Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Endocrinologia
Código
qq970423
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Gastroenterologia Pediátrica
Considerando o tratamento de um quadro de cetoacidose diabética, com acidose moderada (pH: 7,1 e bicarbonato: 9 mmol/L) e sinais de desidratação leve, qual é a melhor conduta a ser seguida?
AIniciar reposição volêmica associada a insulina NPH endovenosa em bomba de infusão.
BInicialmente fazer reposição volumétrica e posteriormente infusão de insulina regular endovenosa em bomba de infusão contínua.
CAdministrar insulina subcutânea regular com reposição volêmica e bicarbonato endovenoso para correção da acidose.
DReposição volumétrica seguida de infusão de insulina regular subcutânea e nova correção conforme glicemia em 2 horas.
EProceder à intubação, reposição volumétrica, seguida de insulina NPH subcutânea e correção da acidose com bicarbonato.
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GabaritoB — Inicialmente fazer reposição volumétrica e posteriormente infusão de insulina regular endovenosa em bomba de infusão contínua.
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Cetoacidose diabética: manejo inicial
Gabarito: letra B. Na cetoacidose diabética (CAD), a conduta inicial correta é a reposição volêmica com solução salina, seguida da infusão contínua de insulina regular endovenosa em bomba de infusão. A hidratação é o primeiro passo para estabilizar o paciente e, isoladamente, já reduz a glicemia; a insulina regular EV é a via preferencial por ter meia-vida curta e permitir titulação rápida. O uso de insulina NPH (ação intermediária) ou subcutânea na fase aguda, e a administração rotineira de bicarbonato, são condutas inadequadas.
A cetoacidose diabética é uma emergência endocrinológica causada por deficiência absoluta ou relativa de insulina, levando a hiperglicemia, cetogênese e acidose metabólica. O diagnóstico é feito pela tríade: hiperglicemia (> 250 mg/dL), cetonemia e acidose metabólica (pH < 7,3 e bicarbonato < 15 mEq/L). O tratamento tem três pilares: hidratação, insulinoterapia e correção dos fatores precipitantes (infecção, má adesão, IAM, AVC, etc.).
A hidratação é o primeiro passo e visa restaurar a volemia e a perfusão tecidual. Inicia-se com 1.000–1.500 mL de solução de NaCl 0,9% na primeira hora, seguido de 250–500 mL/h (4 mL/kg/h). A hidratação isolada pode reduzir a glicemia em cerca de 12%, por diluição e aumento da excreção renal de glicose.
A insulinoterapia deve ser iniciada concomitantemente à hidratação, exceto se houver hipocalemia (K+ < 3,3 mEq/L) — nesse caso, repõe-se potássio antes. A via de escolha é a endovenosa contínua com insulina regular, em bomba de infusão, com dose inicial de 0,1 U/kg em bolus, seguida de 0,1 U/kg/h. Alternativamente, pode-se iniciar com 0,14 U/kg/h sem bolus. A insulina regular EV tem meia-vida curta (cerca de 5–7 minutos), o que permite ajustes rápidos e seguros. A meta é uma queda da glicemia de 50–70 mg/dL/h.
O bicarbonato de sódio não é indicado rotineiramente na CAD. As diretrizes recomendam considerar sua reposição apenas em situações extremas, como pH < 6,9, ou em casos de acidose grave com comprometimento hemodinâmico. No caso do enunciado (pH 7,1 e bicarbonato 9 mmol/L), a acidose é moderada e não há indicação de bicarbonato. A administração de bicarbonato na CAD pode causar efeitos deletérios, como hipernatremia, sobrecarga volêmica, hipocalemia e, em crianças, aumento do risco de edema cerebral.
A insulina NPH é uma insulina de ação intermediária, usada como basal no tratamento crônico do diabetes, e não é indicada na fase aguda da CAD, pois tem início de ação lento e pico imprevisível, dificultando o controle glicêmico. A via subcutânea também não é a primeira escolha na CAD, pois a absorção pode ser errática em pacientes desidratados e com má perfusão periférica.
A intubação não é indicada na CAD sem insuficiência respiratória ou rebaixamento grave do nível de consciência. O paciente do enunciado tem desidratação leve e acidose moderada, sem indicação de via aérea avançada.
Guarde a sequência correta do manejo da CAD: hidratação → insulina regular EV em bomba de infusão → monitorização glicêmica e eletrolítica → correção de potássio → transição para insulina subcutânea após resolução da acidose. É exatamente essa ordem que as alternativas tentam confundir.
1Hidratação (NaCl 0,9%)
2Insulina regular EV contínua
3Reposição de potássio
4Monitorar glicemia e eletrólitos
5Transição para via subcutânea
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra ao usar insulina NPH endovenosa. A NPH é uma insulina de ação intermediária, formulada como suspensão, e não deve ser administrada por via endovenosa — seu uso EV é contraindicado. Na CAD, a insulina de escolha é a regular (ação rápida), em infusão contínua.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reflete exatamente a conduta recomendada: primeiro a reposição volêmica (para estabilizar o paciente e melhorar a perfusão) e depois a infusão de insulina regular endovenosa em bomba de infusão contínua. Essa é a sequência e a via corretas para o manejo da CAD.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao indicar insulina subcutânea regular como via de escolha na fase aguda e ao incluir bicarbonato endovenoso para correção da acidose. A via subcutânea tem absorção errática em paciente desidratado, e o bicarbonato não é indicado na acidose moderada (pH 7,1) — só em casos extremos (pH < 6,9).
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao usar insulina regular subcutânea como via de escolha. Na CAD, a via preferencial é a endovenosa contínua, que permite titulação rápida e segura. A via subcutânea pode ser usada em casos leves ou na transição, mas não é a conduta inicial padrão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao indicar intubação (sem indicação clínica no caso), insulina NPH subcutânea (via e tipo inadequados na fase aguda) e bicarbonato (não indicado na acidose moderada). A intubação só é necessária em insuficiência respiratória ou rebaixamento grave do nível de consciência.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os tipos de insulina (NPH × regular) e as vias de administração (EV × SC). Na CAD, a insulina correta é a regular (ação rápida), por via endovenosa contínua. A NPH é basal, de ação intermediária, e não se usa na fase aguda. Além disso, o bicarbonato é um distrator clássico: só é indicado em pH < 6,9, não em acidose moderada (pH 7,1).
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar a sequência do manejo da CAD, lembre-se da ordem: Hidratação → Insulina regular EV → Potássio → Monitorar → Transição para SC. Na prova, desconfie de alternativas que usam NPH, via subcutânea na fase aguda, ou bicarbonato em acidose moderada — são os três erros mais comuns.