Questão de Medicina — Geriatria — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Geriatria
Código
qq970401
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Foniatria
A presbiacusia é uma condição desafiante, subdiagnosticada e, muitas vezes, sujeita a uma condição de negação pelo idoso. No seu tratamento, é importante considerar
Aa indicação de aparelhos de amplificação sonora individual, que são isentos de dificuldades.
Ba centralização do tratamento no paciente, desconsiderando o papel da família nas condutas em geral.
Ca indicação, quando aplicável, de reabilitação auditiva, que não envolve somente a adaptação de aparelhos de amplificação sonora individual, mas uma ação multiprofissional.
Da enfatização de que os aparelhos de amplificação sonora individual não costumam ter limitações durante o seu uso.
Eque o paciente deve ter funções motoras e visuais perfeitas para a manipulação dos aparelhos de amplificação sonora individual.
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GabaritoC — a indicação, quando aplicável, de reabilitação auditiva, que não envolve somente a adaptação de aparelhos de amplificação sonora individual, mas uma ação multiprofissional.
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Presbiacusia: reabilitação auditiva no idoso
Gabarito: letra C. A presbiacusia é a perda auditiva relacionada ao envelhecimento, e seu tratamento não se resume à adaptação de um aparelho de amplificação sonora individual (AASI): envolve um processo mais amplo de reabilitação auditiva, que inclui orientação, treinamento auditivo, aconselhamento e atuação multiprofissional. A alternativa C captura exatamente essa visão abrangente, sendo a única que reflete a abordagem correta e atual do manejo dessa condição.
A presbiacusia é uma condição crônica e progressiva que afeta a qualidade de vida do idoso, muitas vezes subdiagnosticada e negada pelo próprio paciente. O tratamento vai muito além da simples prescrição de um aparelho. A reabilitação auditiva é um processo ativo e contínuo que visa maximizar as habilidades de comunicação do indivíduo, considerando suas limitações, necessidades e contexto de vida. Isso envolve não apenas a seleção e adaptação do AASI, mas também o treinamento auditivo (para melhorar a percepção dos sons), o aconselhamento do paciente e da família (para lidar com as expectativas e frustrações), e a orientação sobre estratégias de comunicação (como reduzir o ruído de fundo e falar de frente para o idoso).
A atuação multiprofissional é essencial nesse processo. O médico geriatra ou otorrinolaringologista faz o diagnóstico e indica o tratamento; o fonoaudiólogo realiza a avaliação audiológica, seleciona e adapta o AASI e conduz o treinamento auditivo; o psicólogo pode auxiliar no enfrentamento das questões emocionais; e o assistente social pode ajudar com questões de acesso aos serviços de saúde. Essa equipe trabalha em conjunto para garantir que o idoso receba um cuidado integral e personalizado.
A alternativa C é a correta porque reconhece que a reabilitação auditiva é uma ação multiprofissional e não se limita à adaptação do aparelho. As demais alternativas apresentam visões equivocadas e reducionistas: algumas superestimam os benefícios do AASI, outras desconsideram o papel da família ou impõem condições irreais para o uso do aparelho. A banca explora a visão simplista de que o tratamento da presbiacusia é apenas "colocar um aparelho", quando na verdade é um processo muito mais complexo e abrangente.
Guarde este conceito: a reabilitação auditiva é um processo, não um produto. É essa distinção que separa a alternativa correta das demais.
Reabilitação auditiva (presbiacusia)
1Processo, não produto
AASI (aparelho)
Treinamento auditivo
Aconselhamento (paciente e família)
Estratégias de comunicação
2Ação multiprofissional
Médico (diagnóstico e indicação)
Fonoaudiólogo (avaliação e adaptação)
Psicólogo (questões emocionais)
Assistente social (acesso a serviços)
3Visões equivocadas
AASI isento de dificuldades
Centralizar no paciente, sem família
Sem limitações de uso
Exigir funções motoras/visuais perfeitas
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os aparelhos de amplificação sonora individual são "isentos de dificuldades". Isso é falso: a adaptação do AASI envolve um período de habituação, pode haver desconforto com sons altos, necessidade de ajustes finos e dificuldades de manipulação, especialmente para idosos com problemas de destreza manual ou visão. O processo de adaptação exige acompanhamento e paciência, e o paciente precisa ser orientado sobre as limitações e possibilidades do aparelho.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Propõe "centralizar o tratamento no paciente, desconsiderando o papel da família". Isso contraria os princípios da geriatria moderna, que reconhece a família como parte fundamental do cuidado ao idoso. A família é essencial para apoiar o paciente no uso do AASI, reforçar as orientações, auxiliar na comunicação e ajudar a lidar com as frustrações. Desconsiderar a família é um erro grave na abordagem do idoso, que muitas vezes depende de cuidadores para o manejo de sua saúde.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a alternativa correta. Ela afirma que a reabilitação auditiva "não envolve somente a adaptação de aparelhos de amplificação sonora individual, mas uma ação multiprofissional". Isso está perfeitamente alinhado com a abordagem atual da presbiacusia: o tratamento é um processo abrangente que inclui o AASI, mas também treinamento auditivo, aconselhamento, orientação e acompanhamento por uma equipe de profissionais (médico, fonoaudiólogo, psicólogo, etc.). A reabilitação auditiva visa a reintegração social e a melhora da qualidade de vida, indo muito além do dispositivo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que os aparelhos de amplificação sonora individual "não costumam ter limitações durante o seu uso". Isso é incorreto. Os AASIs têm limitações, como dificuldade em ambientes ruidosos, necessidade de adaptação a sons amplificados, possibilidade de feedback (apito), e podem não ser eficazes em todos os tipos de perda auditiva. O paciente deve ser orientado sobre essas limitações para ter expectativas realistas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o paciente "deve ter funções motoras e visuais perfeitas para a manipulação dos aparelhos". Isso é uma exigência irreal e excludente. Muitos idosos com presbiacusia têm algum grau de comprometimento motor ou visual, e isso não impede o uso do AASI. Existem recursos e adaptações para facilitar a manipulação, como pilhas maiores, controles simplificados e a ajuda de familiares ou cuidadores. A exigência de "funções perfeitas" é discriminatória e não corresponde à prática clínica.