Questão de Medicina — Neurologia — INSTITUTO AOCP 2023
Medicina›Neurologia
Código
qq970597
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
EBSERH
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - PRM - Área de Atuação: Medicina Intensiva Pediátrica
Em relação aos sinais e sintomas dos tumores do sistema nervoso central, é correto afirmar que
Aa obstrução ao fluxo do líquor ou a compressão e infiltração por esses tumores são as causas dos sinais e sintomas.
Bas convulsões serão a manifestação inicial da maioria das crianças com tumores cerebrais.
Cos tumores do SNC são as principais causas de cefaleia e vômitos.
Dos tumores que mais podem causar hipertensão intracraniana são os parasselares.
Ea síndrome diencefálica é caracterizada por aumento de peso, letargia e êmese.
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GabaritoA — a obstrução ao fluxo do líquor ou a compressão e infiltração por esses tumores são as causas dos sinais e sintomas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Tumores do Sistema Nervoso Central: sinais e sintomas
Gabarito: letra A. Os sinais e sintomas dos tumores do SNC resultam, fundamentalmente, da obstrução ao fluxo do líquor ou da compressão e infiltração do tecido neural adjacente pelo tumor, além do edema vasogênico decorrente da ruptura da barreira hematencefálica. As demais alternativas distorcem a apresentação clínica: convulsões não são a manifestação inicial da maioria das crianças, tumores não são a principal causa de cefaleia e vômitos, os que mais causam hipertensão intracraniana não são os parasselares, e a síndrome diencefálica cursa com perda de peso, não ganho.
Os tumores do sistema nervoso central (SNC) podem ser primários ou metastáticos. Os primários originam-se de células do próprio tecido nervoso (astrócitos, oligodendrócitos, ependimócitos, células da aracnoide-máter, entre outras), enquanto os metastáticos resultam da disseminação hematogênica de câncer sistêmico — sendo, na verdade, os mais comuns. A apresentação clínica depende de dois mecanismos principais: o efeito de massa local (compressão ou infiltração do parênquima adjacente) e o aumento da pressão intracraniana (PIC), que pode ocorrer por obstrução do fluxo liquórico, edema vasogênico ou hemorragia intratumoral.
A rigidez da calota craniana é um ponto-chave: como o crânio é um compartimento fechado e inextensível, mesmo tumores pequenos ou histologicamente benignos podem causar sintomas significativos. Os sintomas focais dependem da localização — tumores supratentoriais (hemisférios cerebrais) costumam causar fraqueza unilateral, afasia e alterações de memória; tumores infratentoriais (fossa posterior, comuns em crianças) causam diplopia, ataxia, disfagia e vômitos. Já os sintomas generalizados, como cefaleia, alterações de humor e rebaixamento do nível de consciência, decorrem da elevação da PIC.
A cefaleia é o sintoma inicial em até dois terços dos pacientes, mas não possui características singulares — o que chama atenção é o padrão recente ou diferente, com agravamento progressivo e piora noturna ou ao despertar. Os vômitos em jato são comuns em crianças com tumores de fossa posterior, porém raros em adultos. É importante destacar que tumores não são a principal causa de cefaleia e vômitos na população geral — causas muito mais frequentes, como enxaqueca, tensão e infecções, dominam o cenário. A síndrome diencefálica, por sua vez, é uma apresentação clássica de tumores do hipotálamo/região quiasmática (como gliomas ópticos) em crianças, caracterizada por emagrecimento (perda de peso), apesar de apetite preservado, e hiperatividade — não ganho de peso e letargia.
Guarde a fronteira entre o mecanismo fisiopatológico (compressão/infiltração/obstrução liquórica) e as manifestações clínicas específicas: é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
A alternativa espelha com precisão o mecanismo fisiopatológico central dos tumores do SNC. Os sinais e sintomas resultam da obstrução ao fluxo do líquor (causando hidrocefalia e aumento da PIC) ou da compressão e infiltração do tecido neural adjacente pelo tumor, além do edema vasogênico que acompanha a ruptura da barreira hematencefálica. É exatamente isso que o texto de apoio descreve: "Os sinais e sintomas causados por tumores cerebrais comumente resultam de compressão ou invasão do tecido neural adjacente pelo tumor ou do edema vasogênico que resulta da ruptura da barreira hematencefálica". A obstrução ventricular direta da drenagem liquórica é uma das etiologias de HIC induzida por neoplasia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que as convulsões serão a manifestação inicial da maioria das crianças com tumores cerebrais. Na maioria dos pacientes pediátricos, os tumores surgem na fossa posterior e se manifestam com diplopia, ataxia, disfagia ou náuseas/vômitos — não com crises convulsivas. As convulsões podem ocorrer, mas não são a apresentação inicial predominante nessa faixa etária. O erro está na generalização indevida: a banca troca a apresentação típica (sintomas de fossa posterior) por um sintoma que, embora possível, não é o mais frequente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa comete um erro de proporção: tumores do SNC não são as principais causas de cefaleia e vômitos na população geral. Embora a cefaleia seja o sintoma inicial em até dois terços dos pacientes com tumores cerebrais, isso não significa que tumores sejam causa comum de cefaleia — na verdade, são causa rara. As causas mais frequentes de cefaleia e vômitos são benignas (enxaqueca, cefaleia tensional, gastroenterites, etc.). A banca inverte a relação: o que é um sintoma comum no tumor não torna o tumor uma causa comum do sintoma.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao apontar os tumores parasselares como os que mais podem causar hipertensão intracraniana. Os tumores que mais comumente cursam com HIC são aqueles que obstruem o fluxo liquórico (como tumores da fossa posterior e do III ventrículo) ou que produzem grande efeito de massa com edema vasogênico — como gliomas de alto grau e metástases. Os tumores parasselares (região selar/suprasselar, como craniofaringiomas e adenomas hipofisários) podem causar sintomas por compressão do quiasma óptico e distúrbios endócrinos, mas não são os principais responsáveis por HIC. A banca troca a localização que mais causa HIC (fossa posterior/ventricular) por uma localização que causa outros tipos de sintomas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa inverte os sintomas da síndrome diencefálica. Essa síndrome, clássica em crianças com tumores do hipotálamo (como gliomas ópticos), caracteriza-se por emagrecimento (perda de peso progressiva) apesar de apetite preservado ou até aumentado, hiperatividade e euforia — não ganho de peso e letargia. A banca troca perda de peso por ganho de peso e hiperatividade por letargia, invertendo completamente o quadro clínico. A êmese pode ocorrer, mas o conjunto descrito está errado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora duas inversões clássicas: (1) na síndrome diencefálica, troca perda de peso por ganho de peso e hiperatividade por letargia — o quadro real é de emagrecimento com apetite preservado; (2) generaliza as convulsões como manifestação inicial da maioria das crianças, quando na verdade a maioria apresenta sintomas de fossa posterior (diplopia, ataxia, vômitos). Fique atento a essas trocas — com treino você as enxerga de longe 💪