Questão de Medicina — Pneumologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Pneumologia
Código
qq970554
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Infectologia Pediátrica
Paciente de 65 anos, previamente hígido, procurou atendimento no PA com queixa de febre, tosse, mialgia e dor de garganta há dois dias. O plantonista suspeitou de um quadro de gripe. Durante o exame físico, o paciente estava com saturação de O2 igual a 92% e hipotenso. Diante desse caso, qual é a melhor conduta médica?
AO médico deve prescrever fosfato de oseltamivir e manter acompanhamento ambulatorial.
BO médico deve orientar uso de sintomáticos, já que não está indicado uso de fosfato de oseltamivir para esse paciente.
CO médico deve prescrever fosfato de oseltamivir e fazer a internação do paciente.
DO médico deve solicitar a coleta de amostras de secreções respiratórias para exame laboratorial e orientar retorno do paciente em 48 horas para reavaliação.
EO médico deve solicitar radiografia de tórax e exames laboratoriais e orientar o paciente a retornar em caso de piora dos sintomas.
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GabaritoC — O médico deve prescrever fosfato de oseltamivir e fazer a internação do paciente.
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Síndrome gripal com sinais de gravidade: conduta médica
Gabarito: letra C. O paciente apresenta síndrome gripal com sinais de gravidade — saturação de O₂ de 92% (menor que 95%) e hipotensão —, o que configura Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Nesse cenário, a conduta correta é prescrever fosfato de oseltamivir e internar o paciente, conforme o protocolo do Ministério da Saúde para SRAG.
A síndrome gripal é definida como febre de início súbito, mesmo que referida, acompanhada de tosse ou dor de garganta e pelo menos um dos sintomas: mialgia, cefaleia ou artralgia. O paciente do caso preenche esses critérios (febre, tosse, mialgia e dor de garganta). Porém, o que define a conduta não é apenas o diagnóstico de síndrome gripal, mas a presença de sinais de gravidade, que elevam o caso para SRAG.
Segundo o Ministério da Saúde, são sinais de gravidade na síndrome gripal: dispneia, desconforto respiratório, saturação de O₂ menor que 95% ou exacerbação de doença preexistente. O paciente apresenta SpO₂ de 92%, portanto preenche o critério de gravidade. Além disso, a hipotensão é um sinal de instabilidade hemodinâmica, que reforça a necessidade de internação e, possivelmente, de terapia intensiva.
O protocolo do MS para SRAG é claro: todo paciente com SRAG deve ser internado e receber fosfato de oseltamivir, independentemente de confirmação laboratorial. O tratamento antiviral deve ser iniciado o mais precocemente possível, idealmente dentro de 48 horas do início dos sintomas — o paciente está no segundo dia, dentro da janela ideal. A coleta de amostras para exame laboratorial é indicada, mas não substitui a internação nem o início imediato do antiviral.
A alternativa C é a única que combina as duas medidas essenciais: prescrição de oseltamivir + internação. As demais alternativas ou subestimam a gravidade (mantendo acompanhamento ambulatorial) ou omitem o antiviral, o que contraria o protocolo para SRAG.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a fronteira entre síndrome gripal simples e SRAG. O candidato pode achar que, por ser um paciente previamente hígido, o caso é leve e o manejo é ambulatorial. Mas a saturação de 92% é o gatilho: ela é menor que 95%, configurando sinal de gravidade e, portanto, SRAG. A hipotensão reforça a gravidade. Não caia na armadilha de tratar como gripe comum um paciente com hipoxemia — a internação é obrigatória.
1Avaliar sinais de gravidade
2SpO₂ < 95% ou hipotensão?
3[+] SRAG: internar + oseltamivir
4[-] Sem gravidade: ambulatorial
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Prescrever oseltamivir e manter acompanhamento ambulatorial subestima a gravidade. O paciente tem SpO₂ de 92% e hipotensão, critérios de SRAG, que exigem internação. O antiviral isolado, sem internação, não é conduta adequada para SRAG.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Orientar apenas sintomáticos nega a indicação de oseltamivir, que é obrigatória em SRAG. O antiviral está indicado para todos os pacientes com SRAG, independentemente de fatores de risco. A alternativa contraria o protocolo do MS.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta correta é prescrever fosfato de oseltamivir e internar o paciente. O paciente tem SRAG (SpO₂ 92% + hipotensão), e o protocolo do MS determina internação e antiviral para todos os casos de SRAG. O oseltamivir deve ser iniciado o mais precocemente possível, dentro de 48 horas dos sintomas — o paciente está no 2º dia, dentro da janela ideal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Solicitar coleta de amostras e orientar retorno em 48 horas posterga a internação de um paciente com SRAG. A coleta é indicada, mas não substitui a internação imediata nem o início do antiviral. O retorno em 48h é conduta para síndrome gripal sem gravidade, não para SRAG.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Solicitar radiografia e exames laboratoriais e orientar retorno em caso de piora também subestima a gravidade. O paciente já tem sinais de gravidade (SpO₂ 92% e hipotensão), portanto não pode ser manejado ambulatorialmente. A internação é necessária, e o antiviral deve ser iniciado imediatamente.