Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Neurologia
Código
qq970516
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Infectologia Pediátrica
Adolescente do sexo masculino, 12 anos, com história de rinorreia hialina, dor de garganta e febre baixa há 10 dias, é atendido no prontosocorro, no qual foi feito o diagnóstico de infecção das vias aéreas superiores. Após melhora inicial, evoluiu com cefaleia intensa, meningismo e convulsão tônico-clônica generalizada com duração de 5 minutos. Tomografia computadorizada de crânio apresentou resultado normal e o líquor apresentou apenas discreta pleocitose às custas dos linfócitos. Após três dias, o paciente apresentava-se com alteração do comportamento, ataxia e letargia, além de nistagmo. A suspeita é de encefalomielite disseminada aguda (ADEM).Quanto ao diagnóstico e tratamento desse quadro, assinale a alternativa correta.
AO exame complementar padrão-ouro para o diagnóstico de ADEM é a angiotomografia computadorizada.
BO diagnóstico de ADEM é clínico e a confirmação é feita por achados compatíveis, embora inespecíficos, na ressonância nuclear magnética.
CPontos focais ou lentidão focal são os achados mais frequentes no eletroencefalograma, ocorrendo na grande maioria dos pacientes.
DO critério indispensável para o diagnóstico de ADEM é o anticorpo anti-glicoproteína da mielina de oligodendrócitos positivo.
EDiante de diagnóstico compatível com ADEM, está indicado o uso de imunoglobulina por 5 dias e corticoides nos casos refratários.
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GabaritoB — O diagnóstico de ADEM é clínico e a confirmação é feita por achados compatíveis, embora inespecíficos, na ressonância nuclear magnética.
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Encefalomielite disseminada aguda (ADEM): diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra B. O diagnóstico de ADEM é essencialmente clínico, baseado no quadro de encefalopatia multifocal precedido por infecção ou vacinação, e a confirmação se dá por achados compatíveis, embora inespecíficos, na ressonância nuclear magnética (RNM) — que mostra lesões desmielinizantes na substância branca, tipicamente bilaterais e assimétricas. Não existe um exame padrão-ouro único, e o diagnóstico diferencial com outras doenças desmielinizantes (como a esclerose múltipla) é fundamental.
A ADEM é uma doença inflamatória desmielinizante do sistema nervoso central, de caráter agudo e geralmente monofásico, que acomete com mais frequência crianças e adolescentes. O quadro clássico é o de uma encefalopatia (alteração do comportamento, letargia, rebaixamento do nível de consciência) associada a déficits neurológicos multifocais, que surge dias a semanas após uma infecção viral ou bacteriana, ou após vacinação. No caso apresentado, o adolescente teve um pródromo de infecção de vias aéreas superiores e, após melhora inicial, evoluiu com cefaleia, meningismo, convulsão e, posteriormente, ataxia, letargia e nistagmo — um padrão típico de encefalopatia multifocal pós-infecciosa.
O diagnóstico é clínico, mas os exames complementares são essenciais para afastar outras causas e para dar suporte à suspeita. A ressonância magnética é o exame de imagem de escolha, mostrando lesões desmielinizantes na substância branca, que podem ser extensas, bilaterais e assimétricas, com envolvimento variável de substância cinzenta (gânglios da base, tálamo). Esses achados são compatíveis com ADEM, mas não são patognomônicos — daí a alternativa B estar correta ao dizer que são "inespecíficos". A tomografia computadorizada (TC) geralmente é normal ou mostra apenas alterações inespecíficas, sendo útil principalmente para excluir processos expansivos ou hemorragia. O líquor pode mostrar pleocitose linfocitária discreta e proteinorraquia levemente elevada, como no caso, mas também é inespecífico.
O tratamento da ADEM é baseado em imunomodulação. A primeira linha é a pulsoterapia com metilprednisolona (corticosteroide em altas doses por 3 a 5 dias). Nos casos refratários ou com contraindicação ao corticoide, utiliza-se a imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou a plasmaférese. Portanto, a alternativa E está invertida: a imunoglobulina não é a primeira escolha, e sim uma opção para casos refratários; o corticoide é o tratamento inicial.
