Questão de Medicina — Pneumologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Pneumologia
Código
qq970432
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Gastroenterologia Pediátrica
A respeito da Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) e das condutas indicadas para seu tratamento, assinale a alternativa correta.
AO agente etiológico da PAC mais frequente em crianças na faixa de 3 anos é o estafilococo.
BDiante de história prévia de lesões de pele por varicela e sinais de toxemia, a indicação inicial é de antibiótico com cobertura para pneumococo.
CA hemocultura é positiva em cerca de 30% dos casos de pneumonia, tendo baixa especificidade, apesar de boa sensibilidade.
DA piora clínica associada à falha na resposta terapêutica nas primeiras 24 horas de tratamento da PAC justifica a repetição de exames.
EEm recém-nascidos e lactentes menores de 2 meses, a escolha antibiótica inicial é penicilina (ampicilina ou penicilina G cristalina) associada a um aminoglicosídeo.
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GabaritoE — Em recém-nascidos e lactentes menores de 2 meses, a escolha antibiótica inicial é penicilina (ampicilina ou penicilina G cristalina) associada a um aminoglicosídeo.
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Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC): tratamento e condutas
Gabarito: letra E. Em recém-nascidos e lactentes menores de 2 meses, a escolha antibiótica inicial para PAC é a associação de penicilina (ampicilina ou penicilina G cristalina) com um aminoglicosídeo, conforme as diretrizes de tratamento da pneumonia na infância. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de conduta, como veremos a seguir.
A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma infecção aguda do parênquima pulmonar que acomete indivíduos fora do ambiente hospitalar ou nas primeiras 48 horas de internação. É uma das principais causas de morbimortalidade, especialmente nos extremos de idade. O diagnóstico é clínico-radiológico, e o tratamento empírico é a regra, pois a identificação do agente etiológico é difícil e demorada. A escolha do antibiótico depende da idade do paciente, da gravidade do quadro, da presença de comorbidades e de fatores de risco epidemiológicos.
Na faixa etária pediátrica, o agente etiológico mais frequente da PAC varia conforme a idade. Em crianças de 3 anos, o pneumococo (Streptococcus pneumoniae) é o principal agente bacteriano, seguido por vírus e, em maiores de 5 anos, por bactérias atípicas como Mycoplasma pneumoniae. Já em recém-nascidos e lactentes menores de 2 meses, o espectro é diferente: predominam estreptococo do grupo B, enterobactérias, Listeria monocytogenes, Chlamydia trachomatis e Staphylococcus aureus. Por isso, a cobertura antibiótica inicial nesse grupo deve ser ampla, incluindo penicilina (para estreptococo e Listeria) associada a um aminoglicosídeo (para enterobactérias).
A resposta ao tratamento da PAC deve ser avaliada com critério. A deterioração clínica rápida, em 24 horas, ou a ausência de melhora após 48-72 horas de antibiótico adequado, indica necessidade de reavaliação. No entanto, a simples piora clínica nas primeiras 24 horas não justifica, por si só, a repetição de exames, pois pode ser esperada em alguns casos, especialmente em idosos, diabéticos e imunossuprimidos. A falha terapêutica é definida como ausência de resposta após 72 horas de tratamento ou deterioração após 48 horas, e é nesse contexto que se deve investigar complicações, agentes resistentes ou diagnósticos alternativos.
A hemocultura, embora seja um exame importante em casos graves, tem baixa sensibilidade na PAC. Ela é positiva em cerca de 9% dos pacientes internados com pneumonia, e não em 30%. Além disso, sua especificidade é alta, e não baixa, quando positiva. A coleta deve ser feita preferencialmente antes do início da antibioticoterapia, pois após a primeira dose há uma redução de 50% na capacidade de detecção.
A alternativa B menciona a associação entre varicela e pneumonia estafilocócica. De fato, a pneumonia por Staphylococcus aureus pode complicar a varicela, especialmente em crianças. No entanto, a conduta inicial não é apenas cobrir pneumococo, mas sim incluir cobertura para estafilococo, que é o agente mais provável nesse contexto. A alternativa inverte a lógica: em vez de cobrir o agente mais provável (estafilococo), sugere cobrir o pneumococo, que é menos frequente nessa situação.
A alternativa A afirma que o agente etiológico mais frequente da PAC em crianças de 3 anos é o estafilococo. Isso está incorreto, pois nessa faixa etária o pneumococo é o principal agente bacteriano, seguido por vírus e Haemophilus influenzae. O estafilococo é mais comum em recém-nascidos e lactentes jovens, especialmente após influenza ou varicela.
A alternativa C apresenta dados incorretos sobre a hemocultura. A positividade é de cerca de 9%, e não 30%. Além disso, a hemocultura tem alta especificidade (quando positiva, confirma o agente), mas baixa sensibilidade. A alternativa inverte esses conceitos.
A alternativa D sugere que a piora clínica nas primeiras 24 horas justifica a repetição de exames. Isso não é correto, pois a avaliação da resposta ao tratamento deve ser feita após 48-72 horas. A deterioração rápida em 24 horas pode indicar falha, mas a repetição de exames deve ser guiada por critérios clínicos e não apenas pelo tempo.
A alternativa E está correta. Em recém-nascidos e lactentes menores de 2 meses, a escolha antibiótica inicial para PAC é a associação de penicilina (ampicilina ou penicilina G cristalina) com um aminoglicosídeo, como gentamicina ou amicacina. Essa combinação cobre os agentes mais comuns nessa faixa etária, incluindo estreptococo do grupo B, Listeria monocytogenes e enterobactérias.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O agente etiológico mais frequente da PAC em crianças de 3 anos é o Streptococcus pneumoniae (pneumococo), não o estafilococo. O estafilococo é mais comum em recém-nascidos e lactentes jovens, especialmente após infecções virais como influenza ou varicela. A alternativa confunde a epidemiologia por faixa etária.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Em pacientes com história de varicela e sinais de toxemia, o agente mais provável é o Staphylococcus aureus, e não o pneumococo. A conduta inicial deve incluir cobertura para estafilococo, como cefalosporina de primeira geração ou oxacilina. A alternativa inverte o agente etiológico mais provável.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hemocultura é positiva em cerca de 9% dos casos de PAC, não em 30%. Além disso, sua especificidade é alta (quando positiva, confirma o agente), mas a sensibilidade é baixa. A alternativa inverte os conceitos de sensibilidade e especificidade e superestima a positividade do exame.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A piora clínica nas primeiras 24 horas de tratamento não justifica, por si só, a repetição de exames. A resposta ao tratamento deve ser avaliada após 48-72 horas. A deterioração rápida em 24 horas pode indicar falha, mas a repetição de exames deve ser guiada por critérios clínicos, como instabilidade hemodinâmica ou insuficiência respiratória.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Em recém-nascidos e lactentes menores de 2 meses, a escolha antibiótica inicial para PAC é a associação de penicilina (ampicilina ou penicilina G cristalina) com um aminoglicosídeo (como gentamicina). Essa combinação cobre os agentes mais comuns nessa faixa etária: estreptococo do grupo B, Listeria monocytogenes, enterobactérias e Staphylococcus aureus. A alternativa está correta e reflete a conduta recomendada pelas diretrizes.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os agentes etiológicos da PAC por faixa etária. Em crianças de 3 anos, o pneumococo é o principal agente; em recém-nascidos, o espectro é mais amplo, incluindo estreptococo do grupo B e enterobactérias. A alternativa A troca o pneumococo pelo estafilococo, e a alternativa B inverte a cobertura para varicela (deveria ser estafilococo, não pneumococo). Fique atento à epidemiologia por idade!