Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qq970507
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Infectologia Pediátrica
Criança de 5 anos, pesando 20 kg, foi picada por abelhas enquanto brincava. A mãe levou-a imediatamente a um pronto atendimento. No caminho, a criança começou a apresentar prurido generalizado, edema na face, sonolência e vômitos. Na chegada, apresenta-se hipotensa, pálida, mal perfundida e taquicárdica. Diante desse quadro, qual é a conduta mais adequada?
AAdministrar adrenalina na dose de 0,2 mg da diluição 1:1000 intramuscular.
BAdministrar adrenalina na dose de 0,02 mg/kg da diluição 1:1000 intramuscular.
CAdministrar adrenalina na dose de 2 mg da diluição 1:10000 endovenoso.
DAdministrar adrenalina na dose de 0,02 mg/kg da diluição 1:1000 subcutânea.
EAdministrar adrenalina na dose de 0,01 mg/kg da diluição 1:10000 subcutânea.
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GabaritoA — Administrar adrenalina na dose de 0,2 mg da diluição 1:1000 intramuscular.
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Anafilaxia por picada de abelha: conduta com adrenalina
Gabarito: letra A. Na anafilaxia, a adrenalina é o fármaco de primeira linha e deve ser administrada por via intramuscular (IM) na face ântero-lateral da coxa, na dose de 0,01 mg/kg da diluição 1:1000 (máximo de 0,5 mg por dose). Para uma criança de 20 kg, a dose é de 0,2 mg — exatamente o que a alternativa A descreve. A via subcutânea e a endovenosa são reservadas para situações específicas, e a diluição 1:10000 é usada apenas na via IV, em ambiente monitorizado.
A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, desencadeada pela liberação maciça de mediadores (histamina, leucotrienos, prostaglandinas) por mastócitos e basófilos. No caso de picada de abelha, o veneno contém fosfolipase A2, melitina e outros componentes que podem ativar diretamente a degranulação de mastócitos, mesmo sem sensibilização prévia. O quadro clínico é caracterizado por prurido generalizado, urticária, angioedema, broncoespasmo, hipotensão e choque — como descrito no enunciado, com hipotensão, palidez, má perfusão e taquicardia.
A adrenalina é o tratamento de escolha porque atua em múltiplos receptores: alfa-1 (vasoconstrição, revertendo a hipotensão e o edema de laringe), beta-1 (aumento da contratilidade e frequência cardíaca) e beta-2 (broncodilatação e redução da liberação de mediadores). A via IM é preferida por ter absorção mais rápida e previsível que a subcutânea, e por ser mais segura que a IV, que pode causar arritmias graves. A dose recomendada é de 0,01 mg/kg, com máximo de 0,5 mg por dose, podendo ser repetida a cada 5-15 minutos se necessário.
Na prática, para uma criança de 20 kg: 0,01 mg/kg × 20 kg = 0,2 mg. A diluição 1:1000 significa 1 mg de adrenalina em 1 mL de solução, portanto 0,2 mg corresponde a 0,2 mL. A via de eleição é a IM na face ântero-lateral da coxa, que tem boa vascularização e permite absorção rápida. A via subcutânea (alternativas D e E) tem absorção mais lenta e imprevisível, especialmente em pacientes com má perfusão periférica, como no caso de choque. A via IV (alternativa C) é reservada para casos refratários, em ambiente monitorizado, com diluição 1:10000 e infusão lenta, devido ao risco de arritmias.
A pegadinha desta questão está na combinação de dose, diluição e via. A banca mistura a dose correta (0,01 mg/kg) com a via errada (subcutânea), ou a diluição errada (1:10000) com a via IV, ou ainda doses fixas incorretas. O candidato precisa memorizar o tripé: dose de 0,01 mg/kg, diluição 1:1000, via IM. Qualquer variação em um desses três elementos torna a alternativa incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as vias de administração e as diluições. A via IM é a única correta para o tratamento inicial da anafilaxia; a subcutânea tem absorção lenta e a IV é reservada para casos refratários. A diluição 1:10000 é exclusiva da via IV, nunca da IM. Guarde o tripé: 0,01 mg/kg + 1:1000 + IM.
Adrenalina na anafilaxia: Dose (0,01 mg/kg, Máx. 0,5 mg/dose); Diluição (1:1000 (IM), 1:10000 (IV)); Via (IM (ântero-lateral da coxa), Subcutânea (absorção lenta), IV (casos refratários, monitorizado))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dose de 0,2 mg da diluição 1:1000 por via IM está correta. Para 20 kg, 0,01 mg/kg × 20 kg = 0,2 mg. A diluição 1:1000 é a padrão para via IM, e a via IM é a recomendada para o tratamento inicial da anafilaxia, com absorção rápida e previsível.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A dose de 0,02 mg/kg está incorreta. A dose recomendada é de 0,01 mg/kg, não 0,02 mg/kg. Essa dose duplicada poderia causar efeitos adversos graves, como arritmias e hipertensão severa. O valor 0,02 mg/kg não corresponde a nenhuma recomendação de diretriz para anafilaxia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A dose de 2 mg da diluição 1:10000 por via IV está incorreta por dois motivos. Primeiro, a dose de 2 mg é excessiva para uma criança de 20 kg — a dose IV em pediatria é de 0,01 mg/kg (0,2 mg para 20 kg), e mesmo em adultos a dose IV inicial é de 0,1-0,5 mg. Segundo, a via IV é reservada para casos refratários, em ambiente monitorizado, e não é a conduta inicial. A diluição 1:10000 é correta para via IV, mas a dose está errada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dose de 0,02 mg/kg da diluição 1:1000 por via subcutânea está incorreta. A dose está duplicada (deveria ser 0,01 mg/kg) e a via subcutânea não é recomendada para o tratamento inicial da anafilaxia, pois tem absorção lenta e imprevisível, especialmente em pacientes com choque e má perfusão periférica. A via correta é a IM.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A dose de 0,01 mg/kg da diluição 1:10000 por via subcutânea está incorreta. Embora a dose esteja correta (0,01 mg/kg), a diluição 1:10000 é exclusiva da via IV, e a via subcutânea não é recomendada para anafilaxia. A diluição correta para via IM é 1:1000. A alternativa mistura elementos corretos com vias e diluições erradas.