Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Neurologia
Código
qq970436
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Gastroenterologia Pediátrica
Adolescente do sexo masculino, 12 anos, com história de rinorreia hialina, dor de garganta e febre baixa há 10 dias, é atendido no pronto-socorro, no qual foi feito o diagnóstico de infecção das vias aéreas superiores. Após melhora inicial, evoluiu com cefaleia intensa, meningismo e convulsão tônico-clônica generalizada com duração de 5 minutos. Tomografia computadorizada de crânio apresentou resultado normal e o líquor apresentou apenas discreta pleocitose às custas dos linfócitos. Após três dias, o paciente apresentava-se com alteração do comportamento, ataxia e letargia, além de nistagmo. A suspeita é de encefalomielite disseminada aguda (ADEM).Quanto ao diagnóstico e tratamento desse quadro, assinale a alternativa correta.
AO exame complementar padrão-ouro para o diagnóstico de ADEM é a angiotomografia computadorizada.
BO diagnóstico de ADEM é clínico e a confirmação é feita por achados compatíveis, embora inespecíficos, na ressonância nuclear magnética.
CPontos focais ou lentidão focal são os achados mais frequentes no eletroencefalograma, ocorrendo na grande maioria dos pacientes.
DO critério indispensável para o diagnóstico de ADEM é o anticorpo anti-glicoproteína da mielina de oligodendrócitos positivo.
EDiante de diagnóstico compatível com ADEM, está indicado o uso de imunoglobulina por 5 dias e corticoides nos casos refratários.
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GabaritoB — O diagnóstico de ADEM é clínico e a confirmação é feita por achados compatíveis, embora inespecíficos, na ressonância nuclear magnética.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Encefalomielite disseminada aguda (ADEM) em pediatria
Gabarito: letra B. O diagnóstico de ADEM é essencialmente clínico, baseado no quadro de encefalopatia multifocal de início agudo/subagudo, geralmente precedido por infecção ou vacinação, e a confirmação se dá por achados compatíveis, embora inespecíficos, na ressonância magnética (RM) de encéfalo — que mostra lesões desmielinizantes extensas, frequentemente assimétricas, na substância branca. A alternativa B espelha exatamente essa lógica diagnóstica.
A ADEM é uma doença inflamatória desmielinizante do sistema nervoso central (SNC), de provável origem autoimune, que acomete predominantemente crianças e adolescentes. O quadro típico começa com um pródromo infeccioso (rinorreia, dor de garganta, febre) e, dias depois, surge encefalopatia — que se manifesta por alteração do comportamento, letargia, convulsões, déficits focais e, como no caso, ataxia e nistagmo. O termo "disseminada" refere-se à natureza multifocal do processo: várias áreas do SNC são atingidas ao mesmo tempo, o que explica a combinação de sintomas corticais, cerebelares e de tronco.
O diagnóstico é um desafio porque não existe um biomarcador único. Ele se apoia em três pilares: (1) quadro clínico de encefalopatia polifocal aguda; (2) neuroimagem demonstrando lesões desmielinizantes disseminadas; e (3) exclusão de diagnósticos diferenciais, especialmente encefalites virais e outras doenças desmielinizantes. A RM de encéfalo é o exame de imagem de escolha — muito superior à tomografia, que costuma ser normal nas fases iniciais, como ocorreu no paciente. Os achados típicos na RM incluem lesões em T2/FLAIR na substância branca supratentorial e infratentorial, podendo haver envolvimento de gânglios da base e talamo. Esses achados, porém, não são patognomônicos: outras condições, como esclerose múltipla (EM) e encefalites, podem ter padrão semelhante, daí serem "compatíveis, embora inespecíficos".
O líquor, no caso descrito, mostrou discreta pleocitose linfocitária — um achado comum, mas também inespecífico. O eletroencefalograma (EEG) frequentemente mostra lentificação difusa, podendo haver anormalidades focais, mas não é exame diagnóstico. Já o anticorpo anti-MOG (glicoproteína da mielina do oligodendrócito) é um marcador importante: está presente em uma parcela significativa dos casos de ADEM pediátrica e ajuda a diferenciar de outras doenças, mas não é indispensável — muitos pacientes com ADEM são anti-MOG negativos, e a positividade isolada não confirma o diagnóstico.
