Questão de Medicina — Medicina Intensiva — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qq970449
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Gastroenterologia Pediátrica
A Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SRIS) tem critérios bem definidos na literatura. Assinale a alternativa que apresenta dois desses critérios.
AHipotensão e alteração da frequência cardíaca.
BAlteração da frequência respiratória e hipotensão.
CTaquicardia e hipertensão.
DHipotensão e alteração da contagem leucocitária.
EAlteração da contagem leucocitária e taquicardia.
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GabaritoE — Alteração da contagem leucocitária e taquicardia.
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Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SRIS): critérios diagnósticos
Gabarito: letra E. A SRIS é definida pela presença de dois ou mais dos seguintes critérios: temperatura > 38°C ou < 36°C, frequência cardíaca > 90 bpm, frequência respiratória > 20 irpm (ou PaCO2 < 32 mmHg) e alteração da contagem de leucócitos (> 12.000, < 4.000 ou > 10% de formas jovens). A alternativa E combina corretamente alteração da contagem leucocitária e taquicardia (frequência cardíaca > 90 bpm), ambos critérios válidos da SRIS. As demais alternativas incluem hipotensão, que não faz parte dos critérios de SRIS — é um sinal de disfunção orgânica, presente na sepse grave e no choque séptico, mas não na definição da síndrome.
A Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SRIS) é uma resposta inflamatória generalizada do organismo a diversas agressões, como infecções, traumas, queimaduras e pancreatite. Foi definida inicialmente pelo consenso de Bone et al. (1992), conhecido como Sepse 1.0, e seus critérios clínicos são amplamente utilizados até hoje, embora tenham perdido protagonismo na definição de sepse após o Sepse 3.0 (2016). A SRIS é um conceito sindrômico: não é uma doença específica, mas um conjunto de sinais clínicos e laboratoriais que indicam a presença de uma resposta inflamatória sistêmica.
Os quatro critérios clássicos da SRIS são:
Temperatura: > 38°C (hipertermia) ou < 36°C (hipotermia);
Frequência cardíaca: > 90 bpm (taquicardia);
Frequência respiratória: > 20 incursões por minuto, ou PaCO2 < 32 mmHg, ou necessidade de ventilação mecânica por processo agudo;
Leucócitos: > 12.000/mm³ (leucocitose), ou < 4.000/mm³ (leucopenia), ou > 10% de formas jovens (desvio à esquerda).
O diagnóstico de SRIS exige a presença de pelo menos dois desses critérios. É importante notar que a hipotensão não faz parte dos critérios de SRIS — ela é um marcador de disfunção orgânica, presente na definição de sepse grave (no Sepse 1.0) e de choque séptico. No contexto do Sepse 3.0, a hipotensão que requer vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg, associada a lactato > 18 mg/dL, define o choque séptico, mas isso é um estágio mais avançado do continuum sepse-choque, não um critério da SRIS.
A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que associa SRIS a hipotensão acaba errando, pois a hipotensão é um sinal de gravidade que aparece em fases mais avançadas, não na definição da síndrome. A alternativa E é a única que apresenta dois critérios genuínos da SRIS: alteração da contagem leucocitária e taquicardia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca insere hipotensão em quatro das cinco alternativas (A, B, D e, indiretamente, C com hipertensão). O candidato que não domina a lista exata dos critérios de SRIS tende a aceitar a hipotensão como um deles, pois é um sinal comum em pacientes graves. Mas a hipotensão não é critério de SRIS — ela indica disfunção orgânica, sendo um dos critérios de sepse grave e choque séptico. Memorize os quatro critérios (temperatura, FC, FR, leucócitos) e elimine qualquer alternativa que traga hipotensão.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Apresenta hipotensão e alteração da frequência cardíaca. A hipotensão não é critério de SRIS; é um sinal de disfunção orgânica, presente na sepse grave e no choque séptico. A alteração da frequência cardíaca (taquicardia > 90 bpm) é um critério válido, mas a presença da hipotensão invalida a alternativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Apresenta alteração da frequência respiratória (critério válido: FR > 20 irpm ou PaCO2 < 32 mmHg) e hipotensão (não é critério de SRIS). A hipotensão novamente invalida a alternativa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Apresenta taquicardia (critério válido: FC > 90 bpm) e hipertensão. A hipertensão não é critério de SRIS — na verdade, a SRIS pode cursar com hipotensão em fases avançadas, mas a hipertensão não faz parte da definição. Além disso, a SRIS não inclui nenhum critério relacionado à pressão arterial elevada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Apresenta hipotensão (não é critério de SRIS) e alteração da contagem leucocitária (critério válido). A hipotensão invalida a alternativa, pois não integra os critérios da síndrome.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Apresenta alteração da contagem leucocitária (leucocitose > 12.000, leucopenia < 4.000 ou > 10% de formas jovens) e taquicardia (FC > 90 bpm). Ambos são critérios clássicos da SRIS, e a presença de dois ou mais critérios é suficiente para o diagnóstico. Esta é a única alternativa que traz exclusivamente critérios válidos da síndrome.
Gabarito: letra E — alteração da contagem leucocitária e taquicardia são dois critérios da SRIS.