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Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023

MedicinaNeurologia
Código
qq970577
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Infectologia Pediátrica
Qual é o tratamento mais adequado para um caso de neurocisticercose parenquimatosa com a presença de cistos viáveis?
  1. ARemoção neuroendoscópica + cisticida.
  2. BDiurético osmótico + imunossupressor.
  3. CNão há necessidade de nenhum tratamento específico.
  4. DCorticoide + anticonvulsivante.
  5. ECisticida + corticoide.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Cisticida + corticoide.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Neurocisticercose parenquimatosa: tratamento dos cistos viáveis

Gabarito: letra E. Para cistos viáveis (fase vesicular) na neurocisticercose parenquimatosa, o tratamento mais adequado é a associação de cisticida (albendazol ou praziquantel) + corticoide, conforme o consenso de especialistas apresentado na tabela de manejo da doença — o corticoide é instituído antes da terapia antiparasitária para conter a resposta inflamatória deletéria ao SNC.

A neurocisticercose é a infecção do sistema nervoso central pela forma larval da Taenia solium. O cisticerco, no parênquima cerebral, evolui por fases: vesicular (larva viva, cisto viável), coloidal, granular-nodular (degeneração) e calcificada (larva morta). O tratamento depende diretamente dessa classificação — por isso a imagem (TC ou RM) é fundamental para a decisão terapêutica. Na fase vesicular, o cisto é viável e o parasita está vivo; a conduta é eliminá-lo com droga cisticida, mas a morte do parasita libera antígenos que disparam resposta inflamatória local, podendo causar edema e piora neurológica. É exatamente por isso que o corticoide acompanha obrigatoriamente o cisticida: ele modula essa reação. O esquema clássico é dexametasona 0,1 mg/kg/dia iniciada um dia antes do antiparasitário e mantida até o fim da terapia.

A tabela de recomendações do painel de especialistas é clara: para cistos viáveis, em intensidade leve (1–5 cistos), a recomendação é terapia antiparasitária + corticoide; em intensidade moderada (>5 cistos), também TA + corticoide; e em intensidade intensa (>100 cistos), TA + corticoide em altas doses. Ou seja, independentemente da carga parasitária, o binômio cisticida + corticoide é a espinha dorsal do tratamento. Vale destacar que pacientes assintomáticos ou com cistos mortos/calcificados não devem receber antiparasitários — aí a conduta é apenas acompanhamento. Essa distinção entre cisto viável (trata) e cisto calcificado (não trata) é o ponto que a banca explora.

A pegadinha central desta questão é confundir o tratamento do cisto viável com o de outras formas ou com medidas sintomáticas isoladas. O corticoide sozinho (letra D) controla a inflamação, mas não elimina o parasita; o anticonvulsivante trata a crise epiléptica, não a causa. A remoção neuroendoscópica (letra A) é reservada aos cistos ventriculares, não aos parenquimatosos. Diurético osmótico + imunossupressor (letra B) não tem papel aqui — o diurético osmótico (manitol) aparece apenas na encefalite cisticercótica intensa, associado a corticoide em altas doses, e imunossupressor não faz parte do manejo. E a letra C (nenhum tratamento) contraria frontalmente a recomendação para cistos viáveis.

Guarde o critério que separa as alternativas: a presença de cisto viável impõe tratamento antiparasitário, e a necessidade de modular a inflamação impõe o corticoide associado — é exatamente essa dupla que a alternativa correta espelha e que as demais mutilam.

1Cisto viável (vesicular)
Cisticida + corticoide
2Cisto degenerado (coloidal/granular)
Pode não tratar ou TA + corticoide
3Cisto calcificado (morto)
Não tratar com antiparasitário
4Cisto ventricular
Neuroendoscopia
5Encefalite intensa
Corticoide em altas doses + manitol
Sem antiparasitário
Neurocisticercose parenquimatosa
LEVELsoulevel.com.br
Neurocisticercose parenquimatosa: Cisto viável (vesicular) (Cisticida + corticoide); Cisto degenerado (coloidal/granular) (Pode não tratar ou TA + corticoide); Cisto calcificado (morto) (Não tratar com antiparasitário); Cisto ventricular (Neuroendoscopia); Encefalite intensa (Corticoide em altas doses + manitol, Sem antiparasitário)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A remoção neuroendoscópica é a conduta de escolha para cistos ventriculares, não para os parenquimatosos. No parênquima, o tratamento é clínico (cisticida + corticoide); a neuroendoscopia com fenestração do terceiro ventrículo é indicada para cistos intraventriculares, podendo evitar derivação ventriculoperitoneal. A alternativa mistura a via de tratamento de outra topografia com o cisticida, mas a associação não é a mais adequada para o caso parenquimatoso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diurético osmótico (manitol) + imunossupressor não é o tratamento de cistos viáveis. O manitol é usado na encefalite cisticercótica intensa, associado a corticoide em altas doses, para reduzir a pressão intracraniana — não há papel para imunossupressor no manejo da neurocisticercose. A alternativa troca o cisticida (que elimina o parasita) por medidas que não atacam a causa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirmar que não há necessidade de tratamento específico contraria a recomendação expressa para cistos viáveis. A conduta de "não tratar" é reservada a pacientes assintomáticos ou com cistos mortos/calcificados. No cisto viável, a terapia antiparasitária + corticoide é consenso, pois o parasita está vivo e pode causar sintomas e sequelas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Corticoide + anticonvulsivante trata os sintomas (inflamação e crise epiléptica), mas não elimina o parasita viável. O anticonvulsivante é adjuvante para controle das convulsões, e o corticoide modula a inflamação — porém, sem o cisticida, o cisto permanece viável e a doença não é curada. A alternativa omite justamente o componente antiparasitário, que é o cerne do tratamento.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Cisticida + corticoide é exatamente a recomendação consensual para cistos viáveis na neurocisticercose parenquimatosa. O cisticida (albendazol ou praziquantel) elimina a larva; o corticoide (dexametasona 0,1 mg/kg/dia, iniciado 1 dia antes) previne a resposta inflamatória deletéria decorrente da liberação antigênica. A associação é a conduta padrão, independentemente da intensidade da infecção.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as formas da neurocisticercose. O candidato que decora "corticoide + anticonvulsivante" para crise convulsiva associa a letra D ao caso, mas esquece que o cisto viável exige tratamento antiparasitário. A chave é identificar a fase do cisticerco: viável → trata com cisticida; calcificado → não trata. Aqui, o enunciado diz expressamente "cistos viáveis", então a resposta só pode ser a que inclui o cisticida.

PEGA ESSA DICA!

Monte um fluxo mental rápido: (1) cisto viável → cisticida + corticoide; (2) cisto degenerado com edema leve → pode não tratar ou TA + corticoide; (3) cisto calcificado → nunca tratar; (4) cisto ventricular → neuroendoscopia; (5) encefalite intensa → corticoide em altas doses + manitol, sem TA. Essa tabela cai direto na prova.

Gabarito: letra E

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