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Questão de Medicina — Dermatologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaDermatologia
Código
qq970562
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Infectologia Pediátrica
Paciente do sexo feminino, 65 anos, foi diagnosticada com hanseníase, ficou muito preocupada com o diagnóstico e tratamento e foi procurar orientações na UBS. Quais orientações o médico deve inicialmente dar à paciente?
  1. ADeve tranquilizar a paciente dizendo tratar-se de uma doença autolimitada e benigna, que não tem indicação de nenhum tratamento.
  2. BDeve orientar a paciente sobre o fato de que o tratamento medicamentoso é feito com antibioticoterapia endovenosa.
  3. CDeve orientar a paciente sobre o fato de que o tratamento é feito com antibioticoterapia e que, se tratada de forma correta, tem boa evolução.
  4. DInfelizmente deve orientar a paciente sobre o fato de que não existe tratamento disponível no Brasil para essa doença.
  5. EDeve orientar a paciente sobre o fato de que, além da antibioticoterapia, o tratamento medicamentoso é feito com imunossupressores e que, mesmo se tratada de forma correta, a doença não tem boa evolução.
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GabaritoC — Deve orientar a paciente sobre o fato de que o tratamento é feito com antibioticoterapia e que, se tratada de forma correta, tem boa evolução.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hanseníase: orientações iniciais ao paciente

Gabarito: letra C. A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, curável, cujo tratamento é feito com antibioticoterapia (poliquimioterapia única — PQT-U) e que, quando tratada corretamente, tem boa evolução, com cura em até 98% dos casos. A alternativa C é a única que reflete essa realidade, sendo a orientação inicial adequada à paciente.

A hanseníase, causada pelo Mycobacterium leprae, é uma doença de notificação compulsória e de tratamento obrigatório, disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos sinais cardinais: lesões de pele com alteração de sensibilidade, espessamento de nervos periféricos e presença do bacilo. O tratamento é feito em regime ambulatorial, na Atenção Primária à Saúde (APS), com a poliquimioterapia única (PQT-U), que combina três antimicrobianos: rifampicina, dapsona e clofazimina. A duração varia conforme a classificação operacional: 6 meses para paucibacilar (PB) e 12 meses para multibacilar (MB).

A preocupação da paciente é compreensível, pois a hanseníase carrega um estigma histórico. O papel do médico, nesse momento, é acolher, informar e tranquilizar com base em fatos: a doença tem cura, o tratamento é eficaz e está disponível. A orientação correta deve transmitir esperança realista, reforçando a importância da adesão ao tratamento para evitar sequelas e interromper a transmissão. As demais alternativas distorcem a realidade da doença, seja negando a necessidade de tratamento, seja afirmando que não há cura ou que o tratamento é ineficaz.

É fundamental que o profissional de saúde saiba diferenciar a hanseníase de outras doenças que cursam com lesões de pele e neuropatias, como a síndrome de Bernhardt-Roth, a artrite reumatoide e a psoríase artropática. No entanto, para a orientação inicial, o foco deve ser o esclarecimento sobre o tratamento e o prognóstico. A banca explora exatamente o desconhecimento sobre a curabilidade da doença e a confusão entre o tratamento da infecção (antibioticoterapia) e o tratamento das reações hansênicas (imunossupressores).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o tratamento da infecção pelo M. leprae (feito com antibióticos — PQT-U) e o tratamento das reações hansênicas (feito com imunossupressores, como corticoides). A alternativa E mistura os dois conceitos e ainda afirma, erroneamente, que a doença não tem boa evolução. O candidato que sabe que a hanseníase tem cura e que o tratamento é com antibióticos acerta a questão.

1Tratamento da infecção
PQT-U (rifampicina, dapsona, clofazimina)
Via oral, ambulatorial
Cura em até 98%
2Tratamento das reações hansênicas
Imunossupressores (corticoides)
3Classificação operacional
Paucibacilar (6 meses)
Multibacilar (12 meses)
4Sinais cardinais
Lesão de pele com alteração de sensibilidade
Espessamento de nervos periféricos
Presença do bacilo
Hanseníase
LEVELsoulevel.com.br
Hanseníase: Tratamento da infecção (PQT-U (rifampicina, dapsona, clofazimina), Via oral, ambulatorial, Cura em até 98%); Tratamento das reações hansênicas (Imunossupressores (corticoides)); Classificação operacional (Paucibacilar (6 meses), Multibacilar (12 meses)); Sinais cardinais (Lesão de pele com alteração de sensibilidade, Espessamento de nervos periféricos, Presença do bacilo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a hanseníase é autolimitada e benigna, sem indicação de tratamento. Isso é falso: a hanseníase é uma doença crônica, que não regride espontaneamente e que, sem tratamento, pode causar incapacidades físicas permanentes. O tratamento é obrigatório e está disponível no SUS.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o tratamento é feito com antibioticoterapia endovenosa. O tratamento da hanseníase é feito por via oral, com a PQT-U (rifampicina, dapsona e clofazimina), em regime ambulatorial. Não há indicação de antibioticoterapia endovenosa para o tratamento da infecção.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que o tratamento é feito com antibioticoterapia e que, se tratada de forma correta, tem boa evolução. A PQT-U leva à cura em até 98% dos casos, com baixa taxa de recidiva. Essa é a orientação inicial adequada: transmitir segurança e esperança realista, reforçando a importância da adesão ao tratamento.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que não existe tratamento disponível no Brasil. Isso é falso: o tratamento é padronizado, gratuito e distribuído pelo Ministério da Saúde em todo o território nacional. A afirmação é desesperançosa e incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que, além da antibioticoterapia, o tratamento é feito com imunossupressores e que, mesmo tratada corretamente, a doença não tem boa evolução. Há dois erros: (1) os imunossupressores são usados apenas para tratar as reações hansênicas, não a infecção em si; (2) a doença tem boa evolução quando tratada corretamente, com cura em até 98% dos casos.

Gabarito: letra C

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