Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qq970364
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Foniatria
Um otorrinolaringologista chega ao consultório e o primeiro paciente é uma mulher de 50 anos, IMC 41, hipertensa, cujo diagnóstico à consulta foi de apneia obstrutiva do sono. Nesse cenário, assinale a melhor orientação a ser dada para essa paciente.
AA apneia obstrutiva do sono acomete exclusivamente homens, portanto não há com o que se preocupar.
BO reflexo do músculo genioglosso aumenta com a idade.
CA obesidade é um fator que pode aumentar a deposição de gordura ao redor da faringe.
DA melhor opção de tratamento no caso é a uvulopalatofaringoplastia.
EA hipertensão tem pouca relação com a apneia obstrutiva do sono.
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GabaritoC — A obesidade é um fator que pode aumentar a deposição de gordura ao redor da faringe.
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Apneia obstrutiva do sono: obesidade e orientação ao paciente
Gabarito: letra C. A obesidade é um dos principais fatores de risco para a apneia obstrutiva do sono (AOS), pois o excesso de tecido adiposo, especialmente ao redor da faringe, estreita a via aérea superior e predispõe ao colapso durante o sono. A alternativa C expressa exatamente essa relação fisiopatológica, sendo a orientação mais adequada para a paciente do caso, que apresenta IMC 41 (obesidade grau III).
A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio respiratório do sono caracterizado por episódios repetidos de obstrução parcial ou completa das vias aéreas superiores durante o sono, resultando em dessaturação de oxigênio e despertares frequentes. A fisiopatologia envolve a interação entre fatores anatômicos (estreitamento da via aérea) e neuromusculares (redução do tônus dos músculos dilatadores da faringe, como o genioglosso).
A obesidade é o fator de risco modificável mais importante para a AOS. O acúmulo de gordura no pescoço e ao redor da faringe aumenta a pressão extraluminal sobre a via aérea, favorecendo seu colapso. Além disso, a obesidade central reduz o volume pulmonar e a tração traqueal, agravando ainda mais a obstrução. A perda de peso é, portanto, uma das medidas terapêuticas mais eficazes, podendo até mesmo curar a AOS em casos leves a moderados.
A relação entre AOS e hipertensão arterial é bidirecional e bem estabelecida. A AOS causa hipóxia intermitente, ativação simpática e estresse oxidativo, que contribuem para o desenvolvimento e a piora da hipertensão. O tratamento da AOS, como o CPAP, pode melhorar o controle pressórico. Portanto, a alternativa E, que minimiza essa relação, está incorreta.
O tratamento da AOS é escalonado e individualizado. Medidas gerais (perda de peso, posição de dormir, evitar álcool e sedativos) são a base. O CPAP é o tratamento padrão-ouro para casos moderados a graves. A uvulopalatofaringoplastia (UPFP) é uma opção cirúrgica para casos selecionados, geralmente quando há hipertrofia de tonsilas palatinas ou excesso de tecido faríngeo, mas não é a primeira escolha, especialmente em paciente com obesidade importante, onde a perda de peso e o CPAP têm prioridade.
A alternativa B, sobre o reflexo do genioglosso, está incorreta, pois o reflexo de dilatação da faringe tende a diminuir com a idade, contribuindo para o aumento da prevalência de AOS em idosos. A alternativa A é um absurdo, pois a AOS acomete ambos os sexos, embora seja mais prevalente em homens; em mulheres, a prevalência aumenta após a menopausa.
A questão explora o conhecimento sobre os fatores de risco e a abordagem inicial da AOS, um tema comum em otorrinolaringologia e clínica médica. A chave é reconhecer a obesidade como o fator de risco central e a perda de peso como orientação fundamental.
Apneia obstrutiva do sono (AOS)
1Fatores de risco
Obesidade (principal modificável)
Gordura ao redor da faringe
Estreita via aérea superior
Sexo masculino (não exclusivo)
Idade (reflexo do genioglosso diminui)
2Relações
Hipertensão (bidirecional)
Hipóxia intermitente
Ativação simpática
3Tratamento escalonado
Medidas gerais
Perda de peso
Posição de dormir
CPAP (padrão-ouro)
Cirurgia (UPFP)
Casos selecionados
Não é 1ª escolha na obesidade
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmação de que a AOS acomete exclusivamente homens é falsa. Embora a prevalência seja maior no sexo masculino, a AOS também ocorre em mulheres, especialmente após a menopausa, quando a proteção hormonal diminui. A paciente do caso é uma mulher de 50 anos, possivelmente na perimenopausa ou pós-menopausa, grupo em que a AOS é comum. A banca explora a generalização indevida de que a doença é "masculina".
Alternativa B — ❌ Incorreta
O reflexo do músculo genioglosso, que é um dos principais dilatadores da faringe, diminui com a idade, não aumenta. Essa redução do tônus e da resposta reflexa contribui para o aumento da prevalência e da gravidade da AOS em idosos. A alternativa inverte o sentido da relação entre idade e função neuromuscular.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A obesidade é um fator de risco bem estabelecido para a AOS. O acúmulo de gordura ao redor da faringe e no pescoço aumenta a pressão sobre a via aérea superior, estreitando-a e predispondo ao colapso durante o sono. A paciente tem IMC 41 (obesidade grau III), o que torna essa orientação extremamente relevante. A perda de peso é uma medida terapêutica fundamental e deve ser enfatizada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A uvulopalatofaringoplastia (UPFP) é uma cirurgia que remove o excesso de tecido da faringe (úvula, palato mole e tonsilas). Ela é indicada em casos selecionados, como hipertrofia tonsilar importante ou colapso retropalatal, mas não é a melhor opção inicial para uma paciente com obesidade mórbida. Nesse cenário, a perda de peso e o CPAP são as medidas de primeira linha. A cirurgia pode ser considerada após falha do tratamento clínico e avaliação criteriosa do local de colapso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hipertensão arterial tem forte relação com a AOS. A hipóxia intermitente e a ativação simpática crônica causadas pela AOS contribuem para o desenvolvimento e a dificuldade de controle da hipertensão. O tratamento da AOS, como o CPAP, pode melhorar o controle pressórico. A alternativa minimiza uma associação bem documentada na literatura.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre fatores de risco e tratamento. O candidato pode ser atraído pela alternativa D (cirurgia) por ser um procedimento otorrinolaringológico, mas a questão pede a melhor orientação para uma paciente com obesidade mórbida — e a orientação inicial é sempre a perda de peso, não a cirurgia. Além disso, a alternativa B inverte o efeito da idade sobre o reflexo do genioglosso, uma pegadinha clássica de fisiologia.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre AOS, lembre-se da tríade: obesidade, hipertensão e ronco. A obesidade é o fator de risco modificável mais importante, e a perda de peso é a orientação inicial. O CPAP é o tratamento padrão para casos moderados a graves, e a cirurgia (UPFP) é reservada para casos selecionados. Quando a banca perguntar sobre "melhor orientação", priorize medidas gerais e mudança de estilo de vida.