Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Neurologia
Código
qq970510
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Infectologia Pediátrica
A doença e a síndrome de Moyamoya são responsáveis por alguns dos casos de Acidente Vascular Encefálico (AVE) em crianças. A esse respeito, assinale a alternativa correta.
AAs duas condições respondem por 50-60% dos casos pediátricos de AVE.
BSua denominação advém da palavra em japonês para a típica “nuvem de fumaça” produzida por vasos colaterais intracerebrais que surgem para contornar a oclusão arterial progressiva.
CO termo síndrome de Moyamoya é utilizado para os casos idiopáticos de AVC.
DOs casos de AVC associados a entidades como a síndrome de Down e a neurofibromatose do tipo I são denominados doença de Moyamoya.
EDecorrem de uma arteriopatia autoimune que envolve as duas artérias carótidas ou a artéria basilar.
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GabaritoB — Sua denominação advém da palavra em japonês para a típica “nuvem de fumaça” produzida por vasos colaterais intracerebrais que surgem para contornar a oclusão arterial progressiva.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Doença e Síndrome de Moyamoya: conceitos e AVE pediátrico
Gabarito: letra B. A denominação Moyamoya vem do japonês e significa literalmente “nuvem de fumaça”, descrevendo o aspecto angiográfico dos vasos colaterais que se formam na base do cérebro para compensar a oclusão arterial progressiva. As demais alternativas erram ao atribuir percentuais incorretos, inverter os conceitos de doença e síndrome, ou apontar etiologia autoimune.
A doença de Moyamoya é uma vasculopatia oclusiva idiopática e progressiva que afeta principalmente as artérias carótidas internas e seus ramos proximais, levando à formação de uma rede anormal de vasos colaterais (os “tufos” que lembram fumaça). Quando essa mesma angiopatia ocorre associada a condições conhecidas — como síndrome de Down, neurofibromatose tipo I, anemia falciforme, radioterapia craniana, entre outras —, o quadro é denominado síndrome de Moyamoya. Já quando não se identifica causa subjacente, fala-se em doença de Moyamoya (forma idiopática). Essa distinção é fundamental e é exatamente o que a banca explora nas alternativas C e D.
Na população pediátrica, a Moyamoya é uma causa relevante de AVE isquêmico, mas não responde por 50-60% dos casos — esse percentual é um exagero. Estima-se que a doença seja responsável por cerca de 6% dos AVE isquêmicos em crianças, embora a prevalência exata varie conforme a região e a população estudada. O mecanismo não é autoimune: trata-se de uma oclusão fibrocelular da íntima das artérias do polígono de Willis, com proliferação de vasos colaterais perfurantes. A artéria basilar pode estar envolvida em fases avançadas, mas o processo não é primariamente autoimune.
Na prática clínica, a apresentação típica em crianças inclui episódios isquêmicos transitórios, déficits focais (hemiparesia, afasia) e, em alguns casos, convulsões. O diagnóstico é feito por angiorressonância ou angiografia convencional, que mostra o aspecto característico de “nuvem de fumaça”. O tratamento visa prevenir novos eventos isquêmicos, com revascularização cirúrgica (como o bypass EC-IC) em casos selecionados.
A pegadinha central desta questão é a inversão dos conceitos: a banca troca “doença” (idiopática) por “síndrome” (associada a outras condições). Além disso, o percentual de 50-60% é um distrator numérico sem fundamento, e a etiologia autoimune é uma confusão com outras vasculites. Guarde a fronteira: doença = idiopática; síndrome = secundária a uma condição conhecida.
Critério
Doença de Moyamoya
Síndrome de Moyamoya
Definição
Forma idiopática (sem causa identificada)
Forma secundária (associada a condições conhecidas)
Condições associadas
Nenhuma (causa desconhecida)
Síndrome de Down, neurofibromatose tipo I, anemia falciforme, radioterapia craniana, entre outras
Mecanismo
Oclusão fibrocelular da íntima das artérias do polígono de Willis
Mesma vasculopatia, porém desencadeada por doença de base
Moyamoya: Doença (idiopática) (oclusão fibrocelular da íntima, carótidas internas e ramos proximais); Síndrome (secundária) (Síndrome de Down, Neurofibromatose tipo I, Anemia falciforme); Aspecto angiográfico ("nuvem de fumaça" (vasos colaterais)); AVE pediátrico (~6% dos casos isquêmicos)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que as duas condições respondem por 50-60% dos casos pediátricos de AVE. Esse percentual é incorreto e não corresponde à literatura. A Moyamoya é uma causa relevante, mas minoritária, sendo responsável por cerca de 6% dos AVE isquêmicos em crianças (percentual que varia conforme a série estudada). O número 50-60% é um distrator que não corresponde a nenhuma estatística real.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que a denominação advém da palavra japonesa para “nuvem de fumaça”, descrevendo o aspecto dos vasos colaterais que surgem para contornar a oclusão arterial progressiva. Esse é exatamente o significado do termo Moyamoya, cunhado pelos médicos japoneses na década de 1960 ao observar o padrão angiográfico característico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Inverte o conceito: o termo síndrome de Moyamoya é utilizado para os casos secundários (associados a outras condições, como síndrome de Down, neurofibromatose, anemia falciforme), e não para os casos idiopáticos. Os casos idiopáticos são denominados doença de Moyamoya. A banca troca os termos para confundir o candidato.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Também inverte o conceito: os casos de AVC associados a entidades como síndrome de Down e neurofibromatose tipo I são denominados síndrome de Moyamoya, e não doença de Moyamoya. A doença é a forma idiopática; a síndrome é a forma secundária. A alternativa troca os dois termos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a Moyamoya decorre de uma arteriopatia autoimune envolvendo as duas carótidas ou a basilar. O mecanismo não é autoimune: trata-se de uma oclusão fibrocelular da íntima das artérias do polígono de Willis, com proliferação de vasos colaterais. Embora a artéria basilar possa estar envolvida em fases avançadas, a etiologia não é autoimune — essa é uma confusão com outras vasculites, como a arterite de Takayasu.