A alternativa D menciona o anticorpo anti-MOG (anti-glicoproteína da mielina de oligodendrócitos). Esse anticorpo está associado a um espectro de doenças desmielinizantes (MOGAD), que inclui casos de ADEM, mas sua presença não é critério indispensável para o diagnóstico — muitos pacientes com ADEM são anti-MOG negativos, e a positividade sugere um espectro distinto com maior risco de recorrência. Já a alternativa C afirma que "pontos focais ou lentidão focal" são os achados mais frequentes no EEG, o que está incorreto: o EEG na ADEM costuma mostrar lentificação difusa, e não focal, refletindo a encefalopatia global. Por fim, a alternativa A está errada ao apontar a angiotomografia como padrão-ouro, pois o exame de escolha é a ressonância magnética.
Guarde a fronteira entre o que é diagnóstico clínico e o que é exame complementar de suporte: é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Critério
ADEM (correto)
Alternativas incorretas (A, C, D, E)
Diagnóstico
Clínico, com confirmação por RNM (achados compatíveis, porém inespecíficos)
A: angiotomografia como padrão-ouro (errado — exame é a RNM)
Exame complementar
RNM com lesões desmielinizantes bilaterais e assimétricas
C: EEG com lentidão focal (errado — o típico é lentificação difusa)
Marcador laboratorial
Não há critério indispensável; anti-MOG pode estar presente, mas não é obrigatório
D: anti-MOG como critério indispensável (errado — muitos casos são negativos)
Tratamento de primeira linha
Pulsoterapia com metilprednisolona (corticoide)
E: imunoglobulina como primeira linha e corticoide para refratários (errado — ordem invertida)
ADEM
1Diagnóstico
Clínico (encefalopatia + multifocal)
RNM (lesões desmielinizantes inespecíficas)
Líquor (pleocitose linfocitária)
2Tratamento
1ª linha: corticoide (pulsoterapia)
Refratário: imunoglobulina ou plasmaférese
3Anti-MOG
Espectro distinto (MOGAD)
Não é critério diagnóstico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O exame padrão-ouro para o diagnóstico de ADEM não é a angiotomografia computadorizada. A angiotomografia avalia vasos sanguíneos e não tem papel no diagnóstico de doenças desmielinizantes. O exame de imagem de escolha é a ressonância nuclear magnética (RNM), que evidencia as lesões desmielinizantes na substância branca. A TC de crânio, como no caso, costuma ser normal ou inespecífica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O diagnóstico de ADEM é clínico, baseado na tríade: encefalopatia + déficits multifocais + relação temporal com infecção/vacinação. A ressonância magnética é o exame complementar que confirma a suspeita ao mostrar lesões desmielinizantes compatíveis, porém inespecíficas — ou seja, não há um achado patognomônico. Essa é exatamente a definição correta do processo diagnóstico da ADEM.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O eletroencefalograma (EEG) na ADEM costuma mostrar lentificação difusa (atividade de base lenta), refletindo a encefalopatia global, e não "pontos focais ou lentidão focal" como os achados mais frequentes. Embora anormalidades focais possam ocorrer, o padrão típico é a lentificação generalizada, e o EEG não é um exame diagnóstico específico para ADEM.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O anticorpo anti-MOG (anti-glicoproteína da mielina de oligodendrócitos) está associado a um espectro de doenças desmielinizantes (MOGAD), que inclui fenótipos semelhantes à ADEM. No entanto, sua presença não é critério indispensável para o diagnóstico de ADEM — muitos pacientes são anti-MOG negativos. A positividade do anti-MOG sugere um espectro distinto, com maior risco de recorrência, mas o diagnóstico de ADEM é clínico-radiológico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa inverte a ordem do tratamento. A primeira linha para ADEM é a pulsoterapia com metilprednisolona (corticoide em altas doses). A imunoglobulina intravenosa é uma opção para casos refratários ou com contraindicação ao corticoide, assim como a plasmaférese. Portanto, não é a imunoglobulina o tratamento inicial, com corticoides reservados para refratários — é o contrário.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão da ordem terapêutica na alternativa E e a confusão entre o papel do anti-MOG na alternativa D. Na ADEM, o corticoide é a primeira linha e a imunoglobulina é reservada para refratários; o anti-MOG é um marcador de espectro distinto, não um critério diagnóstico obrigatório. Com treino, você reconhece essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para questões de ADEM, memorize o tripé: diagnóstico clínico (encefalopatia + multifocal + relação temporal), RNM como exame de imagem (lesões desmielinizantes inespecíficas) e corticoide como primeira linha de tratamento. Se a alternativa falar em "padrão-ouro" ou "critério indispensável", desconfie — na ADEM não há exame único que feche o diagnóstico.