O tratamento de primeira linha é a pulsoterapia com metilprednisolona intravenosa (corticosteroide em altas doses por 3 a 5 dias). A imunoglobulina intravenosa (IVIG) é uma opção de segunda linha, usada em casos refratários ou como alternativa quando há contraindicação ao corticoide — não o contrário, como afirma a alternativa E. A plasmaférese também pode ser considerada em casos graves ou refratários.
A grande pegadinha desta questão é inverter a hierarquia diagnóstica e terapêutica: trocar a RM (exame de imagem central) pela angiotomografia, elevar o anti-MOG a critério indispensável, e inverter a ordem do tratamento (colocar IVIG como primeira linha e corticoide como refratário). Guarde o fluxo: clínica + RM compatível + exclusão de diagnósticos diferenciais = ADEM; tratamento = corticoide em pulsoterapia, com IVIG como alternativa/resgate.
ADEM
1Diagnóstico
Clínico (encefalopatia polifocal aguda)
RM compatível, porém inespecífica
Exclusão de diagnósticos diferenciais
2Exames complementares
RM de encéfalo (escolha)
Líquor: pleocitose linfocitária
EEG: lentificação difusa
Anti-MOG: marcador, não indispensável
3Tratamento
1ª linha: corticoide em pulsoterapia
2ª linha: imunoglobulina (refratários)
Plasmaférese (casos graves)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A angiotomografia computadorizada (angio-TC) não é o exame padrão-ouro para ADEM. Ela avalia vasos e não tem sensibilidade para lesões desmielinizantes do parênquima. O exame de imagem de escolha é a ressonância magnética (RM) de encéfalo, que demonstra as lesões na substância branca. A TC, como no caso, costuma ser normal nas fases iniciais.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O diagnóstico de ADEM é clínico: exige encefalopatia polifocal aguda/subaguda, geralmente pós-infecciosa ou pós-vacinal. A RM de encéfalo é o exame que confirma o quadro ao mostrar lesões desmielinizantes disseminadas, mas esses achados são compatíveis, embora inespecíficos — não fecham o diagnóstico sozinhos, pois podem ocorrer em outras doenças desmielinizantes. A alternativa espelha com precisão essa lógica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O achado mais frequente no EEG de pacientes com ADEM é a lentificação difusa (atividade lenta generalizada), refletindo a encefalopatia. Embora anormalidades focais possam ocorrer, não são o padrão mais comum nem ocorrem na "grande maioria" dos pacientes. A alternativa troca o padrão difuso pelo focal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O anticorpo anti-MOG é um marcador relevante — está presente em muitos casos de ADEM pediátrica e ajuda a diferenciar de esclerose múltipla —, mas não é critério indispensável. O diagnóstico de ADEM pode ser firmado em pacientes anti-MOG negativos, e a positividade isolada não confirma a doença. A alternativa eleva um marcador coadjuvante à condição de critério obrigatório.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa inverte a hierarquia terapêutica. O tratamento de primeira linha da ADEM é a pulsoterapia com corticoide intravenoso (metilprednisolona). A imunoglobulina intravenosa (IVIG) é opção de segunda linha, indicada em casos refratários ao corticoide ou quando há contraindicação ao seu uso. A alternativa coloca a IVIG como primeira linha e o corticoide como refratário — exatamente o contrário da prática recomendada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter hierarquias neste tema. Aqui, ela trocou o exame de imagem (angio-TC no lugar da RM), elevou o anti-MOG a critério indispensável (quando é apenas um marcador coadjuvante) e inverteu a ordem do tratamento (IVIG como primeira linha e corticoide como refratário). Na prova, desconfie sempre de alternativas que usam termos absolutos como "padrão-ouro" e "indispensável" para exames e marcadores que são apenas complementares.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar o tratamento da ADEM, lembre da sequência: corticoide primeiro, IVIG como resgate, plasmaférese nos refratários. E para o diagnóstico, o tripé: clínica + RM compatível + exclusão de diagnósticos diferenciais. Se a alternativa trouxer um exame ou marcador como "padrão-ouro" ou "indispensável" que não seja a RM, ela está errada.