORRETA pedida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que "dentre a semiologia endoscópica utilizada está o sinal do travesseiro". Isso é correto — o sinal do travesseiro (ou sinal do coxim) é outro sinal endoscópico de lesão submucosa, observado quando a lesão afunda como um travesseiro ao ser pressionada com a pinça fechada. A alternativa D é uma afirmação verdadeira, portanto não é a INCORRETA pedida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que "na ecoendoscopia é possível que a lesão se apresente como uma massa homogênea hipoecoica na terceira e quarta camada". Isso é correto — o GIST geralmente se origina da muscular própria (4ª camada ecoendoscópica) e se apresenta como massa homogênea hipoecoica. A alternativa E é uma afirmação verdadeira, portanto não é a INCORRETA pedida.

Conclusão: A alternativa B é a INCORRETA, pois a biópsia convencional (mesmo a "sob biópsia") tem baixo rendimento diagnóstico em tumores subepiteliais, sendo a ecoendoscopia com PAAF o método de escolha. As demais alternativas (A, C, D, E) descrevem corretamente a semiologia e a conduta diante de um tumor subepitelial gástrico.

Gabarito: letra B

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